Pesquisar
Pesquisar

Categoria: Artigos Técnicos

Outubro 18, 2017

Hoje partilhamos um pertinente artigo de Octávio Moura, especialista em Psicologia Clínica e da Saúde e  especialista avançado em Neuropsicologia, publicado no site Portal da Dislexia sobre os sinais de alerta desta Perturbação da Aprendizagem Específica nas crianças.

Do ponto de vista da nossa experiência técnica e pessoal sobre Dislexia, consideramos a leitura deste artigo crucial para esclarecer pais, professores e até psicólogos: enumera e resume de forma criteriosa todos aqueles pequenos detalhes aos quais devemos estar atentos nas crianças.

Para nós, na Sintricare, é fundamental combater a desinformação generalizada sobre esta Perturbação da Aprendizagem Específica e apostar na avaliação precoce da Dislexia… a bem das nossas crianças! Boa leitura!

SINAIS DE ALERTA DA DISLEXIA

Dada a natureza desenvolvimental desta Perturbação da Aprendizagem Específica, as crianças com Dislexia já evidenciam um conjunto significativo de sinais e sintomas durante a infância e início da escolaridade. De seguida são apresentados alguns Sinais de Alerta da Dislexia na infância e em idade escolar para que pais e professores possam mais facilmente identificar estas possíveis alterações nos seus educandos. Na eventualidade de identificar vários destes sinais de alerta e a criança manifestar dificuldades significativas nos processos de leitura e escrita é recomendado o encaminhamento da criança para uma avaliação especializada por profissionais [nomeadamente (neuro)psicólogos] com larga experiência neste âmbito.

SINAIS DE ALERTA DA DISLEXIA DURANTE A INFÂNCIA:

  • Atraso no desenvolvimento da linguagem. Começou a dizer as primeiras palavras mais tarde do que o habitual e a construir frases mais tardiamente.
  • Apresentou alguns problemas na linguagem durante o seu desenvolvimento, nomeadamente dificuldades em pronunciar determinados sons/fonemas, linguagem ‘abebezada’ para além do tempo normal, etc.
  • Apresentou dificuldades em memorizar e acompanhar canções infantis e lenga-lengas, revelou dificuldades nas tarefas de rimas.
  • Apresentou dificuldades em tarefas de consciência fonológica (rimas, lenga-lengas, segmentação sílabica, etc.).
  • Entre vários outros sinais.

SINAIS DE ALERTA DA DISLEXIA NA IDADE ESCOLAR:

  • Dificuldades de leitura e escrita: lentidão na aprendizagem e na memorização das letras, e na automatização dos processos da leitura e escrita.
  • Dificuldade em compreender que as palavras se podem segmentar em sílabas e fonemas.
  • Dificuldades na consciência fonológica (segmentação fonémica e manipulação fonológica, etc.).
  • A velocidade da leitura encontra-se significativamente abaixo do esperado para a idade. Muitas vezes a sua leitura é silabada e ocorre uma enorme lentidão na conversão grafema-fonema.
  • Bastantes dificuldades na descodificação das palavras, com a presença de inúmeras alterações. Revela dificuldades nos processos de descodificação grafema-fonema e/ou na leitura automática de palavras.
  • Dificuldades na compreensão/interpretação dos textos lidos devido ao baixo desempenho na leitura. Normal compreensão quando os textos lhe são lidos pelo adulto.
  • Na escrita surgem muitos erros ortográficos (trocas fonológicas e/ou lexicais) em todo o tipo de palavras (quanto à regularidade e frequência).
  • Na escrita surgem lacunas acentuadas na organização/estruturação das ideias no texto e na construção frásica.
  • Demora demasiado tempo na realização dos trabalhos de casa (uma hora de trabalho rende 10 minutos).
  • Utiliza estratégias e truques para não ler. Não revela qualquer prazer pela leitura.
  • Distrai-se com bastante facilidade perante qualquer estímulo, parecendo que está a sonhar acordado. Curtos períodos de atenção.
  • Os resultados escolares não são condizentes com a sua capacidade intelectual. Melhores resultados nas avaliações orais do que nas escritas.
  • Dificuldades em memorizar e processar informações verbais.
  • Muitas dificuldades na aprendizagem de uma língua estrangeira (Inglês).
  • Não gosta de ir à escola ou de realizar atividades com ela relacionada.
  • Apresenta picos de aprendizagem, nuns dias parece assimilar e compreender os conteúdos curriculares e noutros parece ter esquecido o que tinha aprendido anteriormente.
  • Entre vários outros sinais.”

FONTE: Moura, O. (2017). Portal da Dislexia. Acedido em 17/10/2017, de https://dislexia.pt.

Agosto 2, 2017

Há anos que os cientistas acreditam que a felicidade pode ter um real efeito positivo na saúde física, mas um novo artigo, publicado no jornal Applied Psychology: Health and Well-Being Scientists e divulgado na Time, reforça esta ideia de uma forma mais evidente.

Com referência a mais de 20 textos científicos e evidências resultantes de cerca de 150 estudos individuais, os investigadores analisaram profundamente os efeitos do subjective well-being – uma medida de como as pessoas avaliam as suas próprias vidas – em várias aspetos da saúde física.

Segundo o autor principal, Edward Diener, professor de psicologia social da University de Utah, tais estudos permitiram confirmar, quase sem sombra de dúvidas, que a felicidade influencia realmente a saúde. Os investigadores apontam algumas teorias para explicar como isto acontece na prática.

Antes de mais, pessoas felizes tendem a cuidar melhor de si próprias e a escolher hábitos saudáveis, como fazer exercício físico, comer ou dormir bem. Depois, o estudo evidencia que a felicidade tem influência positiva no sistema cardiovascular e imunológico, influencia hormonas, diminui inflamações e acelera o processo de cicatrização. Segundo concluiram, é também possível que uma boa saúde possa levar a um melhor estado emocional.

Apesar de estarem conscientes de que a felicidade pode ser influenciada por fatores subjetivos, não mensuráveis numa pesquisa científica, no geral, os autores afirmam que há evidências suficientemente fortes para afirmar que o subjective well-being influencia a saúde e a longevidade, pelo menos, em alguns momentos.

Para eles, a questão agora é perceber o porquê da felicidade estar ligada à saúde para algumas pessoas e não para outras.

O artigo completo, publicado no jornal Applied Psychology: Health and Well-Being Scientists, para ler em http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/aphw.12090/full.

Sintricare

Abril 1, 2016

De todas as convicções e ideias a mais importante é a imagem que desenvolvemos e temos de nós próprios, uma vez que dela depende em grande parte a capacidade de nos realizarmos e sermos felizes.

Na atualidade o valor pessoal é medido tendo em conta os êxitos materiais ou profissionais, o que nos leva por vezes, a procurar desesperadamente o sucesso, quer nosso, enquanto adultos, quer dos nossos filhos. Claro está, que não temos que ter necessariamente um olhar totalmente desaprovador quanto ao ponto de querermos dar o nosso melhor ou de incentivarmos os nossos filhos, a que também eles, se empenhem e sejam responsáveis no sentido de darem o seu melhor.

O problema surge, quando se procura o reconhecimento do exterior, sem por vezes termos a noção a que custo. A questão deve ser colocada precisamente ao contrário: o valor de um indivíduo como ser humano é a base e também o ponto de partida para obter o êxito pessoal.

Desta forma, há que tentar que as crianças tenham logo desde os primeiros anos, uma imagem positiva de si mesmas, que as ajude a sentirem-se fortes e seguras, por forma a serem capazes de assumir riscos sem medo, aceitando que por vezes perder faz parte do jogo e da aprendizagem na vida.

Um dos elementos fundamentais para que a criança se sinta única e valiosa é o facto de se sentir amada e saber, além disso, que esse amor é incondicional e, portanto, independente do que ela venha a fazer, ser, ou, obter no futuro. Desta forma, o amor que é dado aos filhos nunca é de mais.

É importante as mostras de amor e de afeto, quer através de gestos e ações, quer transmitindo-lhes verbalmente o carinho que se sente por eles, as suas virtudes, as suas ações positivas, não se focando somente nos seus sucessos ou insucessos escolares, pois as nossas crianças são muito mais para além das notas escolares. Aproveite todos os momentos para valorizar seu filho, só assim crescerá capaz de se valorizar, confiando em si mesmo e sentindo-se mais seguro para enfrentar os problemas e conseguir tudo aquilo a que se dispor.

Sandra Mendes

Março 1, 2015

A curiosidade é uma necessidade vital. É o motor que empurra o desejo de saber, de aprender e de investigar.

As crianças interessam-se pelas coisas e por vezes inundam-nos de perguntas, é importante escutá-las e ajudar a que encontrem os meios para que possam encontrar as respostas às suas interrogações.

A curiosidade anda a par com a observação. Um dos problemas que cada vez mais nos confrontamos com as crianças desta geração é que fazem pouco o exercício de observação, fazem tudo à pressa, têm dificuldade em se concentrar na maioria das tarefas e em ouvir.

A pressa é um elemento que está presente no ritmo de vida atual e que entorpece e bloqueia o pensamento. Em geral reserva-se pouco tempo para observar, olhar, pensar com detenção para as coisas que se encontram à nossa volta. Não contactamos connosco próprios, corremos para um sem fim de coisas! Proporcionamos aos nossos filhos um conjunto de meios que vêm construídos e pensados para cativarem a sua atenção, sem sabermos bem a que custo.

É urgente estimular a capacidade de observação das nossas crianças, ajudá-las a despertar a sua curiosidade, preparando assim o caminho para a criatividade e para um desenvolvimento mais equilibrado.

Ficam aqui algumas ideias, no entanto, se quiserem podem também colaborar para que possamos aumentar esta lista. Aguardamos as vossas sugestões:

– Ler, ler e ler. Mesmo que a criança já saiba ler, não devemos deixar de lhe contar histórias. Esta é uma atividade fundamental para o desenvolvimento da criatividade e da atenção.

– Falar, falar, falar. Partilharem em família como foi o dia, o que mais e o que menos gostaram.

– Cozinharem juntos. Falando da origem dos ingredientes, para os mais crescidos que tal fazer uma pesquisa acerca de determinado ingrediente?

– Diminuir o tempo diário de atividades como televisão e consola, para dedicar a atividades como jogos de construção, plasticinas, colagens, fazer um álbum de recordações, colher flores e secá-las, ajudar nas tarefas de casa, etc.

– Os pais poderão partilhar realidades de antigamente. Como era a sua família? E a escola? E os professores? E os brinquedos?

– Pintarem juntos, num grande papel serem livres, sem terem que seguir regras.

– Um serão musical, deitarem-se no chão, ouvirem música.

– Durante cinco minutos vamos ouvir o silêncio.

– Vamos não fazer nada, vamos só pensar!

Fevereiro 1, 2015

A responsabilidade é apreendida e interiorizada de forma progressiva.

A partir do momento que a criança começa a ter consciência de si mesma e já consegue agir sobre o meio, é possível começar a ensinar e estimular a responsabilização por algumas tarefas ou atos.

Podemos desde cedo, levá-los pela mão e solicitar a ajuda para que arrume um brinquedo ou que ponha a chucha no armário ou a fralda no caixote do lixo, vendo como se faz através do nosso exemplo e ajuda.

Estas tarefas deverão ser incentivadas de forma positiva e reforçadas com palavras e gestos de apreço sempre que a criança as realize (não deverão ser exigidas).

A criança sentir-se-á valorizada e importante, fortalecendo a sua autoestima ao mesmo tempo que inicia o seu processo de responsabilização.

Estes são factores determinantes e fundamentais para o seu bom desenvolvimento. O nível de exigência deverá ser adequado à fase de desenvolvimento e à compreensão da criança. Encontrar um meio-termo na exigência feita às crianças nem sempre é fácil, mas deverá ser este, o objetivo a atingir.

Verificam-se duas atitudes opostas por parte dos educadores:

Atitudes superprotetoras que não permitem desenvolver a responsabilidade, preferindo executar as tarefas em vez de ensinar e esperar que as saibam fazer, ou, colocarem-se numa situação de escudo, onde a criança não consegue perceber a causa-efeito das suas atitudes. Esta atitude entorpece o desenvolvimento e pode implicar uma dificuldade acrescida na sua adaptação social.

Por outro lado, temos o outro extremo, o excesso de exigência quando a criança ainda não possui capacidade para lhe corresponder. Esta situação, pode implicar insegurança e uma noção de incapacidade para fazer face às novas situações que possam surgir durante o seu processo de desenvolvimento e da vida adulta.

Por tudo isto, os pais devem fazer um esforço acrescido apelando ao bom senso para encontrarmos o tal meio termo que seja facilitador do desenvolvimento da responsabilidade das crianças.

Se por um lado não devemos prolongar um bebé que já cresceu, por outro, não devemos exigir atitudes de um adulto naqueles que, ainda têm pela frente uns quantos anos de aprendizagem para lá chegar.

Então, o que fazer?
– Devemos sempre dar o exemplo, não esquecendo que nós somos o modelo pelo qual as nossas crianças se guiam.

– Ensinar primeiro para que a criança aprenda como fazer.

– Esperar e ser prevalecente naquilo que se pediu à criança. Ter em atenção que a interiorização da informação e a prática por vezes demora algum tempo.

– Ensinar a criança a cuidar e a responder pelas suas coisas, mas também pelas dos outros.

– Ensinar-lhe, conversando, sobre a importância de respeitarmos regras da sociedade, da família e da escola.

– Pedir a sua participação, tendo em conta as suas possibilidades, nas tarefas domésticas.

– Em idade escolar sensibilizar a criança para a sua responsabilidade para com o estudo e para com as suas obrigações escolares, devendo responder perante elas com o seu esforço e dedicação.

– Ensinar-lhe as consequências dos seus atos, quer sejam adequados ou desadequados.

– Valorizar a criança sempre que se mostre responsável e conversar com ela sobre a importância e benefícios da sua atitude.

– É excelente ensinar a criança a refletir e a pensar no porquê das coisas. Utilizar exemplos práticos do dia-a-dia para que possa perceber os efeitos ou consequências e os benefícios ou malefícios de determinados comportamentos.

Que mais se poderá dizer?

Fale de si e da sua experiencia enquanto pessoa e tenha boas e longas conversas de partilha e amor, estas serão sem dúvida todo o alicerce da grande construção que é a educação dos nossos filhos.

Sandra Mendes