17/09/2020
Artigo Entre o Isolamento e o Medo

Estamos a viver um momento muito particular no qual muito se tem falado sobre medo e a necessidade de nos isolarmos socialmente. Tanto um como outro são carregados de significados e de desafios. Somos seres sociais e o isolamento pode ser um desafio enorme na saúde psicoemocional e física. Fechados entre quatro paredes, podemos facilmente perder o ânimo e a energia. Desta forma é importante olhar para este tema de uma forma terapêutica e fomentar que é possível fazer algo que limite esta sensação.

O medo e a ansiedade são filhos destes cenários e para quem já tem um historial de ansiedade na sua vida, não é fácil. Também a psicoterapia pode ajudar não só quem já tinha uma predisposição para a ansiedade como também quem está a sentir maiores dificuldades neste momento. Têm sido escritas muitas notícias, conselhos, mezinhas, ideias… E quando a informação é demais, também traz ansiedade. Por isso compilei algumas ideias simples para levarem convosco para estes dias e para estes dois temas.

Ansiedade:
– Regulem o acesso à informação. É importante mantermo-nos informados, mas escolham meios de comunicação fidedignos, com “fact-check” e privilegiem sempre a consulta dos sites da DGS e da OMS. Demasiada informação e factos contraditórios fazem espalhar o medo, por isso, para além de regularem a vossa informação, pensem também no efeito que tem nos outros e antes de partilharem algo nas redes sociais confirmem a sua veracidade. Se têm dúvidas, não partilhem.

– Num cenário de desafio considerem a consulta de um psicoterapeuta. O psicoterapeuta é um profissional que pode ajudar a criar estratégias para gerir a ansiedade. Caso não se queiram deslocar é possível efetuar consultas online.

– A meditação e uma respiração calma e consciente são ferramentas que ajudam a atenuar a ansiedade. Hoje em dia existem muitas meditações online, guiadas, com imagens ou música. Basta escolherem a que vos faz mais sentido.

Isolamento social:
– Mesmo estando em casa, sozinhos ou em família, é importante manter alguma rotina, nomeadamente na higiene, sono e vestuário. Sim, estão em casa, mas é importante levantar e vestir, dando a indicação ao corpo de que é outro dia.

– Também é importante que se movimentem pela casa, na medida do possível. O sedentarismo é inimigo da saúde física, mas também da saúde psicoemocional.

– Mantenham o contacto. Pode não ser possível combinar aquele almoço de família, mas façam videochamadas, liguem para pessoas com quem não falam há algum tempo, escrevam um e-mail a alguém. Hoje em dia, com as novas tecnologias é possível estar em contacto e isso é fundamental. Procurem manter o contacto com quem precisa e está sozinho. Lembrem-se que podem ter a casa cheia, mas pode haver um amigo ou familiar que esteja sozinho.

– É importante respirar um pouco do ar da rua e quem tem um jardim tem essa parte facilitada. Para quem tem um apartamento, usem a varanda ou abram uma janela. Mesmo que seja na cidade e não seja um ar “puro”, respirar esse ar fresco vai ajudar o corpo a combater a ideia de fechamento.

– Ler, ler, ler! Um livro é uma companhia. Aproveitem para diminuir aquela pilha de livros que querem ler desde a adolescência e que tem vindo a aumentar. Escolham livros de acordo com o vosso sentir. Se estão a tentar gerir muita coisa, será melhor optar por um livro leve.

– Para quem tem crianças o desafio eleva-se. Mas existem muitas ideias online de como entreter as crianças dentro de casa. Façam essa pesquisa, existem muitas brincadeiras que podem inventar dentro de casa.

– Tal como com a leitura procurem algo que vá para além da simples ocupação do tempo e que seja construtivo: procurem cursos online, pintem livros de colorir (podem imprimir), aprendam crochet através de vídeos online… Existem inúmeras possibilidades e podem sempre pedir ideias a alguém, procurar na internet ou dar ideias a quem precise.

Também isto passará, mantenham-se unidos e cuidem da vossa higiene mental e emocional!

Ana Caeiro, psicoterapeuta

31/08/2020
Aulas de cerâmica na Sintricare: Benefícios

Victoria da Suécia ou os atores Brad Pitt, Leonardo Di Caprio, Bradley Cooper e Macarena García são apenas algumas das celebridades que têm em comum o hábito de fazer cerâmica. Foram eles mesmos que reconheceram este seu hobby publicamente, através redes sociais, ao qual cada vez mais pessoas aderem.

Com origens que remontam à pré-história, é incontornável que a cerâmica está a ressurgir nos tempos modernos, não só junto dos mais famosos, mas também, entre o público jovem. Na base deste interesse parece estar o reconhecimento de que esta atividade tem propriedades terapêuticas, além de permitir expressar o potencial criativo de cada um.

Aliás, o crescimento da procura por este ofício ancestral tem sido tal, que muitos a consideram como uma ‘nova ioga’! Ou seja, ambas potenciam uma desconexão, sendo que a cerâmica consegue aliar a meditação tátil à criação de novas formas e ideias. Muitos consideram-na mesmo como uma forma de praticar a ‘atenção plena’ e aprender a controlar as emoções.

Ficaram curiosos por experimentar a cerâmica como técnica de relaxamento e aumento da criatividade? Então, fiquem a saber que temos aulas de cerâmica na Sintricare, da responsabilidade da professora Rita Costa, da Gata-Gineta – Centro de Artes.

Conheçam todos os benefícios desta prática!

Razões para fazer cerâmica:

  • Aumenta o otimismo: como a cerâmica permite uma maior expressão dos sentimentos e melhora a autoestima, regra geral, torna-nos mais otimistas.
  • Melhora a concentração: Como reduz o stress, aumenta a concentração no trabalho que realizamos. Desta forma, a cerâmica pode ser uma boa técnica para aprimorar a concentração nas tarefas em que é difícil focarmo-nos.
  • Aumenta a espontaneidade: Potencia o desenvolvimento da criatividade, ao explorarmos a conceção de diferentes objetos e designs. Este é um benefício transversal a qualquer área da vida, desde o trabalho à esfera pessoal.
  • Reduz o stress: Todas as práticas criativas, manuais, potenciam o distanciamento do mundo exterior, enquanto se preoduz o objeto artístico. Isto ajuda a reduzir os níveis de stress. muitas pessoas durante o confinamento praticaram técnicas criativas como aquarela ou cerâmica. Essas técnicas ajudam a escapar do exterior e, portanto, reduzem o estresse.
  • Ajuda a exercitar as mãos: A cerâmica pode prevenir problemas de artrite a longo prazo, uma vez que o movimento da sua prática fortalece a região das mãos, pulsos e braços.
  • Estimula a sociabilidade: Apesar de ser uma atividade individual, regra geral, a olaria é feita em pequenos grupos, o que permite interagir e conhecer outras pessoas e aumentar o círculo social.

COMO COMEÇAR COM A CERÂMICA?

Entrem em contacto connosco, para saber tudo sobre as nossa aulas de cerâmica, desde as condições aos horários disponíveis: Venham sentir na pele todos os benefícios da cerâmica!

Sintricare

18/08/2020
Texto de Ana Caeiro "Navegar na Tormenta" - Agosto 2020

Imaginem tudo isto como uma enorme tormenta. O barco abana. Tudo mexe. A estrutura, se já estava débil, vai agora abanar ainda mais. As ondas são fortes, o vento uiva enraivecido, como se estivesse a ralhar connosco. Respiramos golfadas de ar enquanto ficamos ensopados na água que nos atinge. Como cuidar do convés que se está a desmontar? Ao mesmo tempo temos de tirar a água que está a entrar. Ajustar velas, pegar no leme, observar o tempo, perceber das marés. Tudo isto sem cair borda fora. É muita coisa. E nós estamos cansados. Por isso, quem tinha o barco mais ou menos apetrechado poderá navegar melhor esta tormenta. Não significa que esteja imune, afinal há mais marés que marinheiros… Mas quem já vinha com o barco cansado, desarrumado por dentro, vai encontrar na tormenta uma luta desequilibrada.

A coleção de várias tormentas, que vamos ultrapassando em vida, permite-nos ganhar calo. Ou então não e em alguns casos pode levar o barco maltratado para novas batalhas, ainda sem se ter reposto das anteriores. Somos todos diferentes pois navegamos sempre águas diferentes, com barcos diferentes, em tempos diferentes. Poderão dizer: “um bom mar nunca fez bons marinheiros.” Tudo certo. Exceto que num barco, de médio a grande até ao muito grande, temos muita gente a “marinhar” em equipa.

Já viram aqueles vídeos de barcos que quase voam em cima das ondas, com uma série de marinheiros, todos numa coreografia detalhada, com o seu próprio movimento e importância? Um deles muda a vela, outro puxa uma corda e os restantes fazem uma série de coisas impercetíveis aos olhos de quem não entende aquela dança. Mas que é bonita, é.

A imagem que tenho premente, talvez trazida pela frase repetida de estarmos no mesmo barco (é poético, mas não estamos), é que podemos e devemos pedir ajuda. Não temos de estar numa velha canoa. Podemos nos colocar numa nau e navegar juntos. Não faz mal pedir ajuda. Desde a família, os amigos, à ajuda de profissionais, fazendo psicoterapia por exemplo. Não temos de estar sozinhos. Muito se tem falado em isolamento, mas que seja físico e não social. Que não seja um isolamento de afetos e nem de ajuda.

Ana Caeiro, Psicoterapeuta

26/06/2020
Parabéns a todos pelo final do ano letivo!

Em tom de balanço, daquele que é o final de ano letivo mais atípico de que temos memória, a Sintricare gostaria de deixar uma palavra de apreço a todas as famílias e à comunidade escolar, bem como obviamente a todos os alunos, pelo esforço extra e o empenho redobrado deste último período.

17/06/2020

Estamos a viver algo novo na nossa contemporaneidade. Forçados a uma clausura em busca do saudável, encontramo-nos despidos de pertences, estatutos ou materialismos

30/10/2019

Nem sempre pensamos neste assunto desta forma, mas o alívio da dor é um direito humano fundamental, seja em que idade for. Obviamente, as crianças também sentem dor, no entanto, como nem sempre sabem exprimir o que as aflige, é preciso redobrar a atenção para garantir que o direito a terem os melhores cuidados lhes seja totalmente assegurado. É vital reconhecer, avaliar, prevenir e tratar a dor da criança, seja por razões físicas ou, até mesmo, psicológicas.

Existe um hábito generalizado de tratar a dor com foco nas medidas farmacológicas. No entanto, estas medidas deveriam ser complementadas, também, com intervenções não farmacológicas, integrativas e de suporte, de modo a prevenir, tratar ou minimizar a dor, de acordo com a sua origem.

Ação sinérgica

O conceito de analgesia multimodal encara o tratamento da dor através da ação de vários agentes, intervenções, reabilitação e terapias que atuam de forma sinérgica para o controlo da dor, o que permite, obviamente, um tratamento mais eficaz e com menos efeitos colaterais, do que apenas com um analgésico ou uma modalidade terapêutica. Deste modo, recorre a intervenções não farmacológicas e farmacológicas para o alívio da dor.

Tratamentos não farmacológicos

As intervenções não farmacológicas são eficazes em situações de dor ligeira, em procedimentos dolorosos rápidos ou em casos de transtornos emocionais e psíquicos. Podem utilizar-se como complemento ao tratamento farmacológico e, também, como forma de estabilizar o bem-estar emocional da criança.

Neste tipo de estratégias para o controlo da dor, é crucial o envolvimento e participação da família, em colaboração com os técnicos de saúde. A presença dos pais é, realmente, muito importante para tranquilizar, distrair, encorajar e consolar a criança. Podem ainda, também, colaborar de uma forma mais ativa, aplicando algumas estratégias psicológicas, como:

Distração: permite à criança desviar a atenção do estímulo doloroso, em direção a uma estímulo alternativo e agradável. Considerar os interesses e escolhas das crianças e usar técnicas de distração multisensoriais interativas são estratégias que podem funcionar melhor. Neste processo, pode-se utilizar música, livros, bonecos, desenhos animados, jogos, bonecos, bolas de sabão, histórias, moinhos de veto, cantigas, contar de trás para a frente ou brinquedos – preferencialmente interativos, com som, luz ou vibração – entre outros recursos.

Estimular a imaginação: Levar a criança a imaginar, por exemplo, que está a viajar pelo seu local favorito ou a fazer a atividade que mais gosta, histórias com super-heróis, que lhe transmitam estímulos positivos.

Informação preparatória: É importantíssimo preparar a criança, de modo adequado à sua idade, explicando-lhe o que se vai passar durante o procedimento, caso a sua saúde assim o necessite.

Nestes processos, a ajuda de um psicólogo ou psicoterapeuta é crucial, tanto no apoio à família, como para a própria criança. Estes profissionais podem ser extremamente úteis na aquisição de estratégias para lidar com a dor e com o desgaste emocional e psicológico consequente, sabendo, também, como aplicar ou orientar para os seguintes tratamentos não farmacológicos:

Técnicas de relaxamento: Induzem ao relaxamento muscular progressivo, através de respiração profunda, ou seja, diafragmática ou abdominal. Nas crianças mais pequenas, para uma maior eficácia, pode-se usar bolas de sabão, moinhos de vento ou, simplesmente, fazê-las imaginar que estão a soprar um balão ou uma vela.

Hipnose clínica: Pode ser utilizada para alívio da dor aguda e crónica, através de exercícios como a luva mágica, o lugar favorito ou o interruptor da dor.

Reforço positivo e premiação: Inclui a atribuição de prémios e diplomas.

Tratamento farmacológico da dor

A seleção do fármaco analgésico mais adequado é fulcral para o resultado do tratamento. Depende das características de cada criança, da sua doença e da avaliação da intensidade da dor e devem, sempre, estar associados a intervenções não farmacológicas.

Para uma correta administração dos analgésicos, existem alguns princípios básicos:

  • Escolher os fármacos de acordo com a intensidade da dor.
  • Administrar os fármacos através da via menos invasiva possível, preferencialmente, por via oral.
  • Administrar os fármacos, sempre, num horário regular.

Segundo a escada analgésica da Organização Mundial de Saúde, de 2012, os fármacos mais utilizados para dor ligeira são o Paracetamol e os Anti-inflamatórios não esteróides e, para a dor moderada a intensa, os Opioides.

Qualquer que seja a estratégia multidisciplinar encontrada para o alívio da dor das crianças, o mais importante é terem o acompanhamento, articulado, de profissionais de saúde de diferentes áreas, sem nunca colocar em segundo plano a saúde mental, nem subestimar a importância do apoio da família para a sua recuperação.

Sintricare

23/05/2019

Hoje, no blogue da Sintricare, publicamos na íntegra o artigo de opinião publicado no site do Público, “A psicoterapia e as outras terapias”, da autoria da psicóloga clínica e autora do blogue Agir e Sentir, Isabel Filipe, que enfatiza a importância da psicoterapia para o nosso bem-estar e crescimento pessoal. Como a própria afirma “estarmos bem é um trabalho a tempo inteiro, que exige uma multiplicidade de instrumentos”. Tirem uns minutos e aproveitem para ler!

“A psicoterapia é valiosa e construtiva, não se tratando de uma simples conversa ou mezinha. O nosso crescimento pessoal não é proporcional às conversas de café ou de cabeleireiro.

A psicoterapia é uma forma extraordinária de termos um espaço nosso, privado, tranquilo, seguro. É o sítio certo para ventilar o stress quotidiano, libertando-nos para tempo de qualidade com amigos e família ou para usufruirmos bem da nossa própria companhia. Acima de tudo, é uma fenomenal forma de aprendermos mais sobre nós próprios, compreendendo o nosso percurso e tendo orientação para desenvolver competências pessoais que nos levem ao melhor de nós.

O que há para não gostar? O preço. A intensidade emocional. A lentidão do processo. Tudo isto seria pertinente, se a nossa saúde mental não fosse a espinha dorsal do nosso bem-estar. Mas é-o. O melhor esforço que podemos fazer por nós e pelas pessoas a quem queremos bem é cuidar de nós próprios. A terapia permite-nos isso, pese o facto de não ser uma solução mágica. Embora possa ser pautada por momentos densos e complexos, o evoluir desta parceria com um psicólogo é algo de muito compensador. Se a pessoa a quem vamos confiar a nossa intimidade nos recordar de um colega de trabalho que não apreciamos, é evidente que não iremos longe. Importa existir empatia, uma química saudável, construtiva e enriquecedora. A confiança terapêutica no nosso terapeuta permite, em conjunto, trilhar um percurso bem-sucedido.

Diz-me a literatura e a experiência clínica, que os millennials priorizam, sem pudores, a saúde mental, física e espiritual, de uma forma mais veemente do que qualquer outra. Bem-estar constante e prazer imediato são impulsionadores da procura de suporte, em duas frentes importantes.

Por um lado, há quem recorra a alternativas mais “rápidas” e “de solução imediata”, como terapias alternativas, apoio espiritual ou mesmo procura de respostas em livros ou vídeos motivacionais, cada vez com mais destaque nas montras de consumo. Embora estes recursos possam estimular ferramentas interessantes, investirmos apenas e consecutivamente nestas orientações externalizadas, sem tempo para reflectir ou responsabilizar-se, encontrando respostas que façam sentido, pode não ser salutar. Nestes casos, a psicoterapia pode representar uma enorme mais-valia, permitindo personalizar esta aquisição de material cognitivo.

Por outro lado, há quem, com facilidade e muito cedo na sua fase adulta, inicie consultas de Psicologia, procurando conhecer-se melhor, optimizar competências pessoais e compreender o seu comportamento. Acredito que a segunda opção é mais duradoura e eficiente, embora mais morosa e dispendiosa. Contudo, a nossa saúde mental é uma prioridade, um dos pilares mais significativos da nossa edificação pessoal, compensa todo o investimento.

Não desconsidero as terapias e opções alternativas, podem ser um suporte útil e uma fonte de riqueza espiritual. Da complementaridade entre estas a Psicologia pode surgir uma sinergia interessante, cada uma com as suas especificidades bem definidas, sendo fulcral estarem presentes critérios como profissionalismo, boa formação e devida competência, de todos os profissionais envolvidos.

Ser adulto é um desafio, pelo que obter um conjunto de factores protectores, mediante as crenças e valores pessoais, apenas pode apresentar um cunho positivo. A psicoterapia é valiosa e construtiva, não se tratando de uma simples conversa ou mezinha. O nosso crescimento pessoal não é proporcional às conversas de café ou de cabeleireiro. Estarmos bem é um trabalho a tempo inteiro, que exige uma multiplicidade de instrumentos. O mais importante é usá-los com inteligência e empenho.

Isabel Filipe, Psicóloga clínica e autora do blogue Agir e Sentir

09/05/2019

No artigo de opinião publicado no site da revista Sábado, Sofia Ramalho, Vice-Presidente da Ordem dos Psicólogos Portugueses defende que a ciência psicológica ocupará “as agendas humana, sociopolítica e económica” e será a profissão para o século XXI. Para que percebam as razões por detrás desta afirmações, reproduzimos aqui, no blog da Sintricare, este artigo na íntegra.

“A sociedade afigura-se cada vez mais assoberbada de frenesim, de horas infindáveis de trabalho e altos índices de stress, de telemóveis ou outros aparelhos eletrónicos ligados à corrente humana 24 sobre 24 horas, comportamentos que se vão transformando em hábitos tóxicos, crónicos e inconscientes, a par com profundas alterações sociais, situações de pobreza e de degradação humana, alterações ambientais e catástrofes pelo mundo fora. Ao mesmo tempo o ser humano e a sociedade compadecem-se com uma carência existencial e de tempo, de humanismo, de relações saudáveis e de afetos.

Creio, ainda assim, que estas circunstâncias não determinam tudo. A capacidade de ajustamento do ser humano às mudanças e aos desafios, em resistir às intempéries sociais e emocionais, a capacidade de recuperação face às adversidades ou a situações traumáticas são importantíssimos, e a ajuda psicológica pode tornar-se reguladora, capacitante e transformadora. Afinal, para grandes problemas, nem sempre são necessárias grandes soluções e a Psicologia, com pequenas ações de intencionalidade sistemática, é um bom exemplo disso mesmo e constitui um excelente instrumento de intervenção pessoal ou numa população. Creio ser um dos melhores investimentos pessoais ou sociopolíticos de todas as gerações.

A ciência psicológica ocupa e ocupará as agendas humana, sociopolítica e económica e protagoniza a profissão para o século XXI. Nela se encontrarão as soluções para o custo físico, psicológico e económico da doença. Nela se encontrarão as soluções para o custo de décadas de falta de escolarização, (des)educação, (de)formação e (des)envolvimento de competências que não puderam ser colocadas ao serviço da produtividade no trabalho, da participação cívica e da própria governação. Nela se encontrarão as soluções para o bem-estar, para a satisfação com a vida familiar ou social, para retomar a confiança nas relações interpessoais e nas instituições e demais entidades que servem a sociedade. Nela se encontrarão as soluções para o profundo desenvolvimento humano e da sociedade. A Psicologia, enquanto ciência para o século XXI, está cada vez mais focada em investigar as variáveis psicológicas subjacentes aos comportamentos, ajudando as pessoas a fazer escolhas que promovam o bem-estar e a sua saúde nos seus diferentes contextos de vida.

São estes mesmos comportamentos individuais (e os seus desvios) que determinam frequentemente os comportamentos sociais e afetam toda uma economia, política e sociedade. Mas são também estes mesmos comportamentos individuais ou sociais, para os quais a ciência psicológica propõe metodologias de mudança, que aplicados na prática aos diferentes fenómenos económicos, políticos e societais, são capazes de produzir as ditas soluções micro para problemas macro.”

28/03/2019

1. Menos é mais!
Simplificar. Torna-a a tua palavra de ordem, nos pensamentos, nas tuas ações, mas também nas emoções. Quando estamos habituados a ter os mesmos pensamentos é difícil larga-los, pois é tudo muito automático. Então, quando começa o novelo da complicação na tua cabeça, torna-te no/a realizador/a do teu filme e diz corta! Transforma as frases feitas e velhas crenças e decide simplificar. Leva esse mote para as tuas ações: o que é que é demais? E como pode a emoção acompanhar tudo isto e ajudar-te a arrumar a tua casa interna?

2. Um aqui e agora suficientezinho
Estar no aqui e agora é fundamental. No entanto e como em tudo, é preciso conta, peso e medida. O que faz sentido para mim é trabalhar na possibilidade de estar aqui e agora, mas sem renegar o passado, e mantendo abertura e planos para o futuro. O passado existe, embora não o possamos mudar. Ainda assim podemos mudar a forma como olhamos para ele, desde aqui, do presente. Então, não renegues o que te aconteceu até aqui, trabalha com isso. E estar no agora sem olhar para o futuro pode ser tão errado como estar sempre na ansiedade do que aí vem. É importante fazer planos, ter objetivos!

3. Respira…!
Claro que respiras, senão não estarias a ler isto neste momento… Mas será que respiras plena e profundamente? A respiração superficial pode ser uma defesa para não entrares em contacto com as tuas emoções. Num percurso de autoconhecimento e de desenvolvimento pessoal, é importante fazer essa reconexão com o corpo através da respiração. E a respiração é também uma ferramenta para lidar com a impulsividade. Uma inspiração profunda dá-te tempo e espaço para poderes reagir de forma diferente. Experimenta!

4. Entregar e confiar
Este é um mantra desafiante. É difícil confiar na vida quando somos muito rígidos, controladores ou por colecionarmos uma série de más experiências. A vida “disse-te”: não confies, conta só contigo, movimenta-te no que é confortável para ti. E ao longo do tempo, acreditas nisso e crias essa realidade. Mas é possível criar uma realidade diferente, passo a passo. E começa por entregar e confiar que a vida te vai dar o que tu precisas (mas não aquilo que queres…). E isto não é ter a expetativa que algo vai mudar, é criares dentro de ti a base para que ocorram pequenos novos movimentos de abertura que permitam receber algo novo! E com novas experiências, seguras, talvez seja possível dares esse passo (que internamente queres dar há tanto tempo…!).

5. Autocompaixão
A autocompaixão é uma palavra e um conceito que me faz muito sentido. Para mim engloba a autoestima, amor próprio, autoimagem… E é diretamente afetada pela autoexigência e autocrítica. Vejo-a como uma balança: se pende para a crítica e exigência, então não há lugar para a autocompaixão. Se estás bem contigo, cuidas de ti interna e externamente, então há uma sensação de bem-estar contigo, de serenidade. Cultivar a autocompaixão é cultivar a relação contigo. Semear o autocuidado, proteger contra a chuva da autocrítica, as pragas da exigência e adubar com muita nutrição.

6. Autorresponsabilidade
Tomar as rédeas da tua história exige que sejas responsável pela tua vida. Se colocares a responsabilidade da tua história em algo externo a ti ou em alguém, estás a despojar-te do teu poder e estás a despedir-te da função de agir sobre a tua vida. Não te despeças e faz um contrato efetivo e sem termo: a vida é tua! Sim, existem coisas que não controlamos, mas não é sobre isso que te falo aqui. A todo o momento tomas decisões, decide então ser a/o CEO da tua vida. Cuida de ti e transforma-te, sem a expetativa de que o outro mude e sem o responsabilizares por aquilo que é o teu trabalho.

7. Decide não decidir
Pode perecer um pouco louca, mas é uma frase que ajuda, num determinado momento, não só a não tomares decisões de impulso, como em dares tempo ao processo de tomada de decisão. Claro que decidirás, mas por um instante, aquieta a tua mente e decide não decidir, por um momento que seja. E deixa-te usufruir da possibilidade de não “teres de”. Respira, inclui leveza e decide mais à frente (mas sem protelar).

Ana Caeiro, Psicoterapeuta Corporal em Biossíntese.

27/02/2019

Março é o mês do Carnaval!
Reza a história que estas festividades começaram com os gregos, como uma festa pagã e que foi posteriormente anexada às festividades da Igreja Católica. Celebrando-se sempre a uma terça-feira, 47 dias antes do Domingo de Páscoa, era o momento de celebrar e de usar uma máscara, antes dos períodos de jejum e privação da Páscoa.

Apesar de encontrarmos diferenças entre países e até mesmo entre regiões dentro do nosso próprio país, o Carnaval está associado à diversão e ao disfarce. Miúdos e graúdos desfilam pelas ruas, divertidos, podendo ser, por um dia, uma personagem diferente.

E nós?
E nós, no dia-a-dia, seremos também personagens? Usaremos máscaras quando lidamos com os outros ou até mesmo connosco? De facto, quando, no nosso crescimento e desenvolvimento, lidamos com situações difíceis, criamos estratégias que nos permitam ultrapassar momentos mais dolorosos. Ao criarmos essas estratégias, vamos construindo uma máscara com a qual contactamos com o mundo lá fora, que num dado momento nos falhou ou magoou.

No processo terapêutico ou de desenvolvimento pessoal, é muito importante identificarmos esses movimentos, respondendo a questões como:

– O que foi difícil para mim, durante o meu crescimento? Como lidei com isso? Que estratégias encontrei para ultrapassar situações dolorosas? Como compus a minha máscara? Ela ainda é útil hoje?

As nossas estratégias ou máscaras são fundamentais. De facto, elas permitem-nos lidar com o sofrimento, mesmo que seja a simples negação da sua existência, por exemplo! No entanto, quando estamos nos desafios da vida adulta, estas respostas já não se coadunam com o que a vida nos pede. E aí respondemos às novas questões com movimento velhos, que já não servem. Isto causa desconforto, desconsolo, ansiedade…

Por isso é tão importante o autoconhecimento! Como podemos nós, através de um melhor conhecimento do nosso processo, da nossa história, revisitar a dor, transformá-la e encontrar um caminho novo!

Bom Carnaval!

Ana Caeiro, Psicoterapeuta Corporal em Biossíntese

Malcare WordPress Security