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Categoria: Artigos de Opinião

Janeiro 31, 2018

Dizem que chorar lava a alma, mas também dizem que os homens não choram. Diz-se muito daquilo que se sente. Assim que nascemos temos de chorar, para depois aprender a não o fazer. Aprendemos que essa é uma fragilidade que devemos esconder numa gaveta, junto com as lamechices, os corações cor-de-rosa, as festinhas e o “amo-te”.

Tal como tudo aquilo que podemos fazer como seres humanos otimizados que somos, o choro tem uma função, é importante. Da mesma forma que o medo tem uma base funcional importante na nossa vida, o choro é também essencial e não deve ser contido ou controlado. O problema surge quando aprendemos a lidar incorretamente com esta função que o nosso corpo sabiamente desenvolveu.

Saímos do túnel escuro ontem estivemos mais de 9 meses e todos os seres estranhos e de batas brancas que estão neste espaço tão iluminado ficam aliviados quando choramos. Depois deste momento, o choro é um aviso, uma arma e um problema. Servirá de termómetro enquanto os bebés vão crescendo. É uma arma quando o usamos como um meio para chegar a um determinado fim. É um problema porque se limitam as crianças desde bebés a não largarem as suas lágrimas, a não partilharem as suas águas com o mundo. Faz barulho. Não nos deixa dormir. Mostra fragilidade. Entre outras e outras e outras.

Passamos uma vida a não chorar. Contemos. Engolimos as emoções porque não é bonito mostrar. Então elas ficam, com armas e bagagens na nossa barriga que às vezes incha voluptuosamente, deixando antever um mar de sentimentos engasgados.

Quando decidimos olhar para nós, seja em terapia ou em trabalho de desenvolvimento pessoal, temos de olhar para esta nossa barriga. É preciso fazer abdominais emocionais para deixar sair aquilo que já não nos serve e que não conseguimos guardar mais. Mas estes abdominais são mais difíceis que os normais. Mais do que ao corpo, fazem doer a alma. Ou assim parece.

É por isso que os primeiros choros da vida adulta são insuficientes. Não são conectados, não lavam a alma e deixam-nos zonzos com a respiração que se (re)estabelece e com o chute de energia que sobe à cabeça e aos olhos em particular. Não choramos com a barriga e a descarga é falsa: há apenas a movimentação de alguma tensão de um lado para o outro no corpo. Mas nesta fase podemos continuar desconectados mas há o ressurgimento de uma vontade de olhar de uma forma diferente.

É quando mergulhamos intensamente em nós que navegamos na possibilidade de nadar nas nossas lágrimas: o choro é conectado e vem dessa barriga tão cheia que precisa de extravasar, mas delicadamente, pulsando lágrima a lágrima em cada inspiração e expiração.

Ana Caeiro, terapeuta em biossíntese.

Janeiro 4, 2018

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A maioria das vezes, quando iniciamos um novo ano, os nossos desejos são formulados ao redor do pensamento cliché de que com saúde – e já agora dinheiro no bolso – tudo se resolve!

Pouco refletimos sobre o que assim estamos a desejar de forma tão automática e ficamos sem entender o que queremos verdadeiramente.

Se pensarmos bem, nem mesmo a saúde e o dinheiro nos trazem paz, por isso, aqui ficam algumas sugestões de resoluções que podem melhorar a nossa vida neste início de 2018:

  1. Liberdade interna
    A liberdade é algo diferente da sensação que temos quando viajamos para algum destino paradisíaco, fazemos o que nos dá na vontade ou até mesmo da euforia que sentimos por não receber ordens.

Mesmo quem vive de um lado para o outro com uma mochila às costas, por exemplo, pode estar tão asfixiado como um workaholic de uma multinacional. E até mesmo quem tem como objetivo praticar o “bem” na vida pode estar tão preso nesse guião como a pessoa com maior má vontade do mundo!

A liberdade é um tipo de capacidade que nos permite deliberar com o mínimo de condicionamentos restritivos.  Aproxima-se mais da habilidade de deitar por terra aquela tentativa da nossa mente de solidificar a vida num frasquinho de certezas. Que tal começarmos a trabalhar nisso este ano?

  1. Desejos mais conscientes
    Se obedecêssemos de imediato aos seus desejos seríamos presas fáceis do egocentrismo, da arrogância, do consumismo, da gula ou, até mesmo, da necessidade compulsiva de apregoar a paz na Terra, afastando os amigos com a nossa atitude chata (!).

Do mais fútil ao mais altruísta, qualquer tipo de desejo que passe invisível ao radar do consciente irá levar-nos, inevitavelmente, de objeto de desejo em objeto de desejo, só para que fiquemos satisfeitos. E o resultado será apenas mais insatisfação.

  1. Capacidade de gerar felicidade
    Viver num ambiente onde a ternura abunda é até fácil, mas conseguir cativar um sorriso genuíno de alguém parece ter um efeito reverberante muito mais poderoso. Esta cadeia de cuidados e olhar atento ao caminho do outro cria um ciclo positivo de manifestações de carinho coletivo.

Ao nosso redor todos agradecem, sobretudo, quem mora connosco!

  1. Resiliência para os dias difíceis
    Cada ano traz novas oportunidades para nos agarrarmos àquilo que consideramos que nos fará felizes, mas esconde uma grande dose de sofrimento pelo apego.

O desafio é perceber que estamos idolatrando mais do que deveríamos, de modo a conseguirmos resistir ao impulso de ficarmos aprisionados na nossa própria alegria e, assim, incapazes de usufruir da vida com leveza.

Ao conseguirmos resistir ao impulso de ficarmos fechados numa ideia, lugar ou pessoa, os dias difíceis tendem a ser muito mais fáceis.

  1. Capacidade de negociar com os próprios desejos
    Se o nosso desejo é ter muito dinheiro no bolso, por exemplo, pode acontecer que nem toda a fortuna do mundo seja capaz de saciar o nosso desejo.

É fulcral que sejamos capazes de nos sentir bem com o que conseguimos, mesmo que não conquistemos tudo o que desejámos.

  1. Saber reconhecer os movimentos internos
    É fundamental que cada um de nós consiga desenvolver a capacidade de ter um GPS interno, que nos guie nas rotas pessoais. Aquela voz interior que nos ajuda a não nos perdermos de nós próprios, seja com atitudes impulsivas, reativas ou que estejam desconectadas dos nossos valores internos.

Saber mergulhar dentro de nós, antes de tomarmos grandes ou pequenas decisões de cabeça quente, é fundamental para não fechar portas ao nosso caminho.

  1. Lidar com a incompletude da vida
    Um passo importante é lidarmos com o facto de que sempre existirá uma dimensão de incompletude na vida. Na verdade, tornamo-nos num poço de inconformismo e insatisfação quando ainda mantemos a esperança de algum dia isso ser saciado.

Encarar a realidade da vida é imperioso: Em momento algum chegaremos ao topo da montanha, uma vez que, na vida, não há topo, nem montanha!

  1. Parar de sonhar com realidades mágicas
    Uma realidade mágica é tudo aquilo que nos causa angústia só de pensar, por ser muito grande, desprovido de senso de realidade e estar fora de nossa área de influência.

É importante tentar olhar ao redor e reconhecer a beleza que já existe na nossa vida, mesmo que seja numa porção fragmentada, manca, incompleta, estranha e contraditória.

  1. Assumir que nada acontece sem se lidar com o medo
    A concretização de uma meta estipulada não vai salvar a nossa alma e o nosso ano. Insistir nisto impele-nos a aprender a conviver com o medo constante do fracasso, da perda, do desapontamento, da rejeição e do “quase”.

Ao desejarmos garantias absolutas e nenhum medo, apenas estamos a mostrar que não entendemos nada sobre atingir metas. Aquilo que consideramos que desejamos mais do que tudo só tem essa magnitude pois está fora da nossa zona de conforto.

  1. Parar de considerar que as listas são autorrealizáveis
    As listas onde enunciamos os nossos objetivos ainda não têm o poder de se realizarem apenas porque sentimos do fundo do coração que “é agora”!

Para concretizar cada item, é preciso pequenas doses de treino diário. São posturas mentais, não treino físico, mas que exigem a mesma disciplina que para terem resultado. Apenas a boa vontade não resolve nada.

De acordo com a lista de cada um, devemo-nos sempre questionar: Vou realmente limitar-me a isto? O que realmente desejo? Posso facilitar a vida de alguém? Estou preso ao meu sofrimento? Estou conectado aos meus valores? O que se passa dentro de mim? O que não aceito nesta vida? Estou a olhar para demasiado longe de mim? Posso lidar com este medo?

Feliz ano novo!

* Adaptado de um artigo da autoria de Frederico Mattos, publicado no site brasileiro Papo de Homem.

Dezembro 13, 2017

No passado dia 8 de dezembro reunimos na Sintricare para falar da relação que temos connosco. Falámos de autoestima, amor-próprio e autocompaixão. O encontro começou com uma questão: qual é o melhor momento da nossa vida? Quando eramos bebés e sem preocupações? Quando somos jovens adultos, cheios de energia e a ganhar independência financeira? Cada fase tem desafios.

Assim, o maior desafio que temos nas nossas vidas pode não ser atingir a felicidade, mas sim estarmos na melhor fase das nossas vidas, precisamente no momento em que nos encontramos, com tudo o que isso traz. Sejam encontros ou desencontros. E a relação que temos connosco é a base de tudo isso.

Na perspetiva apresentada, a autoestima foi definida como forma de valorização pessoal e enquadra a forma como olhamos para nós, como nos cuidamos e estimamos. É como que uma avaliação subjetiva que fazemos a nós próprios e que pode ser positiva ou negativa. O amor-próprio define a relação connosco, o quanto nos amamos ou não… A autocompaixão reside na base destas duas dimensões e é acedida quando estas estão equilibradas.

Antes de referirmos o que é a autocompaixão, sublinhámos neste encontro aquilo que não é: egoísmo, exigência, piedade, fraqueza, pena, censura… A autocompaixão surge então quando encontramos um lugar de respeito por nós e onde podemos ser compreensivos, gentis, honestos connosco, com os nossos limites, sem nos sentirmos culpados e acima de tudo, sem crítica.

De facto, a autocrítica é a maior inimiga da autocompaixão e é muito importante observarmo-nos para identificarmos os nossos processos: quando é que pegamos no “chicote”? A partir daí, como é que podemos negociar connosco e evitar a autocrítica? Como podemos encontrar um lugar onde, contactando com o nosso lado saudável, podemos ouvir as nossas dificuldades, dar-lhes algum espaço, sem nos deixarmos levar por elas, como se fossem o canto da sereia?

Respeitar o nosso ritmo é fundamental, pois permite manter o nosso comboio a andar à nossa velocidade, sem ser empurrado pelas necessidades dos outros. E para isso é importante termos tempo para nós, respirar, fazer algo que gostamos, apreciar a vida, viver com prazer! Nem que seja um minuto por dia, aumentando sempre a fasquia. Quanto tempo a mais ganhamos no final do mês? Vamos tentar?

Ana Caeiro

Novembro 29, 2017

São seis da manhã e estou sentada na sala. O cavaleiro andante acordou-me.

Estava num cavalo branco no alto duma colina belíssima e a sua armadura brilhava ao sol.

Para mim este cavaleiro representa o Terapeuta.

O Terapeuta em Biossíntese é um cavaleiro andante, um artista que busca a perfeição.

Ele é doce e terno, forte e assertivo, resistente e frágil, flexível e seguro.

Ele dá ao seu cliente Amor e recebe Amor em troca.

Há muito conforto e afeto nesta relação. Ele dá tudo o que tem e recebe muito mais.

As trocas de energia “amorosas” são imensas e abrangem o Universo.

Por cada gesto, por cada troca entre paciente e terapeuta, sinto que o mundo se torna um lugar melhor e mais centrado.

Será que ainda vamos a tempo de o melhorar?

Sinto que sim e faz todo o sentido estar aqui e agora e fazer parte deste, cada vez maior, grupo de pessoas que lutam pelo Amor, Paz, Equilíbrio, Tranquilidade, Bem-estar interior.

Estas forças poderosas irão definitivamente deixar um mundo melhor para nós e para os que vierem!

Isto para mim é Biossíntese e é por isso que aqui estou e para isso que aqui estamos!

Leonor Braga

Agosto 16, 2017

Tem a certeza que vai de férias ou continua em modo de trabalho mas no formato mais cool?

Esta época pode proporcionar-nos momentos fabulosos de relaxamento e descanso, fundamentais para ganhar equilíbrio para o ano que se segue.

Se leva crianças, tente conseguir alguns momentos para si pois a sua disponibilidade será outra para elas!

De acordo com o gosto de cada um, temos que saber usufruir:

Se for no campo ou na serra, não faltam os sons da natureza, a partilha de um piquenique, uma sesta no fresquinho das árvores, uma caminhada… respire fundo e absorva a paz desse lugar!

Se for na praia, mesmo que seja num lugar mais frequentado… observe o ritmo do mar e a sua imensidão, caminhe com determinação na areia, sinta a textura e a temperatura, coloque um objetivo a alcançar na sua vida! Refresque-se e liberte-se!

Se for em viagem, tire fotos, passeie, caminhe, explore… mas não se esqueça de acordar os 5 sentidos para que mais tarde possa recordar através de um cheiro, de um sabor, de uma imagem …

Se ficar em casa, altere a rotina, permita-se ver um bom filme, fazer jogos, descansar, ouvir música, conviver com amigos, dar passeios… todas aquelas atividades que lhe deem prazer e que não consegue fazê-las em tempo de trabalho…

As crianças ficam felizes quando sentem que os pais estão felizes verdadeiramente!

Não façam das vossas férias mais uma correria constante!

Respeitem os ritmos, parem, usufruam, respirem… vivam o momento!

As crianças e jovens agradecem!

Cristina Santos

Julho 1, 2015

O momento de contar uma história ao seu filho pode proporcionar grandes ganhos quer para a vossa relação afetiva, quer para o desenvolvimento verbal, emocional e psicológico da criança.

Uma história é um instrumento valioso, pleno de sensações, sentimentos, valores e ideias com uma bagagem emocional indispensável ao desenvolvimento intelectual.

Experimente algumas das seguintes dicas e disfrute de bons momentos em família:

1. Descubra quais as histórias que o seu filho mais gosta e respeite os seus gostos. Poderão numa loja de livros/ biblioteca descobrir o que mais lhe agrada.

2. Tente que a linguagem utilizada seja compreensiva.

3. Acompanhe a narração com mostras de surpresa; através da voz é possível transmitir sensações de alegria, de um certo temor, de expectativa, etc. Estas variações irão cativar a sua atenção e demonstra-lhes a nossa imersão na história, o que é diferente de uma leitura mecanizada.

4. Crie o hábito de contar uma história todos os dias. Existem vários momentos em que o poderão fazer, no entanto, uma história à hora do deitar poderá ser um bom momento relaxante.

5. Pode ir variando entre histórias de livros, ou da sua imaginação.

6. Pode utilizar objetos para enriquecer e variar uma história (por exemplo: uma bola que fala, um fantoche, etc.) ou ir acompanhando a história com sons que enriqueçam o que está a acontecer, sejam estas feitas através da voz, ou de livros/ brinquedos que têm já alguns sons para explorar (por exemplo: o som do vento, o som do cão, etc.)

7. Conte histórias adequadas à fase de desenvolvimento do seu filho. Não deverá ser de difícil compreensão, nem extremamente simples. Se tiver dificuldade em escolher os livros adequados, conte com a ajuda das educadoras ou professoras da sala do seu filho.

8. Deixe a criança observar as imagens do livro, enquanto lê a história.

9. Por vezes, poderá fazer algumas perguntas acerca do que está a acontecer na história, assegurando-se que está a ser compreendida.

10. Com as crianças que já iniciaram a aprendizagem da leitura e escrita, poderá combinar intercalar a leitura, enquanto o pai/ mãe lê uma página, o filho lê umas palavras, ou frases, dependendo do nível de leitura da criança.

11. Aproveite o momento da história e partilhem muitos momentos de boa disposição e cumplicidade.

“A história é o presente mais barato e precioso que os pais podem oferecer aos seus filhos”. (Alessandra Giordano)

Sandra Mendes

Junho 1, 2015

A criança quando nasce começa por receber todas as influências do meio social onde se insere e aí se integra e assimila atitudes, valores e normas de conduta e desenvolve uma relação afectiva com a sua família com a qual se irá identificar, servindo como o eixo principal do seu desenvolvimento.

Mas é indiscutível que a criança também deve conviver com outras pessoas, o que conduzirá à sua diferenciação e ao desenvolvimento da própria identidade, contribuindo para a aquisição de autonomia e maturidade.

A escola permite assim, dar continuidade e ajudar no processo iniciado na família, permitindo na prática a transmissão de valores importantíssimos, como: cooperação, responsabilização, esforço, sentido de responsabilidade, partilha e outros.

No entanto, o início da escola não é vivenciado por todas as crianças da mesma forma e depende de muitos factores, que podem originar, por vezes, alguns problemas na adaptação, como: choro, tristeza, nervosismo e negação em ir para a escola. Estas alterações que normalmente passam ao fim de algumas semanas, não deixam de ser incomodativas, o que leva frequentemente à preocupação, amargura ou até mesmo ao sentimento de culpa dos pais.

O que fazer então, para ajudar o seu filho a ficar feliz na escola? Ficam aqui algumas estratégias e ideias que poderão pôr em prática:

– Mostrar a escola à criança, apresentando-lhe o espaço, a educadora/professora e todas as pessoas com que irá ficar.

– Os pais deverão tomar conhecimento de como funciona o contexto onde a criança vai ficar, para que possam confiar e transmitir essa confiança ao seu filho.

– Reforce frequentemente a importância de frequentar a escola e como ela ajudará a ser como o pai e a mãe.

– Ler livros sobre a escola, também ajudará a criança a contactar com essa realidade e com a sua importância.

– Falar com o seu filho de como é estar na escola, de forma realista mas também sem exagerar, facilita uma maior tomada de consciência para que não tenha medo de enfrentar algo novo e que lhe poderá parecer, não ser capaz de ultrapassar.

– Despeça-se sempre da criança, mesmo sabendo que isso a poderá fazer chorar. Por vezes para diminuir a nossa angústia, temos tendência, a aproveitar momentos em que a criança está distraída, para, ir embora, no entanto, para a criança essa ausência torna-se mais dolorosa, podendo originar insegurança e falta de confiança.

– Quando se despedir da criança na escola, não se prolongue demasiado tempo. Poderão ter um “cumprimento especial” para a despedida e para a chegada, como um abraço apertado, ou um aperto de mão, cheio de sinais engraçados e coreografados, que a criança saberá, que sinaliza ue se vai embora e que chegou. O ficar demasiado tempo na escola de manhã e o ceder a constantes pedidos para que fique mais um pouco, só faz com que a criança fique mais ansiosa, tentando aumentar o tempo que os pais ficarão na escola. Combine previamente que após o cumprimento tem mesmo que ir embora, mas que mais logo voltará e cheio de saudades!

– Falar diariamente de tudo o que de positivo se passou na escola, assim como dos colegas e professores, valorizando características positivas, como por exemplo: “Que bom … a tua educadora/professora é mesmo tua amiga…”; “Tens imensos colegas simpáticos…”, “a tua escola é muito agradável…”, “Que feliz que eu estou com o que tu já aprendeste!”, etc.

– Se o seu filho continuar, mesmo após algumas semanas, a resistir a ficar na escola, tente identificar qual a razão. Poderá, para isso, contar com a ajuda dos professores, ou de um técnico, se for caso disso, para que se consigam encontrar estratégias de resolução adequadas.

– Nunca utilize a escola como uma ameaça, para que se porte de determinada maneira ou para que faça algo, como por exemplo “Se não te portares bem, vais para a escola!”.

Sandra Mendes

Maio 1, 2015

Chegou para mais uma consulta, onde já só vinha de mês a mês, com os seus caracóis desalinhados e volumosos, enfeitados com uma fita que tinha como objectivo destapar a sua carinha redonda e olhos expressivos. Com a sua vivacidade de criança de 8 anos dizia-me:

-Sabes que agora os meus pais estão mais “namorosos”?

As crianças têm esta capacidade de criar, aglutinando palavras de acordo com o seu sentir! A intensidade estava impregnada no vocábulo e eu sei que também estava a sua satisfação e o prazer em poder descrever a relação dos pais desta forma…

O sofrimento dos filhos é enorme quando percebem, ouvem ou sentem, que os seus pais discutiram… ou, que se magoaram de alguma forma… ou, quando assistem à indiferença… ao desprezo… ao silêncio… ao receio… isto, para não abordar as situações limite…

Quanto mais tempo se fica sujeito ao ambiente onde a desarmonia impera, mais marcas vão ficando… pois, enquanto se é criança, as estruturas ainda apresentam maleabilidade e por conseguinte estão mais susceptíveis de absorver o meio sem o peneirar.

Se nos permitirmos visitar alguns lugares onde estivemos enquanto crianças, vamos encontrar vários episódios, que nos trazem a sensação de impotência, face a um acontecimento. Tudo, porque éramos pequenos no mundo de adultos. Ao ler esta frase decerto que já alguns momentos surgiram na sua memória, pois, estes ficam registados e têm grande influência naquilo que somos, e até, na forma como nos relacionamos com os outros ao longo da vida. Será sempre tempo de mudar, de reconstruir, de melhorar…

Mergulhe no mundo das crianças e oiça o seu coração:
Eu percebo e por vezes até sinto, o movimento, a agitação, a quietude, os barulhos… algo se passa e devo ficar mais atento, os meus sentidos estão todos em alerta… estou a ficar…“.

O desconhecido desencadeia medo, insegurança… O não saber o que se passa origina um quadro de maior ansiedade. Explique ao nível da criança o que se está a passar.

“Tudo era perfeito dentro do meu castelo, pelo menos era como me transmitiam… nas atitudes e nos comportamentos e de repente… não percebi o que se passou, o meu castelo… desmoronou-se”.

É mais fácil integrar uma separação entre os pais, se a criança for percebendo que foi algo progressivo no tempo, em vez de surgir como uma surpresa. Não tem necessariamente que haver discussões, mas a criança deve saber que existe algum desconforto.

“Lá no meu castelo vive… bem… não sei bem se vive… bem…, já nem sei onde vivo”.

Existem situações de separação que, ou não são assumidas, ou, são assumidas com pouca clareza. As crianças para construírem o seu eu equilibrado precisam da verdade, de ritmos, de consistência, de organização, de segurança. Estas situações continuadas no tempo desorganizam em termos psicológicos.

“Por vezes, quando me levanto sinto-me agitado, esquisito, não sei o que tenho…”.

Muitos casais optam por discutir depois das crianças/jovens estarem a dormir para que não oiçam… só que enquanto se dorme o cérebro continua a registar tudo à volta e sem filtro!

“Hoje senti a minha mãe triste e o meu pai com cara de poucos amigos… perguntei-lhes o que se passava e responderam-me: nada!!! A minha mãe diz sempre que não tem nada, ou então que está cansada, só isso! Mesmo quando a vejo com lágrimas nos olhos! O meu pai diz que tem sono e dores de cabeça, mas fica cá com uma cara que eu até tenho medo! Estou a ficar baralhado!”.

Para que as crianças possam entender as emoções, os pais devem expressar o que sentem e explicar, sempre que possível, porque estão tristes, alegres, preocupados, zangados, com medo… existem crianças que se mostram zangadas, mas estão é com medo, outras que estão tristes, e dizem que têm sono, e ainda outras, que adoecem, porque não sabem como se expressar…

Se se identificou com algumas destas situações e dentro do que for possível, no seu ritmo… as mudanças podem acontecer!!!

“Temos que nos tornar na mudança que queremos ver”, Mahatma Gandhi.

Cristina Santos

Janeiro 1, 2015

Hoje pela manhã, espreitei o céu e pairavam no ar, livremente, uns pássaros.

Deitado em cima da minha cama estava o Tomás de 8 anos, e eu para não perder uma oportunidade de o ensinar, perguntei-lhe: sabes como se chamam aqueles pássaros? E ele espreitou e ainda ensonado, disse: – são pretos e têm um biquinho laranja? … são melros!

Pois são, disse eu!

E eu voltei a perguntar: e se fossem todos pretos? Como se chamavam?

E este diálogo poderia continuar sem parar, mas o Tomás já não me respondeu… quando olhei… já tinha saltado da cama e estava a brincar com uns bonecos que ganham vida nas suas mãos… no seu mundo de fantasia, onde todos os pássaros, independentemente, do seu nome, têm lugar…

Ser criança é viver entre a fantasia e a realidade, onde os dois mundos são a integração do seu ser, do seu pensar, da sua história… onde elabora o que se passa nas suas vivências e nos seus desejos.

Um dia, um pai perguntou-me, falando da sua filha de 6 anos: – acha normal, ela querer ser princesa, neste mundo tão competitivo? Ela tem que desejar ser médica ou…

Para que as crianças possam crescer saudáveis e um dia serem adultos equilibrados, é fundamental brincarem e incorporarem as suas fantasias, para que aos poucos se possam ir adequando ao mundo.

Brincar é primordial e é o alicerce, até que aos poucos a fantasia vai dando lugar à realidade, aos sonhos e aos objectivos que queremos alcançar.

Ficam algumas ideias para brincarem com as crianças à vossa volta.

Actividades ao ar livre:
– andar de bicicleta
– trotineta
– patins
– jogar à bola
– fazer corridas
– lançar papagaios de papel…

Quando um adulto brinca está a cuidar da sua criança interior… observe-se e sinta-se… olhe para a alegria que as crianças mostram quando brincam!!!

“Tenho em mim todos os sonhos do mundo”, disse Fernando Pessoa.

Cristina Santos