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Categoria: Blog

Fevereiro 13, 2019

Um dia, escreve o psicólogo Pedro Taborda na sua crónica do Público publicada a 17 de Janeiro, “ir ao psicólogo será tão natural como ir ao médico de família”. Uma tão ideia fundamental para o estado da saúde mental em Portugal, que a Sintricare decidiu partilhar, aqui no blog, este texto na íntegra. Para ler atentamente e refletir:

“PPP: ponto de situação da Psicologia em Portugal
A Psicologia vive ainda assombrada por mitos dos quais só se libertará quanto se afirmar como ciência merecedora de mais espaço público e mais valorização. Quer pelas pessoas, quer pelo legislador. Um dia, espero que para breve, ir ao psicólogo será tão natural como ir ao médico de família.

Foi na década de 60 que se criou e leccionou o primeiro curso de Psicologia em Portugal. Desde aí, foi preciso chegarmos à década de 80 para que a Psicologia fosse considerada uma licenciatura, tal como já eram na altura as outras ciências. Desde então, os avanços da ciência psicológica em Portugal têm sido tímidos e feitos de conquistas importantes, mas que passam muitas vezes despercebidas à sociedade civil.

Fomos contribuindo nas escolas, nos hospitais, nos centros de saúde, nas prisões. Recentemente, fomos chamados a prestar apoio às vítimas de Pedrógão Grande e Figueiró dos Vinhos, na sequência dos fogos que devastaram as regiões.

Autênticos agentes da mudança, os psicólogos contribuem de forma activa na e para a sociedade, através, por exemplo, da promoção a saúde mental, do sucesso escolar, de novas formas de recrutar, de orientar carreiras, de prevenir comportamentos, de actuar sobre conflitos ou aconselhar e avaliar.

Hoje em dia, não é por falta de profissionais competentes que faltam nos estabelecimentos prisionais psicólogos de acompanhamento ou para contribuir para uma bem-sucedida reinserção profissional.

Hoje em dia, não é por falta de profissionais competentes que faltam nas escolas psicólogos para orientação profissional para os alunos em transição, ajudar a lidar com emoções, motivação ou insucesso.

Hoje em dia, não é por falta de profissionais competentes que as pessoas não usufruem de serviço de psicologia em hospitais ou centros de saúde, para puderem viver sem sofrimento.

Então, se não será por falta de profissionais, por que é que as respostas continuam a ser insuficientes? Que espaço falta à psicologia reivindicar? Por que é que continua a existir um psicólogo por agrupamento escolar? Por que é que os centros de saúde e as administrações hospitalares não têm mais margem de manobra para reforçar os seus quadros de pessoal em matéria de saúde mental? Por que é que continuamos a valer-nos de estágio em estágio, em vez de apostarmos em carreiras continuadas e fortalecidas? Carreiras essas que beneficiariam os destinatários das nossas intervenções, pela estabilidade oferecida no acompanhamento.

Segundo dados da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM), mais de um quinto dos portugueses sofre com problemas do foro mental, sendo a perturbação de ansiedade a mais prevalente. Sabemos que é cada vez mais difícil conciliar trabalho, vida pessoal e consequentemente tratar da nossa saúde. Temos, então, tempo para ir ao psicólogo?

Recentemente foram anunciadas mais contratações de psicólogos por parte do Estado central, como reforço e aposta na saúde mental dos portugueses (e consequente valorização dos psicólogos). No entanto, como foi sabido, a contratação limitou-se a 40 vagas, para um universo de milhares de profissionais. Segundo notícia do PÚBLICO: “As vagas abertas para psicólogos clínicos são basicamente para o Norte (17) e o Centro (17), sobrando seis para a região de Lisboa e Vale do Tejo. Já no caso dos nutricionistas, a maior parte das vagas (31) é para Lisboa e Vale do Tejo. Para o Norte há apenas duas vagas, enquanto para o Centro e para o Algarve são disponibilizados três lugares para cada, e, para o Alentejo, uma.”

A Psicologia enquanto ciência credível e profissão essencial tem muito com que se preocupar. Cabe, sim, aos psicólogos apostar na dinamização dos seus serviços, das suas mais-valias e dos benefícios de se recorrer a um profissional — seja em contexto clínico, educacional, escolar, organizacional, desportivo, de recrutamento e selecção, na justiça, na investigação criminal e em tantos outros contextos. O que falta, então, actualmente, para além de questões contratuais e burocráticas

Falta sabermos e termos como actuar sobre os dados que nos indicam que ainda apostamos na solução fácil e rápida do comprimido, que temos tendência para descurar a aposta nas soluções estruturais e de longo prazo; falta renegarmos a procura pela “solução imediata” e olharmos para a caminhada como uma oportunidade de crescimento e descoberta de novas realidades; falta, sobretudo, sabermos que, com conhecimento mais informado sobre os benefícios de uma boa saúde mental, todos temos mais a ganhar. Em suma, falta sabermos e entendermos que ir ao psicólogo não é “para malucos”.

A Psicologia vive ainda assombrada por mitos dos quais só se libertará quanto se afirmar como ciência merecedora de mais espaço público e mais valorização. Quer pelas pessoas, quer pelo legislador. Um dia, espero que para breve, ir ao psicólogo será tão natural como ir ao médico de família.”

Sintricare

Janeiro 24, 2019

Deparámo-nos recentemente na Sintricare, com o artigo “Uma análise psicológica: em busca de nossa própria alma”, de Talita Rodrigues, publicado no site brasileiro Aleteia. O título chamou-nos à atenção e parámos para o ler atentamente. Dado a pertinência do seu conteúdo, decidimos publicá-lo na íntegra no nosso blogue. Esperamos que gostem!

“Quantas vezes você já perdeu o sentido da vida?

Não raramente observamos pessoas buscando por um novo sentido ou tentando reencontrar um para viver. Dentro da Psicologia Analítica, pode-se considerar a falta de sentido e a falta de algo essencial, como “perda da própria alma”. Para a psicologia analítica, a alma pode significar um todo. Um todo que é fundamental para que sejamos completos e mais felizes.

Dentro disso, podemos considerar três fatores importantes: o primeiro, é de que a de que a alma não é superstição nem figura de retórica; o segundo, é de que a alma é uma realidade psicológica; e o terceiro, é de que a alma é vivida psiquicamente de maneira inconsciente por cada ser humano. É com base nisso que Carl Gustav Jung concebe a psique como a própria alma humana.

Pensando sobre o significado de alma dentro da psicologia analítica e do poder transformador que exerce sobre cada ser humano, fica claro que, sem ela, nós simplesmente existimos. E não se esqueça: existir não é viver.

Não raro, perdemos a nossa alma e, por algum motivo, não lembramos onde é que a perdemos e não temos força para resgatá-la e fazer dela uma alma vívida novamente, de forma que nos traga a completude que tanto buscamos.

Talvez você tenha a perdido quando criança diante das circunstâncias difíceis em que a vida te colocou, ou até mesmo quando adulto, após um relacionamento falido que endureceu completamente o seu coração. E que, desde então, você não sabe como e o que fazer para simplesmente restabelecer contato com ela.

Há centenas de pessoas pelo mundo que, neste exato momento, inconscientemente, buscam por suas almas e pela alegria de viver que só ela é capaz de proporcionar a cada um.

Buscar pela sua alma, perdida em algum momento de sua história é uma verdadeira aventura. E, como todas as aventuras, você terá de restabelecer contato com seu herói interior, afinal, haverá momentos em que você sentirá medo e sentirá que está completamente sozinho, porque precisará abrir mão de coisas que fizeram ou que se permanecem ainda, dentro da tua história, farão com que você a perca de vista novamente.

Mas, como todas as aventuras, também haverá momentos felizes, nos quais você se (re)descobrirá e se (re)inventará novamente de uma forma ainda mais bonita. E será justamente através desta (re)descoberta, (re)invenção e contato com o seu herói interior, que você terá coragem de voltar ao capítulo mais doído de sua história, no qual você a perdeu.

Lembre-se: não tenha medo da aventura de ir ao encontro de sua alma perdida, afinal, como disse Campbell (1990) em seu livro “O poder do mito”:

“Não precisamos correr sozinhos o risco da aventura, pois os heróis de todos os tempos enfrentaram antes de nós. Temos apenas que seguir a trilha do herói, e lá, onde temíamos encontrar algo abominável, encontraremos um Deus. E lá, onde esperávamos matar alguém, mataremos a nós mesmos. Onde imaginávamos viajar para longe, iremos ao centro de nossa própria existência. E lá, onde pensávamos estar sós, estaremos na companhia do mundo todo.”

E se por acaso, nesta grande aventura, você reencontrar sua alma, por favor, não permita com que você a perca novamente. Sua alma é quem você é – e é o que dá sentido à tua jornada aqui nesta terra.”

Janeiro 10, 2019

O professor de teatro da Sintricare, Nuno Bastos, lançou recentemente o Ebook “Contos de Mundos Anexos“, numa edição Escrytos|Edição de Autor, que inclui 12 contos e está disponível para computador (PC ou Mac), tablet, smartphone e e-reader.

Pode ser adquirido por 5,99€ nas livrarias online LeyaOnlineBertrand OnlineWookKoboAmazonFnac.

Os contos do livro parece terem sido retirados aos anexos da mente ou do mundo real. Ficamos a conhecer o vizinho que pulava, o sofá novo, o homem dentro de um elevador, a bota com lama e outros acontecimentos. “Histórias estranhas? Sim, provavelmente (ou nem tanto). Havia também o outro que se arrastava e uma sala num local. Ou um comboio no seu percurso”, pode ainda ler-se na sinopse de “Contos de Mundos Anexos“.

Excerto do conto “NO ELEVADOR”:
“Estava um homem em pé dentro do elevador de um edifício onde precisei de ir. Chamei o elevador, abri-lhe a porta e vi-o. Era alto, com ar de cavalheiro e gestos delicados. Estava quase encostado à parede do fundo da cabine do elevador, de frente para a porta, e fazia pequenos e gentis gestos com as mãos, com os braços e com os dedos. Ora levantava um pouco uma mão, ora a outra, depois baixava ambas e subia um pouco um braço, depois o outro e baixava-os e passava depois para os os dedos das mãos, levantando um de cada vez para os baixar em simultâneo.”

 

Nota: Em edições de autor, Nuno Bastos já publicou também os livros “Estranhos do homem” (2014), “Aqui dentro há histórias e outras coisas aproximadas” (2014) e “Outra Personagem e os outros” (2009), entre outros textos publicados.

Dezembro 19, 2018

Ao receber esta publicidade do IKEA enviada por uma amiga… bateu-me cá dentro e pensei que era altura de falar um pouco daquilo que vou verificando na minha prática profissional e pessoal…

Vejo tantos artigos e estudos sobre o uso das tecnologias e o que de nefasto elas nos trazem independentemente da idade. Como parar este flagelo?

Pois… não vamos voltar atrás no tempo (pelo menos nesta era que vivemos), não acho que o uso seja um problema, mas como em tudo na vida, o abuso seja lá do que for (até o de estudar muito, ler muito, comer muito, beber muito, dormir muito…) é prejudicial ao nosso equilíbrio e desenvolvimento saudável!

Temos que dosear tudo na vida!

Tenho ouvido, muito mais agora, da boca dos jovens que “os meus pais não me conhecem” e tenho verificado que os filhos não conhecem as suas raízes, a sua história, as suas origens…

Não podemos continuar a argumentar que é a adolescência, ou a falta de interesse, ou a vida de hoje…

Façam um compromisso para convosco, reduzam o tempo que dedicam às tecnologias, não é proibir, não é deixar de todo, não são necessárias medidas radicais, mas é tão-somente dosear, negociar, dar o exemplo… ter algum equilíbrio!

As relações familiares vão refletir esta nova atitude … Use mas não Abuse!!!

Cristina Santos, Psicóloga e Responsável Técnica da Sintricare.

Dezembro 6, 2018

Quantas vezes pensamos que não estamos preparados para determinadas etapas ou fases da nossa Vida? Quantas vezes sentimos que andamos às apalpadelas, no escuro, em relação a vários temas? Genericamente, a resposta é: muitas. Alguns de nós estão na penumbra no campo das emoções, outros na relação com o outro, e outros mesmo na relação consigo. Somos todos diferentes, e por isso existem diferentes “desconhecimentos”.

A maturidade permite acender algumas luzes, a par da experiência e da vontade de continuar a encontrar algum interruptor. Mas o que corre menos bem é geralmente encoberto pelo manto da estratégia, algo a que nos socorremos quando estamos em sofrimento e que serve para afastar essa dor. Esse manto, ou máscara, é fundamental para fazer face aos vários desafios da vida, mas de facto, quando se torna numa segunda pele, não nos permite viver plenamente.

Assim seguimos na vida, muitas vezes sem saber o que está ao virar da próxima esquina. É como se fossemos caminhando no mundo, mas sem um mapa efetivo, um croqui que nos dê pelo menos uma ideia aproximada dos sítios que queremos visitar ou os locais onde queremos chegar. A grande dificuldade dos croquis, é que geralmente são desenhados por outros, não servem.

Os mapas, são concebidos nas alturas. E nós estamos no terreno, sem mapa, a calcorrear ruas e vielas, à procura de uma saída.

Quando somos pequeninos, vamos de mão dada com alguém. E mesmo que nos levem aos trambolhões, lá vamos indo. Quando nos largam a mão e ficamos sozinhos no mundo, sozinhos nas nossas decisões, temos de contar com a nossa bússola interna. O desafio é calibrá-la. A experiência é efetiva na utilização de uma bússola, mas é o autoconhecimento que afina esta ferramenta. Claro que a experiência desagua no autoconhecimento e vice-versa. Mas sem nos conhecermos a nós, sem conhecermos as peças que compõem esta bússola, não nos conseguimos fazer à estrada. Melhor: conseguimos, mas se a bússola não funciona, para onde estamos a ir? E se ficarmos parados no mesmo lugar no medo de nos perdemos, onde é que não estamos a chegar?

Ana Caeiro, Psicoterapeuta Corporal em Biossíntese.

Novembro 22, 2018

Este ano letivo 2018-2019 preparámos uma série de visitas de enriquecimento educativo e cultural no âmbito da Studycare, a sala de apoio psicopedagógico da Sintricare, em Sintra, que, com certeza irão agradar todas as crianças e jovens.

A ideia é, a cada mês, proporcionar uma experiência diferente e lúdica aos mais novos, que lhes permita desenvolver aprendizagens específicas, enquanto se divertem.

Em Outubro, fomos ao bowling, e este sábado vamos fazer uma visita cultural aos parques geridos pela Parques de Sintra Monte-Lua, mas os passeios não param por aqui e até Junho temos muitas surpresas!

Com esta ideia por base, envolvemos os nossos jovens na angariação de fundos para as atividades, motivando-os no sentido da autonomia e de darem passos concretos e práticos para alcançarem os seus objetivos.

Se gostaram deste projeto, façam uma visita à Sintricare, para perceber tudo o que a nossa sala de apoio psicopedagógico tem para oferecer às vossas crianças e jovens. Aproveitam e tragam logo os vossos filhos, netos ou sobrinhos! Cá vos esperamos.

Cristina Santos

Novembro 10, 2018

Apesar de o ano letivo já ter iniciado em setembro, o retomar da rotina e do… corre-corre (!) pode demorar mais tempo para uns do que para outros.

Se parássemos para contemplar a organização de um formigueiro, por certo, nos revíamos… achando nós estarmos tão longe delas!

Mas como animais ditos desenvolvidos que somos, imposto pelas particularidades da vida ou por escolha própria, decidimos acumular todas as funções e respetivos desempenhos, vendo-nos a braços com centenas de tarefas diárias!

Um ritmo alucinante, em que cada célula do nosso corpo acaba, inevitavelmente, a sentir-se nauseada…, mas adiante…

Levanta-te!!! Já é tarde!!!

Estás a ouvir? Levanta-te!!!

Esta é a minha reza matinal todos os dias para ele se levantar, ao que o meu Martim me responde entre uma meia volta e outra: – Já vooooou!

– Oh meu Deus! Martiiiiiim!!!! Estamos atrasados!

Corro no corredor para cá e para lá e, ao mesmo tempo, enfio um braço e outro da blusa, aperto o casaco e puxo melhor as calças, até assentarem bem na cintura e alinhar as costuras…

Aparece estremunhado com o cabelo desalinhado arrastando a voz: – Booooom diaaaa!

– Despacha-te! Trouxeste as cuecas e as meias?

Entretanto, já estava no quarto do Martim, pronta para lhe levar o que faltava para se vestir… olha para a cama e ainda, num golpe de magia, puxa os lençóis para cima, atira com as almofadas para ter um ar mais apresentável e cuidado.

Volta à casa de banho, abre o frasco do creme de dia e retira com o dedo indicador uma porção que coloca de cada lado da bochecha, espalha-o pelo rosto e apanha o cabelo num carrapito prendendo-o com uma mola.

– Martiiiiiim!!! Estás proooonto?! Já te vestiste? Tomaste o pequeno-almoço? Despacha-te que estamos atrasados e não posso, uma vez mais, chegar atrasada ao trabalho!”

Apesar de ficcionado este é um excerto de um episódio que poderia ser de qualquer um de nós… ou melhor, dos primeiros dez minutos de um dia, aleatório, retirado à azafama da nossa apertada rotina de 24 horas.

Depois chega o final do dia e, com ele, aquela que é uma das conversas mais frustrantes entre pais e filhos. Regra geral, acontece no carro ou à mesa do jantar. Perguntamos “como é que foi o teu dia?” ou “como é que correu a escola?”, ao que as crianças reagem com um “correu bem”, sem desenvolverem muito mais a resposta.

Esta é uma das grandes queixas dos pais, que se sentem frustrados e ainda mais cansados de ouvir sempre o mesmo, mas será que o problema está mesmo nas crianças? Pensemos na nossa reação, quando nos fazem a mesma questão em relação ao trabalho. “Foi bom” ou “correu tudo bem” também é a nossa resposta, certo? Então, porque esperamos um comportamento diferente por parte dos nossos filhos?

Nesta questão, como em tantas outras da nossa louca rotina diária, o problema está na forma como colocamos as perguntas às crianças, que tantas vezes as sentem como impessoais.

Que tal tentarmos outras vias? Diferentes formas de abordar os assuntos com os nossos filhos? Apesar de ser difícil encontrarmos inspiração para o fazermos, no meio de tantas tarefas que acumulamos, hoje, partilhamos algumas sugestões para contornar a malfadada pergunta e conseguirmos chegar até aos nossos filhos. Pode ser que assim, pelo menos o final do dia, em família, se torne um momento mais apaziguador.

Questionar quanto aos pontos altos e baixos de cada dia:
Como são perguntas muito específicas, ajudam as crianças a articular os melhores e os piores momentos que viveram, e criam uma janela de oportunidade para, em conjunto, tentarem encontrar soluções para o que correu menos bem. Caso os pais aproveitem para falar de igual modo sobre o seu dia, também se fomenta a partilha, a escuta e a atenção recíproca.

  • Qual foi a coisa mais divertida que te aconteceu hoje?
  • Alguém fez algo muito querido por ti ou qual foi a coisa mais querida que fizeste por alguém hoje?
  • Quem é que te fez sorrir hoje?
  • Quem é que se portou mal contigo?
  • O que é que aprendeste hoje nas aulas e qual foi a aula que achaste mais difícil?
  • Houve alguma regra da professora que tenhas sentido dificuldade em respeitar?
  • Qual foi o momento em que te sentiste mais orgulhoso de ti hoje?
  • Numa escala de 1 a 10, como é que classificas o teu dia? Porquê?

Questões que estimulem a curiosidade e o interesse:
Às vezes, fazer apenas uma destas perguntas, que demonstrem interesse pelas particularidades da vida dos filhos, já quebra o silêncio e ajuda a estimular o diálogo. Interesse-se, realmente, por quem o rodeia, com quem se identifica, quem são os amigos mais próximos: entre na sua realidade, conheça-a, pergunte e ouça a resposta. Podemos aproveitar para estimular a curiosidade das crianças, deixando-as perguntar tópicos semelhantes sobre nós ou do nosso.

  • O que almoçaste? Estava bom?
  • Qual dos teus professores era mais capaz de sobreviver a uma invasão de extraterrestres? Porquê?
  • Há algum colega de quem gostasses de ser amigo, mas ainda não és? Porquê?
  • Sentiste que havia algum colega mais triste hoje?
  • O que ensinarias aos teus colegas, se pudesses ser tu o professor amanhã?
  • Se um dos teus colegas fosse professor, em qual votarias para ser escolhido? Porquê?
  • Estás a trabalhar nalgum projeto na aula que tiveste hoje de música/EVT? Qual?
  • Se tivesses uma máquina do tempo para andar para trás no tempo, mudavas alguma coisa no teu dia de hoje?
  • Qual é o teu colega mais divertido? E o mais chato?
  • Quem é a auxiliar mais querida e o professor de que mais gostas?

Estes são apenas alguns exemplos para mudar a estratégia de abordagem deste assunto com os filhos. Que tal fazer o mesmo exercício para as outras questões do dia-a-dia?!

Fica a sugestão!

Cristina Santos

Outubro 25, 2018
O que é que te prende?

Existem momentos na vida em que nos sentimos presos. Presos a pensamentos, emoções, relações, hábitos, memórias, história, crenças… O que te prende, a ti? O que te amarra e te impede de fluir na vida?

Conhecermo-nos melhor e identificar onde nos dói é fundamental num processo de evolução pessoal. Mas não só é difícil como é doloroso. Olhar para dentro de nós é o caminho natural quando queremos estar de bem com a vida e numa boa relação connosco. A grande questão é que, quando o fazemos, encontramos o bom e o mau. Visitamos as qualidades, encontramos os dilemas e tropeçamos nos traumas. Olhamos os antepassados, os que se cruzaram e deixaram marca na nossa vida, as aventuras positivas e os esqueletos no armário. Cheira a mofo e cheira a flores. Cheira à liberdade da infância e ao jugo das prisões mentais, as nossas e as dos outros.

Então, como soltar amarras? Vamos estabelecer algumas bases:

  • É importante perceber que somos todos diferentes. Se o vizinho do lado tem problemas com a mãe, não significa que nós temos. E mesmo que tenhamos ambos problemas com a mãe, serão certamente diferentes, porque somos diferentes, temos histórias diferentes e encontraremos recursos e ferramentas diferentes para lidar com esse desafio.
  • Então, quem somos? Podemos levar a vida toda nesta questão, mas trabalhar na nossa história, memórias, família… É fundamental. E é a base do trabalho de desenvolvimento pessoal. Como podemos nos desenvolver se não sabemos quem somos?
  • Para trabalharmos sobre algo, temos de identificar o que queremos trabalhar. Neste caso, o que é que nos prende? Quais são as amarras que queremos libertar? Poderão ser várias coisas, em diferentes graus. Então, o que quero trabalhar agora? Para o que é que é possível olhar agora? Mergulhar em tudo ao mesmo tempo pode ser um grave erro! Quando é demais, é fácil sentirmo-nos inundados e é mais difícil de nos mantermos à tona…
  • Por fim, o que é que nos pode ajudar? A par do melhor conhecimento sobre mim mesmo, o que é que eu tenho a nível de ferramentas, qualidades ou capacidades, que me possam ajudar em determinada situação ou a desatar determinado nó?
  • Dispam-se de expetativas: não coloquem prazos, não exijam demasiado, nem de vocês, nem dos outros.
  • Menos é mais: às vezes simplificar é o caminho mais difícil, por mais estranho que pareça, mas é claramente uma via que transmite mais clareza e que nos permite ver com calma os caminhos que podemos percorrer.

Simples? Não. É difícil. É duro. Não é por acaso que se diz que a ignorância é uma bênção: iniciar o processo de desenvolvimento pessoal não tem volta a dar, não dá para voltar para trás. E tem tanto de doloroso, como de mágico. Vamos então escolher acreditar neste processo mágico, e desatar nós!

Outubro 11, 2018

O Dia Mundial da Saúde Mental celebra-se, todos os anos, a 10 de Outubro, sendo este, “um importante momento de reflexão e de análise no que às questões na saúde mental em Portugal dizem respeito”, como se pode ler no artigo que a Ordem dos Psicólogos Portugueses publicou no seu site para assinalar esta data.

A par de algumas ilações importantes, a ter em conta a propósito do Programa Nacional de Saúde Mental criado há dez anos, podem ler-se também alguns indicadores numéricos que a Sintricare considera relevantes destacar:

  • Um em cada quatro portugueses sofre de um problema de saúde mental, o que representa 23% da população, de acordo com o primeiro estudo epidemiológico de Saúde Mental realizado em Portugal.
  • O número de portugueses (entre os inscritos nos centros de saúde) com depressões aumentou 43%, em apenas 6 anos, logo, quase metade dos cidadãos já teve uma perturbação mental durante a sua vida. Em 2011, a taxa era de 6,85%, sendo 9,8% em 2017. Isto significa que, atualmente, o nosso país é o segundo da Europa com maior prevalência de doenças mentais na população, com um valor quase idêntico ao da Irlanda do Norte, que ocupa o primeiro lugar deste ranking.
  • As perturbações depressivas, em 2016, foram a terceira principal doença causadora de morbilidade em Portugal nas mulheres, e a quarta nos homens, contribuindo para cerca dos 70% dos mil suicídios (3 por dia) aproximados que ocorrem em Portugal.
  • A perturbação de ansiedade afeta cerca de 4,9% da população, ou seja, meio milhão de portugueses.
  • 30 milhões de embalagens de psicofármacos foram prescritas em 2016.
  • 29.631.192 de embalagens de ansiolíticos, sedativos, hipnóticos, antipsicóticos e antidepressores foram no mesmo ano, representando o dobro do número registado em 2013 (15.048.043 embalagens).
  • Mais de 600 mil euros foram gastos pelos portugueses, por dia, em psicofármacos.
  • Registou-se uma aumento na ordem de 112% nas embalagens prescritas de antidepressores (5.556.092 em 2013 para 11.795.898 em 2016), e de 68% na dose diária definida (263.414.234 em 2012 e 358.197.748 em 2016).
  • 250 mil euros foi o valor gasto, por dia, pelos portugueses apenas com este psicofármaco (antidepressores).

O artigo recorda que, este ano, a Organização Mundial de Saúde escolheu o tema “os jovens e a saúde mental num mundo em mudança“, uma vez que “é nesta fase da vida que aparecem metade das perturbações mentais e por ser estratégico a aposta na promoção da saúde mental e na prevenção”, pode ler-se.

Neste sentido, basta analisarmos os números da saúde mental em Portugal, para enquadrar de outro modo o apelo que nos é lançado por Francisco Miranda Rodrigues, Bastonário da Ordem Portuguesa dos Psicólogos. É imperioso, para todos nós, “fazer da prevenção em saúde mental uma prioridade sob pena de hipotecarmos o futuro das nossas crianças e jovens e de Portugal. Este repto não é apenas ao Governo, mas também às instituições sociais e comunitárias, às empresas e seguradoras. É com todos, somente com todos, que conseguiremos alterar o paradigma, promover as pessoas, prevenir a doença mental grave e acautelar o futuro de Portugal e o bem-estar dos portugueses”.

Para lerem o artigo completo, basta clicarem AQUI.

Sintricare

Setembro 26, 2018

A melhor fase da nossa vida tem de ser aquela onde nos encontramos. O desafio é precisamente esse. Pensei neste tema enquanto olhava para o meu filho e pensava: é a melhor fase da vida dele. Ponderei vários motivos, entre eles a despreocupação de um menino de 3 anos, com a vida pela frente. Mas depois pensei: ainda assim, tem tantos desafios… Sim, se calhar a melhor fase é depois da adolescência, quando entramos na vida adulta, começamos a trabalhar e sentimos que vamos na direção de algo, que somos capazes! Depois pensei em mim: a imaturidade emocional era grande. Havia um grande sentido de responsabilidade, de ética e de funcionamento, mas a nível emocional ainda existia um mar para navegar.

Fiquei então na bruma. E ao refletir um pouco concluí algo que pode ser um cliché, mas que é algo que podemos desejar e procurar encontrar: a melhor fase da nossa vida tem de ser aquela onde nos encontramos. O desprendimento temporal a tempos antigos da nossa vida, leva-nos a acreditar, de uma forma algo ingénua, que lá para trás fomos muito felizes, apesar dos percalços. O negativo fica esbaforido na contagem do tempo ou, deturpadamente, fica numa forma ilusória como algo “que não foi tão mau assim”. A par disto, as coisas boas crescem, valorizam-se e, quais portugueses saudosos, olhamos para os eventos do nosso passado como os “melhores”, os mais “preenchidos”, os mais “felizes”.

Mas podem ser apenas ilusões. O desafio maior que temos nas nossas vidas não é sermos felizes, é estarmos na melhor fase das nossas vidas, precisamente no momento em que nos encontramos, com tudo o que isso traz. Sejam encontros ou desencontros. Pode parecer ilógico de algum ponto de vista, pois o ser humano não quer sofrer, mas na realidade, o passado não existe e o futuro ainda não se fez. Residem dentro de nós e podem ter um poder abissal e descontrolado. A grande aprendizagem é estar presente no momento em que nos situamos, conectados, aceitando o que surge. Essa aprendizagem é a vida!

Ana Caeiro 

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