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Categoria: Blog

Março 28, 2019

1. Menos é mais!
Simplificar. Torna-a a tua palavra de ordem, nos pensamentos, nas tuas ações, mas também nas emoções. Quando estamos habituados a ter os mesmos pensamentos é difícil larga-los, pois é tudo muito automático. Então, quando começa o novelo da complicação na tua cabeça, torna-te no/a realizador/a do teu filme e diz corta! Transforma as frases feitas e velhas crenças e decide simplificar. Leva esse mote para as tuas ações: o que é que é demais? E como pode a emoção acompanhar tudo isto e ajudar-te a arrumar a tua casa interna?

2. Um aqui e agora suficientezinho
Estar no aqui e agora é fundamental. No entanto e como em tudo, é preciso conta, peso e medida. O que faz sentido para mim é trabalhar na possibilidade de estar aqui e agora, mas sem renegar o passado, e mantendo abertura e planos para o futuro. O passado existe, embora não o possamos mudar. Ainda assim podemos mudar a forma como olhamos para ele, desde aqui, do presente. Então, não renegues o que te aconteceu até aqui, trabalha com isso. E estar no agora sem olhar para o futuro pode ser tão errado como estar sempre na ansiedade do que aí vem. É importante fazer planos, ter objetivos!

3. Respira…!
Claro que respiras, senão não estarias a ler isto neste momento… Mas será que respiras plena e profundamente? A respiração superficial pode ser uma defesa para não entrares em contacto com as tuas emoções. Num percurso de autoconhecimento e de desenvolvimento pessoal, é importante fazer essa reconexão com o corpo através da respiração. E a respiração é também uma ferramenta para lidar com a impulsividade. Uma inspiração profunda dá-te tempo e espaço para poderes reagir de forma diferente. Experimenta!

4. Entregar e confiar
Este é um mantra desafiante. É difícil confiar na vida quando somos muito rígidos, controladores ou por colecionarmos uma série de más experiências. A vida “disse-te”: não confies, conta só contigo, movimenta-te no que é confortável para ti. E ao longo do tempo, acreditas nisso e crias essa realidade. Mas é possível criar uma realidade diferente, passo a passo. E começa por entregar e confiar que a vida te vai dar o que tu precisas (mas não aquilo que queres…). E isto não é ter a expetativa que algo vai mudar, é criares dentro de ti a base para que ocorram pequenos novos movimentos de abertura que permitam receber algo novo! E com novas experiências, seguras, talvez seja possível dares esse passo (que internamente queres dar há tanto tempo…!).

5. Autocompaixão
A autocompaixão é uma palavra e um conceito que me faz muito sentido. Para mim engloba a autoestima, amor próprio, autoimagem… E é diretamente afetada pela autoexigência e autocrítica. Vejo-a como uma balança: se pende para a crítica e exigência, então não há lugar para a autocompaixão. Se estás bem contigo, cuidas de ti interna e externamente, então há uma sensação de bem-estar contigo, de serenidade. Cultivar a autocompaixão é cultivar a relação contigo. Semear o autocuidado, proteger contra a chuva da autocrítica, as pragas da exigência e adubar com muita nutrição.

6. Autorresponsabilidade
Tomar as rédeas da tua história exige que sejas responsável pela tua vida. Se colocares a responsabilidade da tua história em algo externo a ti ou em alguém, estás a despojar-te do teu poder e estás a despedir-te da função de agir sobre a tua vida. Não te despeças e faz um contrato efetivo e sem termo: a vida é tua! Sim, existem coisas que não controlamos, mas não é sobre isso que te falo aqui. A todo o momento tomas decisões, decide então ser a/o CEO da tua vida. Cuida de ti e transforma-te, sem a expetativa de que o outro mude e sem o responsabilizares por aquilo que é o teu trabalho.

7. Decide não decidir
Pode perecer um pouco louca, mas é uma frase que ajuda, num determinado momento, não só a não tomares decisões de impulso, como em dares tempo ao processo de tomada de decisão. Claro que decidirás, mas por um instante, aquieta a tua mente e decide não decidir, por um momento que seja. E deixa-te usufruir da possibilidade de não “teres de”. Respira, inclui leveza e decide mais à frente (mas sem protelar).

Ana Caeiro, Psicoterapeuta Corporal em Biossíntese.

Março 13, 2019

Esta terça-feira, dia 12 de fevereiro, realizou-se um Encontro internacional em Lisboa, mais concretamente na reitoria da Universidade de Lisboa, que reuniu membros de governos e investigadores em torno do tema da felicidade e, sobretudo, de como a felicidade pode ajudar a evitar conflitos e a promover políticas de bem-estar. A Sintricare considerou tão interessante esta iniciativa, que publica aqui, na íntegra, o artigo da autoria da jornalista Bárbara Wong, publicado no Público, sobre esta proposta da World Happiness Summit (Wohasu na sigla inglesa).

Como a felicidade ajuda a evitar conflitos e a promover políticas de bem-estar
Encontro internacional em Lisboa reúne membros de governos e investigadores em torno da felicidade e do bem-estar.

O que tem a ver a felicidade ou a paz com o desemprego? E com a educação ou a saúde? Tudo, acredita Helena Marujo, coordenadora da cátedra de Educação para a Paz Global Sustentável da UNESCO. Nesta terça-feira, na reitoria da Universidade de Lisboa, discute-se como a felicidade, o bem-estar e a “paz positiva” pode ajudar ao desenvolvimento dos países. A proposta é da World Happiness Summit (Wohasu na sigla inglesa), que vai reunir membros de governos de 25 países com especialistas internacionais em economia, política, sustentabilidade, saúde, felicidade, bem-estar e psicologia positiva. A reunião chama-se H20, à semelhança do G20, sendo que o “h” é de “happiness”, felicidade.

Esta é a terceira vez que se faz um H20, mas a primeira fora dos EUA – os encontros anteriores foram sempre em Miami, EUA. Portugal faz parte de um grupo de seis países que assinaram a declaração conjunta da Coligação Global para a Felicidade e esta é uma das razões para ter sido escolhido como país anfitrião deste encontro. A Wohasu trabalha em parceria com a FreeBalance, uma empresa de software para ajudar países em situação de pós-guerra a reequilibrar a sua economia e a diminuir a corrupção, e que promove o Relatório Global sobre Políticas de Felicidade e de Bem-estar, ou seja, como é que os países aplicam os estudos já feitos nestas áreas nas suas políticas públicas. “O retorno à paz passa pelo conhecimento científico sobre a felicidade. Em perceber como medir e aplicar indicadores subjectivos, em vez dos objectivos como os económicos”, declara Helena Marujo, coordenadora do Executive Master de Psicologia Positiva Aplicada, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP/UL).

Recorde-se que o Butão já tem um indicador de Felicidade Interna Bruta; que os Emirados Árabes Unidos têm um Ministério da Felicidade, e que o Reino Unido tem um Ministério da Solidão, a pensar em políticas de bem-estar para os milhões de pessoas que vivem sozinhas. “Já existe muita investigação que pode ajudar a tomar decisões políticas. Por exemplo, há países que investem mais na prevenção da saúde mental, do que no seu tratamento”, exemplifica Helena Marujo, acrescentando que a ex-presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, é uma das palestrantes em Lisboa, porque o seu país foi considerado o mais feliz do mundo no que à pegada ecológica diz respeito.

Outro dos temas do encontro será a “paz positiva” que é diferente da “paz negativa”, informa a investigadora que também é autora de um estudo sobre a felicidade dos portugueses. A segunda é quando os países procuram impedir ou controlar conflitos, enquanto a primeira é “promover condições de felicidade para os seus cidadãos”, de modo a que os conflitos não surjam, explica, dando um exemplo concreto, o desemprego. “Há duas experiências que têm um impacto brutal na vida das pessoas: a viuvez e o desemprego. Um país que faz uma aposta grande na redução do desemprego, está a fazer um trabalho enorme na promoção da felicidade e do bem-estar porque o desemprego é mais do que a insegurança económica, é perda de identidade, de auto-estima, de realização e pode levar a conflitos.”

A felicidade não requer apenas condições materiais, mas também boa saúde (mental e física), educação, governos sem corrupção, empresas preocupadas, “e a liberdade de cada pessoa de prosseguir os seus sonhos”, aponta o relatório da Wohasu. “Queremos trazer uma linguagem nova à política e também uma nova reflexão pública, de maneira a assegurar que maior bem-estar não está só relacionado com a economia, a princesa das Ciências Sociais, mas com outras áreas das Ciências Sociais que conseguem ler o que se está a passar no mundo”, termina Helena Marujo.”

Fevereiro 27, 2019

Março é o mês do Carnaval!
Reza a história que estas festividades começaram com os gregos, como uma festa pagã e que foi posteriormente anexada às festividades da Igreja Católica. Celebrando-se sempre a uma terça-feira, 47 dias antes do Domingo de Páscoa, era o momento de celebrar e de usar uma máscara, antes dos períodos de jejum e privação da Páscoa.

Apesar de encontrarmos diferenças entre países e até mesmo entre regiões dentro do nosso próprio país, o Carnaval está associado à diversão e ao disfarce. Miúdos e graúdos desfilam pelas ruas, divertidos, podendo ser, por um dia, uma personagem diferente.

E nós?
E nós, no dia-a-dia, seremos também personagens? Usaremos máscaras quando lidamos com os outros ou até mesmo connosco? De facto, quando, no nosso crescimento e desenvolvimento, lidamos com situações difíceis, criamos estratégias que nos permitam ultrapassar momentos mais dolorosos. Ao criarmos essas estratégias, vamos construindo uma máscara com a qual contactamos com o mundo lá fora, que num dado momento nos falhou ou magoou.

No processo terapêutico ou de desenvolvimento pessoal, é muito importante identificarmos esses movimentos, respondendo a questões como:

– O que foi difícil para mim, durante o meu crescimento? Como lidei com isso? Que estratégias encontrei para ultrapassar situações dolorosas? Como compus a minha máscara? Ela ainda é útil hoje?

As nossas estratégias ou máscaras são fundamentais. De facto, elas permitem-nos lidar com o sofrimento, mesmo que seja a simples negação da sua existência, por exemplo! No entanto, quando estamos nos desafios da vida adulta, estas respostas já não se coadunam com o que a vida nos pede. E aí respondemos às novas questões com movimento velhos, que já não servem. Isto causa desconforto, desconsolo, ansiedade…

Por isso é tão importante o autoconhecimento! Como podemos nós, através de um melhor conhecimento do nosso processo, da nossa história, revisitar a dor, transformá-la e encontrar um caminho novo!

Bom Carnaval!

Ana Caeiro, Psicoterapeuta Corporal em Biossíntese

Fevereiro 13, 2019

Um dia, escreve o psicólogo Pedro Taborda na sua crónica do Público publicada a 17 de Janeiro, “ir ao psicólogo será tão natural como ir ao médico de família”. Uma tão ideia fundamental para o estado da saúde mental em Portugal, que a Sintricare decidiu partilhar, aqui no blog, este texto na íntegra. Para ler atentamente e refletir:

“PPP: ponto de situação da Psicologia em Portugal
A Psicologia vive ainda assombrada por mitos dos quais só se libertará quanto se afirmar como ciência merecedora de mais espaço público e mais valorização. Quer pelas pessoas, quer pelo legislador. Um dia, espero que para breve, ir ao psicólogo será tão natural como ir ao médico de família.

Foi na década de 60 que se criou e leccionou o primeiro curso de Psicologia em Portugal. Desde aí, foi preciso chegarmos à década de 80 para que a Psicologia fosse considerada uma licenciatura, tal como já eram na altura as outras ciências. Desde então, os avanços da ciência psicológica em Portugal têm sido tímidos e feitos de conquistas importantes, mas que passam muitas vezes despercebidas à sociedade civil.

Fomos contribuindo nas escolas, nos hospitais, nos centros de saúde, nas prisões. Recentemente, fomos chamados a prestar apoio às vítimas de Pedrógão Grande e Figueiró dos Vinhos, na sequência dos fogos que devastaram as regiões.

Autênticos agentes da mudança, os psicólogos contribuem de forma activa na e para a sociedade, através, por exemplo, da promoção a saúde mental, do sucesso escolar, de novas formas de recrutar, de orientar carreiras, de prevenir comportamentos, de actuar sobre conflitos ou aconselhar e avaliar.

Hoje em dia, não é por falta de profissionais competentes que faltam nos estabelecimentos prisionais psicólogos de acompanhamento ou para contribuir para uma bem-sucedida reinserção profissional.

Hoje em dia, não é por falta de profissionais competentes que faltam nas escolas psicólogos para orientação profissional para os alunos em transição, ajudar a lidar com emoções, motivação ou insucesso.

Hoje em dia, não é por falta de profissionais competentes que as pessoas não usufruem de serviço de psicologia em hospitais ou centros de saúde, para puderem viver sem sofrimento.

Então, se não será por falta de profissionais, por que é que as respostas continuam a ser insuficientes? Que espaço falta à psicologia reivindicar? Por que é que continua a existir um psicólogo por agrupamento escolar? Por que é que os centros de saúde e as administrações hospitalares não têm mais margem de manobra para reforçar os seus quadros de pessoal em matéria de saúde mental? Por que é que continuamos a valer-nos de estágio em estágio, em vez de apostarmos em carreiras continuadas e fortalecidas? Carreiras essas que beneficiariam os destinatários das nossas intervenções, pela estabilidade oferecida no acompanhamento.

Segundo dados da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM), mais de um quinto dos portugueses sofre com problemas do foro mental, sendo a perturbação de ansiedade a mais prevalente. Sabemos que é cada vez mais difícil conciliar trabalho, vida pessoal e consequentemente tratar da nossa saúde. Temos, então, tempo para ir ao psicólogo?

Recentemente foram anunciadas mais contratações de psicólogos por parte do Estado central, como reforço e aposta na saúde mental dos portugueses (e consequente valorização dos psicólogos). No entanto, como foi sabido, a contratação limitou-se a 40 vagas, para um universo de milhares de profissionais. Segundo notícia do PÚBLICO: “As vagas abertas para psicólogos clínicos são basicamente para o Norte (17) e o Centro (17), sobrando seis para a região de Lisboa e Vale do Tejo. Já no caso dos nutricionistas, a maior parte das vagas (31) é para Lisboa e Vale do Tejo. Para o Norte há apenas duas vagas, enquanto para o Centro e para o Algarve são disponibilizados três lugares para cada, e, para o Alentejo, uma.”

A Psicologia enquanto ciência credível e profissão essencial tem muito com que se preocupar. Cabe, sim, aos psicólogos apostar na dinamização dos seus serviços, das suas mais-valias e dos benefícios de se recorrer a um profissional — seja em contexto clínico, educacional, escolar, organizacional, desportivo, de recrutamento e selecção, na justiça, na investigação criminal e em tantos outros contextos. O que falta, então, actualmente, para além de questões contratuais e burocráticas

Falta sabermos e termos como actuar sobre os dados que nos indicam que ainda apostamos na solução fácil e rápida do comprimido, que temos tendência para descurar a aposta nas soluções estruturais e de longo prazo; falta renegarmos a procura pela “solução imediata” e olharmos para a caminhada como uma oportunidade de crescimento e descoberta de novas realidades; falta, sobretudo, sabermos que, com conhecimento mais informado sobre os benefícios de uma boa saúde mental, todos temos mais a ganhar. Em suma, falta sabermos e entendermos que ir ao psicólogo não é “para malucos”.

A Psicologia vive ainda assombrada por mitos dos quais só se libertará quanto se afirmar como ciência merecedora de mais espaço público e mais valorização. Quer pelas pessoas, quer pelo legislador. Um dia, espero que para breve, ir ao psicólogo será tão natural como ir ao médico de família.”

Sintricare

Janeiro 24, 2019

Deparámo-nos recentemente na Sintricare, com o artigo “Uma análise psicológica: em busca de nossa própria alma”, de Talita Rodrigues, publicado no site brasileiro Aleteia. O título chamou-nos à atenção e parámos para o ler atentamente. Dado a pertinência do seu conteúdo, decidimos publicá-lo na íntegra no nosso blogue. Esperamos que gostem!

“Quantas vezes você já perdeu o sentido da vida?

Não raramente observamos pessoas buscando por um novo sentido ou tentando reencontrar um para viver. Dentro da Psicologia Analítica, pode-se considerar a falta de sentido e a falta de algo essencial, como “perda da própria alma”. Para a psicologia analítica, a alma pode significar um todo. Um todo que é fundamental para que sejamos completos e mais felizes.

Dentro disso, podemos considerar três fatores importantes: o primeiro, é de que a de que a alma não é superstição nem figura de retórica; o segundo, é de que a alma é uma realidade psicológica; e o terceiro, é de que a alma é vivida psiquicamente de maneira inconsciente por cada ser humano. É com base nisso que Carl Gustav Jung concebe a psique como a própria alma humana.

Pensando sobre o significado de alma dentro da psicologia analítica e do poder transformador que exerce sobre cada ser humano, fica claro que, sem ela, nós simplesmente existimos. E não se esqueça: existir não é viver.

Não raro, perdemos a nossa alma e, por algum motivo, não lembramos onde é que a perdemos e não temos força para resgatá-la e fazer dela uma alma vívida novamente, de forma que nos traga a completude que tanto buscamos.

Talvez você tenha a perdido quando criança diante das circunstâncias difíceis em que a vida te colocou, ou até mesmo quando adulto, após um relacionamento falido que endureceu completamente o seu coração. E que, desde então, você não sabe como e o que fazer para simplesmente restabelecer contato com ela.

Há centenas de pessoas pelo mundo que, neste exato momento, inconscientemente, buscam por suas almas e pela alegria de viver que só ela é capaz de proporcionar a cada um.

Buscar pela sua alma, perdida em algum momento de sua história é uma verdadeira aventura. E, como todas as aventuras, você terá de restabelecer contato com seu herói interior, afinal, haverá momentos em que você sentirá medo e sentirá que está completamente sozinho, porque precisará abrir mão de coisas que fizeram ou que se permanecem ainda, dentro da tua história, farão com que você a perca de vista novamente.

Mas, como todas as aventuras, também haverá momentos felizes, nos quais você se (re)descobrirá e se (re)inventará novamente de uma forma ainda mais bonita. E será justamente através desta (re)descoberta, (re)invenção e contato com o seu herói interior, que você terá coragem de voltar ao capítulo mais doído de sua história, no qual você a perdeu.

Lembre-se: não tenha medo da aventura de ir ao encontro de sua alma perdida, afinal, como disse Campbell (1990) em seu livro “O poder do mito”:

“Não precisamos correr sozinhos o risco da aventura, pois os heróis de todos os tempos enfrentaram antes de nós. Temos apenas que seguir a trilha do herói, e lá, onde temíamos encontrar algo abominável, encontraremos um Deus. E lá, onde esperávamos matar alguém, mataremos a nós mesmos. Onde imaginávamos viajar para longe, iremos ao centro de nossa própria existência. E lá, onde pensávamos estar sós, estaremos na companhia do mundo todo.”

E se por acaso, nesta grande aventura, você reencontrar sua alma, por favor, não permita com que você a perca novamente. Sua alma é quem você é – e é o que dá sentido à tua jornada aqui nesta terra.”

Janeiro 10, 2019

O professor de teatro da Sintricare, Nuno Bastos, lançou recentemente o Ebook “Contos de Mundos Anexos“, numa edição Escrytos|Edição de Autor, que inclui 12 contos e está disponível para computador (PC ou Mac), tablet, smartphone e e-reader.

Pode ser adquirido por 5,99€ nas livrarias online LeyaOnlineBertrand OnlineWookKoboAmazonFnac.

Os contos do livro parece terem sido retirados aos anexos da mente ou do mundo real. Ficamos a conhecer o vizinho que pulava, o sofá novo, o homem dentro de um elevador, a bota com lama e outros acontecimentos. “Histórias estranhas? Sim, provavelmente (ou nem tanto). Havia também o outro que se arrastava e uma sala num local. Ou um comboio no seu percurso”, pode ainda ler-se na sinopse de “Contos de Mundos Anexos“.

Excerto do conto “NO ELEVADOR”:
“Estava um homem em pé dentro do elevador de um edifício onde precisei de ir. Chamei o elevador, abri-lhe a porta e vi-o. Era alto, com ar de cavalheiro e gestos delicados. Estava quase encostado à parede do fundo da cabine do elevador, de frente para a porta, e fazia pequenos e gentis gestos com as mãos, com os braços e com os dedos. Ora levantava um pouco uma mão, ora a outra, depois baixava ambas e subia um pouco um braço, depois o outro e baixava-os e passava depois para os os dedos das mãos, levantando um de cada vez para os baixar em simultâneo.”

 

Nota: Em edições de autor, Nuno Bastos já publicou também os livros “Estranhos do homem” (2014), “Aqui dentro há histórias e outras coisas aproximadas” (2014) e “Outra Personagem e os outros” (2009), entre outros textos publicados.

Dezembro 19, 2018

Ao receber esta publicidade do IKEA enviada por uma amiga… bateu-me cá dentro e pensei que era altura de falar um pouco daquilo que vou verificando na minha prática profissional e pessoal…

Vejo tantos artigos e estudos sobre o uso das tecnologias e o que de nefasto elas nos trazem independentemente da idade. Como parar este flagelo?

Pois… não vamos voltar atrás no tempo (pelo menos nesta era que vivemos), não acho que o uso seja um problema, mas como em tudo na vida, o abuso seja lá do que for (até o de estudar muito, ler muito, comer muito, beber muito, dormir muito…) é prejudicial ao nosso equilíbrio e desenvolvimento saudável!

Temos que dosear tudo na vida!

Tenho ouvido, muito mais agora, da boca dos jovens que “os meus pais não me conhecem” e tenho verificado que os filhos não conhecem as suas raízes, a sua história, as suas origens…

Não podemos continuar a argumentar que é a adolescência, ou a falta de interesse, ou a vida de hoje…

Façam um compromisso para convosco, reduzam o tempo que dedicam às tecnologias, não é proibir, não é deixar de todo, não são necessárias medidas radicais, mas é tão-somente dosear, negociar, dar o exemplo… ter algum equilíbrio!

As relações familiares vão refletir esta nova atitude … Use mas não Abuse!!!

Cristina Santos, Psicóloga e Responsável Técnica da Sintricare.

Dezembro 6, 2018

Quantas vezes pensamos que não estamos preparados para determinadas etapas ou fases da nossa Vida? Quantas vezes sentimos que andamos às apalpadelas, no escuro, em relação a vários temas? Genericamente, a resposta é: muitas. Alguns de nós estão na penumbra no campo das emoções, outros na relação com o outro, e outros mesmo na relação consigo. Somos todos diferentes, e por isso existem diferentes “desconhecimentos”.

A maturidade permite acender algumas luzes, a par da experiência e da vontade de continuar a encontrar algum interruptor. Mas o que corre menos bem é geralmente encoberto pelo manto da estratégia, algo a que nos socorremos quando estamos em sofrimento e que serve para afastar essa dor. Esse manto, ou máscara, é fundamental para fazer face aos vários desafios da vida, mas de facto, quando se torna numa segunda pele, não nos permite viver plenamente.

Assim seguimos na vida, muitas vezes sem saber o que está ao virar da próxima esquina. É como se fossemos caminhando no mundo, mas sem um mapa efetivo, um croqui que nos dê pelo menos uma ideia aproximada dos sítios que queremos visitar ou os locais onde queremos chegar. A grande dificuldade dos croquis, é que geralmente são desenhados por outros, não servem.

Os mapas, são concebidos nas alturas. E nós estamos no terreno, sem mapa, a calcorrear ruas e vielas, à procura de uma saída.

Quando somos pequeninos, vamos de mão dada com alguém. E mesmo que nos levem aos trambolhões, lá vamos indo. Quando nos largam a mão e ficamos sozinhos no mundo, sozinhos nas nossas decisões, temos de contar com a nossa bússola interna. O desafio é calibrá-la. A experiência é efetiva na utilização de uma bússola, mas é o autoconhecimento que afina esta ferramenta. Claro que a experiência desagua no autoconhecimento e vice-versa. Mas sem nos conhecermos a nós, sem conhecermos as peças que compõem esta bússola, não nos conseguimos fazer à estrada. Melhor: conseguimos, mas se a bússola não funciona, para onde estamos a ir? E se ficarmos parados no mesmo lugar no medo de nos perdemos, onde é que não estamos a chegar?

Ana Caeiro, Psicoterapeuta Corporal em Biossíntese.

Novembro 22, 2018

Este ano letivo 2018-2019 preparámos uma série de visitas de enriquecimento educativo e cultural no âmbito da Studycare, a sala de apoio psicopedagógico da Sintricare, em Sintra, que, com certeza irão agradar todas as crianças e jovens.

A ideia é, a cada mês, proporcionar uma experiência diferente e lúdica aos mais novos, que lhes permita desenvolver aprendizagens específicas, enquanto se divertem.

Em Outubro, fomos ao bowling, e este sábado vamos fazer uma visita cultural aos parques geridos pela Parques de Sintra Monte-Lua, mas os passeios não param por aqui e até Junho temos muitas surpresas!

Com esta ideia por base, envolvemos os nossos jovens na angariação de fundos para as atividades, motivando-os no sentido da autonomia e de darem passos concretos e práticos para alcançarem os seus objetivos.

Se gostaram deste projeto, façam uma visita à Sintricare, para perceber tudo o que a nossa sala de apoio psicopedagógico tem para oferecer às vossas crianças e jovens. Aproveitam e tragam logo os vossos filhos, netos ou sobrinhos! Cá vos esperamos.

Cristina Santos

Novembro 10, 2018

Apesar de o ano letivo já ter iniciado em setembro, o retomar da rotina e do… corre-corre (!) pode demorar mais tempo para uns do que para outros.

Se parássemos para contemplar a organização de um formigueiro, por certo, nos revíamos… achando nós estarmos tão longe delas!

Mas como animais ditos desenvolvidos que somos, imposto pelas particularidades da vida ou por escolha própria, decidimos acumular todas as funções e respetivos desempenhos, vendo-nos a braços com centenas de tarefas diárias!

Um ritmo alucinante, em que cada célula do nosso corpo acaba, inevitavelmente, a sentir-se nauseada…, mas adiante…

Levanta-te!!! Já é tarde!!!

Estás a ouvir? Levanta-te!!!

Esta é a minha reza matinal todos os dias para ele se levantar, ao que o meu Martim me responde entre uma meia volta e outra: – Já vooooou!

– Oh meu Deus! Martiiiiiim!!!! Estamos atrasados!

Corro no corredor para cá e para lá e, ao mesmo tempo, enfio um braço e outro da blusa, aperto o casaco e puxo melhor as calças, até assentarem bem na cintura e alinhar as costuras…

Aparece estremunhado com o cabelo desalinhado arrastando a voz: – Booooom diaaaa!

– Despacha-te! Trouxeste as cuecas e as meias?

Entretanto, já estava no quarto do Martim, pronta para lhe levar o que faltava para se vestir… olha para a cama e ainda, num golpe de magia, puxa os lençóis para cima, atira com as almofadas para ter um ar mais apresentável e cuidado.

Volta à casa de banho, abre o frasco do creme de dia e retira com o dedo indicador uma porção que coloca de cada lado da bochecha, espalha-o pelo rosto e apanha o cabelo num carrapito prendendo-o com uma mola.

– Martiiiiiim!!! Estás proooonto?! Já te vestiste? Tomaste o pequeno-almoço? Despacha-te que estamos atrasados e não posso, uma vez mais, chegar atrasada ao trabalho!”

Apesar de ficcionado este é um excerto de um episódio que poderia ser de qualquer um de nós… ou melhor, dos primeiros dez minutos de um dia, aleatório, retirado à azafama da nossa apertada rotina de 24 horas.

Depois chega o final do dia e, com ele, aquela que é uma das conversas mais frustrantes entre pais e filhos. Regra geral, acontece no carro ou à mesa do jantar. Perguntamos “como é que foi o teu dia?” ou “como é que correu a escola?”, ao que as crianças reagem com um “correu bem”, sem desenvolverem muito mais a resposta.

Esta é uma das grandes queixas dos pais, que se sentem frustrados e ainda mais cansados de ouvir sempre o mesmo, mas será que o problema está mesmo nas crianças? Pensemos na nossa reação, quando nos fazem a mesma questão em relação ao trabalho. “Foi bom” ou “correu tudo bem” também é a nossa resposta, certo? Então, porque esperamos um comportamento diferente por parte dos nossos filhos?

Nesta questão, como em tantas outras da nossa louca rotina diária, o problema está na forma como colocamos as perguntas às crianças, que tantas vezes as sentem como impessoais.

Que tal tentarmos outras vias? Diferentes formas de abordar os assuntos com os nossos filhos? Apesar de ser difícil encontrarmos inspiração para o fazermos, no meio de tantas tarefas que acumulamos, hoje, partilhamos algumas sugestões para contornar a malfadada pergunta e conseguirmos chegar até aos nossos filhos. Pode ser que assim, pelo menos o final do dia, em família, se torne um momento mais apaziguador.

Questionar quanto aos pontos altos e baixos de cada dia:
Como são perguntas muito específicas, ajudam as crianças a articular os melhores e os piores momentos que viveram, e criam uma janela de oportunidade para, em conjunto, tentarem encontrar soluções para o que correu menos bem. Caso os pais aproveitem para falar de igual modo sobre o seu dia, também se fomenta a partilha, a escuta e a atenção recíproca.

  • Qual foi a coisa mais divertida que te aconteceu hoje?
  • Alguém fez algo muito querido por ti ou qual foi a coisa mais querida que fizeste por alguém hoje?
  • Quem é que te fez sorrir hoje?
  • Quem é que se portou mal contigo?
  • O que é que aprendeste hoje nas aulas e qual foi a aula que achaste mais difícil?
  • Houve alguma regra da professora que tenhas sentido dificuldade em respeitar?
  • Qual foi o momento em que te sentiste mais orgulhoso de ti hoje?
  • Numa escala de 1 a 10, como é que classificas o teu dia? Porquê?

Questões que estimulem a curiosidade e o interesse:
Às vezes, fazer apenas uma destas perguntas, que demonstrem interesse pelas particularidades da vida dos filhos, já quebra o silêncio e ajuda a estimular o diálogo. Interesse-se, realmente, por quem o rodeia, com quem se identifica, quem são os amigos mais próximos: entre na sua realidade, conheça-a, pergunte e ouça a resposta. Podemos aproveitar para estimular a curiosidade das crianças, deixando-as perguntar tópicos semelhantes sobre nós ou do nosso.

  • O que almoçaste? Estava bom?
  • Qual dos teus professores era mais capaz de sobreviver a uma invasão de extraterrestres? Porquê?
  • Há algum colega de quem gostasses de ser amigo, mas ainda não és? Porquê?
  • Sentiste que havia algum colega mais triste hoje?
  • O que ensinarias aos teus colegas, se pudesses ser tu o professor amanhã?
  • Se um dos teus colegas fosse professor, em qual votarias para ser escolhido? Porquê?
  • Estás a trabalhar nalgum projeto na aula que tiveste hoje de música/EVT? Qual?
  • Se tivesses uma máquina do tempo para andar para trás no tempo, mudavas alguma coisa no teu dia de hoje?
  • Qual é o teu colega mais divertido? E o mais chato?
  • Quem é a auxiliar mais querida e o professor de que mais gostas?

Estes são apenas alguns exemplos para mudar a estratégia de abordagem deste assunto com os filhos. Que tal fazer o mesmo exercício para as outras questões do dia-a-dia?!

Fica a sugestão!

Cristina Santos

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