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Categoria: Blog

Outubro 11, 2018

O Dia Mundial da Saúde Mental celebra-se, todos os anos, a 10 de Outubro, sendo este, “um importante momento de reflexão e de análise no que às questões na saúde mental em Portugal dizem respeito”, como se pode ler no artigo que a Ordem dos Psicólogos Portugueses publicou no seu site para assinalar esta data.

A par de algumas ilações importantes, a ter em conta a propósito do Programa Nacional de Saúde Mental criado há dez anos, podem ler-se também alguns indicadores numéricos que a Sintricare considera relevantes destacar:

  • Um em cada quatro portugueses sofre de um problema de saúde mental, o que representa 23% da população, de acordo com o primeiro estudo epidemiológico de Saúde Mental realizado em Portugal.
  • O número de portugueses (entre os inscritos nos centros de saúde) com depressões aumentou 43%, em apenas 6 anos, logo, quase metade dos cidadãos já teve uma perturbação mental durante a sua vida. Em 2011, a taxa era de 6,85%, sendo 9,8% em 2017. Isto significa que, atualmente, o nosso país é o segundo da Europa com maior prevalência de doenças mentais na população, com um valor quase idêntico ao da Irlanda do Norte, que ocupa o primeiro lugar deste ranking.
  • As perturbações depressivas, em 2016, foram a terceira principal doença causadora de morbilidade em Portugal nas mulheres, e a quarta nos homens, contribuindo para cerca dos 70% dos mil suicídios (3 por dia) aproximados que ocorrem em Portugal.
  • A perturbação de ansiedade afeta cerca de 4,9% da população, ou seja, meio milhão de portugueses.
  • 30 milhões de embalagens de psicofármacos foram prescritas em 2016.
  • 29.631.192 de embalagens de ansiolíticos, sedativos, hipnóticos, antipsicóticos e antidepressores foram no mesmo ano, representando o dobro do número registado em 2013 (15.048.043 embalagens).
  • Mais de 600 mil euros foram gastos pelos portugueses, por dia, em psicofármacos.
  • Registou-se uma aumento na ordem de 112% nas embalagens prescritas de antidepressores (5.556.092 em 2013 para 11.795.898 em 2016), e de 68% na dose diária definida (263.414.234 em 2012 e 358.197.748 em 2016).
  • 250 mil euros foi o valor gasto, por dia, pelos portugueses apenas com este psicofármaco (antidepressores).

O artigo recorda que, este ano, a Organização Mundial de Saúde escolheu o tema “os jovens e a saúde mental num mundo em mudança“, uma vez que “é nesta fase da vida que aparecem metade das perturbações mentais e por ser estratégico a aposta na promoção da saúde mental e na prevenção”, pode ler-se.

Neste sentido, basta analisarmos os números da saúde mental em Portugal, para enquadrar de outro modo o apelo que nos é lançado por Francisco Miranda Rodrigues, Bastonário da Ordem Portuguesa dos Psicólogos. É imperioso, para todos nós, “fazer da prevenção em saúde mental uma prioridade sob pena de hipotecarmos o futuro das nossas crianças e jovens e de Portugal. Este repto não é apenas ao Governo, mas também às instituições sociais e comunitárias, às empresas e seguradoras. É com todos, somente com todos, que conseguiremos alterar o paradigma, promover as pessoas, prevenir a doença mental grave e acautelar o futuro de Portugal e o bem-estar dos portugueses”.

Para lerem o artigo completo, basta clicarem AQUI.

Sintricare

Setembro 26, 2018

A melhor fase da nossa vida tem de ser aquela onde nos encontramos. O desafio é precisamente esse. Pensei neste tema enquanto olhava para o meu filho e pensava: é a melhor fase da vida dele. Ponderei vários motivos, entre eles a despreocupação de um menino de 3 anos, com a vida pela frente. Mas depois pensei: ainda assim, tem tantos desafios… Sim, se calhar a melhor fase é depois da adolescência, quando entramos na vida adulta, começamos a trabalhar e sentimos que vamos na direção de algo, que somos capazes! Depois pensei em mim: a imaturidade emocional era grande. Havia um grande sentido de responsabilidade, de ética e de funcionamento, mas a nível emocional ainda existia um mar para navegar.

Fiquei então na bruma. E ao refletir um pouco concluí algo que pode ser um cliché, mas que é algo que podemos desejar e procurar encontrar: a melhor fase da nossa vida tem de ser aquela onde nos encontramos. O desprendimento temporal a tempos antigos da nossa vida, leva-nos a acreditar, de uma forma algo ingénua, que lá para trás fomos muito felizes, apesar dos percalços. O negativo fica esbaforido na contagem do tempo ou, deturpadamente, fica numa forma ilusória como algo “que não foi tão mau assim”. A par disto, as coisas boas crescem, valorizam-se e, quais portugueses saudosos, olhamos para os eventos do nosso passado como os “melhores”, os mais “preenchidos”, os mais “felizes”.

Mas podem ser apenas ilusões. O desafio maior que temos nas nossas vidas não é sermos felizes, é estarmos na melhor fase das nossas vidas, precisamente no momento em que nos encontramos, com tudo o que isso traz. Sejam encontros ou desencontros. Pode parecer ilógico de algum ponto de vista, pois o ser humano não quer sofrer, mas na realidade, o passado não existe e o futuro ainda não se fez. Residem dentro de nós e podem ter um poder abissal e descontrolado. A grande aprendizagem é estar presente no momento em que nos situamos, conectados, aceitando o que surge. Essa aprendizagem é a vida!

Ana Caeiro 

Setembro 12, 2018

A equipa da Sintricare reuniu-se neste início de ano letivo com o objetivo de que todos os profissionais que connosco trabalham integrem as valências de cada um e que possam:

– Promover a colaboração entre todos
– Divulgar a sua área de intervenção
– Estimular a sinergia mútua
– Difundir a coesão

Um encontro que, com certeza, nos ajudará a cumprir com a nossa missão, trabalhando na promoção do bem-estar a todos os níveis, que se rege por um serviço de qualidade em que cada um é olhado e cuidado como um ser único e especial!

Este é um princípio transversal a todas as nossas valências, que são as consultas de psicologia e psicoterapia, a sala de apoio psicopedagógico, a academia sénior, as várias atividades artísticas e do desporto, a preparação para o parto, entre outras…

É o caso da Sintri Party, um serviço pensado para criar eventos, festas ou aniversários únicos, especiais e personalizados, que conseguiu abrilhantar a reunião da nossa equipa, onde tivemos o privilégio de disfrutar do bom gosto e dos saborosos pitéus preparados por esta recente vertente da Sintricare.

O produto final desta equipa será sempre maior que a soma de cada um individualmente! Que se repercuta em todos aqueles que nos procuram!

Temos um projeto singular porque acreditamos na singularidade de cada um!

Desejamos a todos um bom início de ano letivo!

Cristina Santos

Agosto 29, 2018

Para uma infância saudável e equilibrada há uma série de atividades que são essenciais, desde as tarefas mais rotineiras do dia-a-dia até à prática desportiva.

Hoje, ao contrário do que acontecia há umas décadas, as crianças e jovens não passam horas intermináveis a brincar na rua, muitas vezes, nem a pé vão para a escola e, regra geral, começam mais tarde a ajudar nas tarefas domésticas. Como tal, é fundamental encontrar alternativas para que se mexam e gastem energia!

A prática desportiva surge como uma forma de proporcionar um nível de atividade física que, antes, era naturalmente mais compatível com aquele que, todos, deveríamos ter para uma vida mais equilibrada.

Os benefícios do desporto para o desenvolvimento da criança são inúmeros, já que implica um conjunto de movimentos estruturados e repetidos, cujo objetivo é a melhoria da aptidão física.

Logo, a prática desportiva está, sem dúvida, associada a um aumento do bem-estar físico, mas também, psíquico, social e neuro-cognitivo, uma vez que é  necessária a aprendizagem do respeito pelas regras e pela partilha de responsabilidade, sem esquecer que a disciplina individual e coletiva, inerentes ao desporto, também promovem a autoconfiança.

De salientar que, na infância, a  atividade desportiva deve ser sobretudo lúdica e estar associada ao prazer, características que irão facilitar a adesão da criança.

Aos pais cabe-lhes a responsabilidade de tentar encontrar uma modalidade que vá ao encontro da idade, especificidade e gosto particular de cada filho, de modo a tornar a prática desportiva uma fonte de motivação, prazer e saúde!

Sintricare

Agosto 16, 2018

Agosto… tempo de férias! Para nós, é tempo de preparar o próximo ano letivo.

Ideias a borbulhar… Onde podemos melhorar? Que projetos lançar? Papéis, burocracias, ajustes, programação, agendar, redes sociais, lançamentos… uffffa!!!

E tempo?!

Quem trabalha, em especial com crianças e jovens, tem que ser criativo, reinventar-se a cada ano, atualizar-se, perceber e dar resposta às necessidades das famílias… mas tem que digerir, assimilar, criar, equilibrar-se e existir, cuidando-se…

Quando nos perguntam se vamos de férias, costumamos dizer, a brincar, que tiramos férias por umas horas! Mas, nessas horas, tem que haver qualidade!

Um dos próximos projetos da Sintricare é “Ai o Meu Filho”, dirigido aos pais e onde, este ano, abordamos as seguintes temáticas: “Ensinar o seu filho a estudar”, “Pré adolescência”, “Adolescência”, “Separação/divórcio”, “Como lidar com os medos – ansiedade” e “Como lidar com as zangas/raiva/birras/comportamentos”.

Estes encontros temáticos realizam-se ao longo do ano letivo, entre as 19 horas e as 20h30 de algumas segundas-feiras que, oportunamente, comunicaremos quais são.

Temos um denominador comum em todos os nossos projetos, assim como, ao longo de todos os anos da Sintricare: Cada um, é um ser único e especial!

E, nem de propósito, ao reler uma passagem de um dos livros de Augusto Cury, fixei-me numa das suas afirmações:
“Os bons filhos preparam-se para o sucesso, os filhos brilhantes preparam-se para enfrentar derrotas e frustrações”.

Refleti sobre a profundidade desta afirmação… Todos nós queremos que os filhos tenham sucesso, sem dúvida! Proporcionamos-lhes tudo o que está ao nosso alcance e, por vezes, com muito sacrifício…

O que leva – e como leva! -, na sua maioria (não gosto nada de generalizar), a sociedade de hoje – que somos todos nós – a não preparar os filhos para estas vivências, que são impulsionadoras da criatividade, da superação, da força, da atitude…

Cada um de nós terá a sua realidade e verdade… fazemos o melhor que sabemos!

Com consciência, podemos chegar tão longe e criar filhos tão mais felizes e capazes!!!

Queremos contribuir para encontrar um caminho em conjunto!

Além dos encontros para pais e educadores, vamos também realizar vários workshops para pais e filhos: Iniciativas dinâmicas, criativas e abertas, com o intuito de vos ajudar com sugestões e ideias.

Informem-se! Estejam atentos à nossa agenda!

Cristina Santos

Agosto 2, 2018

A vida acontece, a cada segundo, plena de intensidade e momentos únicos. Desenvolver a capacidade de celebrar o facto de estarmos vivos é um passo crucial para a felicidade.

A ideia não é, obviamente, fazer uma festa quando algo menos bom nos deita abaixo, mas antes, tentar encontrar uma perspetiva positiva em tudo. Por mais dramático que determinado acontecimento seja, acaba sendo sempre, também, uma oportunidade de aprendizagem.

O truque é perspetivar tudo o que nos acontece. E, sem dúvida, descobrir como celebrar a dádiva tremenda de podermos estar, aqui e agora, connosco próprios ou com quem mais amamos, neste planeta cuja beleza nos dá tantas razões para pasmar.

Contemplar a infinita perfeição da natureza, por exemplo, e escutar, sentir e olhar cada detalhe com mais plenitude é, por si só, uma forma de celebração. Um meio de nos alinharmos com o milagre da vida, que segue curso indiferente aos contratempos da existência.

Depois, mais do que os ciclos naturais, há sempre aquelas etapas marcantes, incontornáveis em cada percurso, que gritam celebração!

É o caso do curso ou projeto que se conclui, depois de tanto esforço. As vitórias dos filhos ou dos pais, a conquista tão desejada dos cônjuges ou, simplesmente, o aniversário de quem anima o nosso mundo.

Mais do que pelo acumular de coisas, a felicidade é feita de vivências. Tece-se em frações de experiências únicas, sobretudo quando são ao redor de quem se ama. E, um dia, serão elas que darão lugar às doces memórias.

Encontrar o espaço, o tempo e o ritmo certo para cada tipo de celebração, neste mundo acelerado em que vivemos, é meio caminho andado para treinarmos a atenção… para que nunca se esqueça de focar no manancial de positividade que existe na vida e na nossa existência.

Aprender a celebrar pode ser, realmente, meio caminho andado para a felicidade!

 

Sintricare

Julho 18, 2018

Imensidão, azul, plenitude, totalidade… tudo isto sentia a Alma, que no meio das suas iguais, se distinguia…

Mais leve, mais bela, mais pura, esperava pacientemente, que mais uma vez, a mandassem baixar à Terra.

Qual seria a próxima missão? Quando partia a Alma ía cansada, e carregava grandes e pesados fardos consigo… mas, logo que alcançava o topo, uma leveza e uma paz se apoderavam dela, tudo se desvanecia e a Alma encontrava outra vez o seu lugar, lá em cima, no alto da montanha.

Até lá chegar, os caminhos eram longos e duros, por vezes íngremes ou planos, verdejantes em mil tons de verde ou cinzentos e negros.

Eram claros e limpidos, tais cursos de água movendo-se rapidamente em cascatas, ou escuros, lentos e parados como pântanos lodosos.

Sucediam-se os tempos e a Alma assim vagueava por entre prazeres e dores, alegrias e tristezas, clareza e obscuridade, sabendo sempre que o topo da montanha a esperava.

Sabia também, que algures, num tempo que não conhecia, iria finalmente ascender ao infinito pleno onde poderia permanecer fazendo parte do Universo imenso.

Leonor Braga

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Julho 4, 2018

Há muito tempo atrás ouvi a frase “as pessoas não mudam, revelam-se”. O facto de uma pessoa mudar ou não, seja o seu comportamento, atitudes, forma de lidar com os outros, sempre obteve algum fascínio por parte do ser humano. Nas relações pessoais queremos sempre entrar no entendimento do outro e, quem sabe, moldá-lo para aquilo que queremos ou precisamos. Quando as pessoas têm tendência para nos magoar, elas revelam-se e, aparentemente, revelam o seu pior. A própria frase parece ser revestida de alguma negatividade e fatalismo. Como um fado na defensiva.

Depois ouvi que, de facto, o ser humano não muda, que a personalidade tem elementos fixos. No entanto, estamos claramente sob a influência do mundo externo, e por isso aprendi a frase: “as pessoas não mudam, adaptam-se”. Numa relação a dois o tempo ensina-nos a flexibilizar as nossas opções, atitudes e comportamentos. E aqui é importante perceber aquilo que por vezes pode ser uma ténue diferença entre adaptação ao outro e perda de individualidade. No fundo não deixamos de ser nós, mas ao procurar a adaptação plena, ao procurar que o outro goste de nós, transformamo-nos naquilo que o outro quer. Por momentos deixamos de ter a nossa identidade, desenvolvem-se relações co-dependentes. Mas a identidade está lá, embora não haja provavelmente mudança, existirá talvez uma amnésia seletiva de comportamentos. Uma escolha que se torna pesada com o tempo e uma pele difícil de despir. No lado saudável, uma boa adaptação pode promover uma grande harmonia que faz com que as pequenas coisas não se transformem em grandes batalhas.

Depois ensinaram-me outra frase: “se as pessoas não mudam, mudamos nós”. E mudar o quê? Simplesmente mudar a forma como lidamos com a não mudança do outro. E aqui podem existir tantas formas. A melhor é claramente encontrar paz dentro de nós e não permitir que as poluídas não mudanças do outro nos afetem. Se o outro continua no seu registo, se já gastámos as palavras a tentar fazer ver outros pontos de vista, se já tentámos ajudar vezes sem conta e os mesmos erros continuam a ocorrer, então é hora de aceitar. Mudamos a nossa perspetiva, aceitando que o outro é como é. Aceitar a sua infelicidade, os seus insucessos e permitir que eles fiquem com o seu dono que, aparentemente, não se quer livrar deles, ou ainda não está preparado para o fazer. Se calhar o medo de ficar vazio é tão grande que assim sempre têm alguma coisa…

Ana Caeiro, Psicoterapeuta em Biossíntese

Junho 21, 2018

A facilitadora da Terapia para Animais da Sintricare, Anaísa Santos, deu recentemente uma entrevista à Notícias Magazine, a revista de domingo do Diário de Notícias, a propósito da psicologia especializada em comportamento animal.

A peça “Quando os Bichos se Deitam no Divã”, da autoria do jornalista Pedro Emanuel Santos, foi publicada a 17 de Junho e faz uma análise sobre o que é a terapia direcionada a animais, focando também nos benefícios desta técnica que, apesar de recente em Portugal, tem tido um crescimento considerável.

Como se pode ler no artigo, a «ideia central é revolucionar o comportamento de cães ou gatos mais agressivos ou que revelem sinais de stress que debilitam a sua saúde. Mas não só. A psicologia animal também pode ser aplicada, por exemplo, em cavalos ou coelhos. “Até em porquinhos da Índia”, exemplifica Anaísa Santos, da Sintricare, em Sintra, uma das primeiras especialistas em Portugal nesta matéria.»

A Terapia para Animais da Sintricare recorre a exercícios físicos específicos de concentração, equilíbrio e flexibilidade, entre outras ferramentas. Além de ajudar a alterar os comportamentos indesejados dos animais, também é benéfica para melhorar o relaxamento, a consciência e perceção corporal, a confiança, a atenção e concentração, bem como, o equilíbrio físico e emocional.

A mentora desta terapia da Sintricare, Anaísa Santos, é licenciada em Equinicultura, pela Escola Superior Agrária de Elvas (ESAE) do Instituto de Portalegre. Quando se focou na área do bem-estar e comportamento animal, apostou em formação na Terapia Bowen e no Método Tellington TTouch. É também pós-graduada em Comportamento e Bem-Estar Animal pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA).

“Quando os Bichos se Deitam no Divã” não está disponível online, no site deste órgão de comunicação, mas esta semana a revista ainda está nas bancas. Boa leitura!

Maio 23, 2018

Era uma vez um homem à espera.

O homem estava sentado numa pedra à beira da estrada e esperava…

Porque esperava ele?

Por quem esperava ele?

O que esperava ele?

A isso não podemos responder…

Apenas sabemos que esperava!

Os dias, as horas, os minutos, os segundos, todos os tempos passavam sem que ele movesse um só dedo!

Mudo e quedo o homem esperava…

Sucediam-se sóis e chuvas, escuridões e claridades, ventos e calmarias e nada o demovia da sua longa, eterna espera.

Até que um dia de sol quente e brilhante, o homem pestanejou, rodou lentamente a cabeça e olhou para trás.

Atrás de si viu tudo!

A sua vida passada em que ousou ter sentimentos: inúmeras tristezas, imensas alegrias, longas guerras, mais longas acalmias, lágrimas muitas, sorrisos sem fim…

Porque temia então, há tanto tempo, regressar à sua vida passada e esperava agora imóvel, naquela rocha?

Olhou em frente e viu o futuro!

Este era belo, de muitas cores, rico, perfumado, calmo e cheio de luz!

Porque esperara então?

Esperara até poder vê-lo!

Só agora, depois de tanto tempo parado, imóvel, expectante, conseguia ver o futuro.

Valera a pena a espera e o homem, lentamente levantou-se e seguiu o seu caminho!

 

Leonor Braga