Categoria: Blog

02/08/2018

A vida acontece, a cada segundo, plena de intensidade e momentos únicos. Desenvolver a capacidade de celebrar o facto de estarmos vivos é um passo crucial para a felicidade.

A ideia não é, obviamente, fazer uma festa quando algo menos bom nos deita abaixo, mas antes, tentar encontrar uma perspetiva positiva em tudo. Por mais dramático que determinado acontecimento seja, acaba sendo sempre, também, uma oportunidade de aprendizagem.

O truque é perspetivar tudo o que nos acontece. E, sem dúvida, descobrir como celebrar a dádiva tremenda de podermos estar, aqui e agora, connosco próprios ou com quem mais amamos, neste planeta cuja beleza nos dá tantas razões para pasmar.

Contemplar a infinita perfeição da natureza, por exemplo, e escutar, sentir e olhar cada detalhe com mais plenitude é, por si só, uma forma de celebração. Um meio de nos alinharmos com o milagre da vida, que segue curso indiferente aos contratempos da existência.

Depois, mais do que os ciclos naturais, há sempre aquelas etapas marcantes, incontornáveis em cada percurso, que gritam celebração!

É o caso do curso ou projeto que se conclui, depois de tanto esforço. As vitórias dos filhos ou dos pais, a conquista tão desejada dos cônjuges ou, simplesmente, o aniversário de quem anima o nosso mundo.

Mais do que pelo acumular de coisas, a felicidade é feita de vivências. Tece-se em frações de experiências únicas, sobretudo quando são ao redor de quem se ama. E, um dia, serão elas que darão lugar às doces memórias.

Encontrar o espaço, o tempo e o ritmo certo para cada tipo de celebração, neste mundo acelerado em que vivemos, é meio caminho andado para treinarmos a atenção… para que nunca se esqueça de focar no manancial de positividade que existe na vida e na nossa existência.

Aprender a celebrar pode ser, realmente, meio caminho andado para a felicidade!

 

Sintricare

18/07/2018

Imensidão, azul, plenitude, totalidade… tudo isto sentia a Alma, que no meio das suas iguais, se distinguia…

Mais leve, mais bela, mais pura, esperava pacientemente, que mais uma vez, a mandassem baixar à Terra.

Qual seria a próxima missão? Quando partia a Alma ía cansada, e carregava grandes e pesados fardos consigo… mas, logo que alcançava o topo, uma leveza e uma paz se apoderavam dela, tudo se desvanecia e a Alma encontrava outra vez o seu lugar, lá em cima, no alto da montanha.

Até lá chegar, os caminhos eram longos e duros, por vezes íngremes ou planos, verdejantes em mil tons de verde ou cinzentos e negros.

Eram claros e limpidos, tais cursos de água movendo-se rapidamente em cascatas, ou escuros, lentos e parados como pântanos lodosos.

Sucediam-se os tempos e a Alma assim vagueava por entre prazeres e dores, alegrias e tristezas, clareza e obscuridade, sabendo sempre que o topo da montanha a esperava.

Sabia também, que algures, num tempo que não conhecia, iria finalmente ascender ao infinito pleno onde poderia permanecer fazendo parte do Universo imenso.

Leonor Braga

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04/07/2018

Há muito tempo atrás ouvi a frase “as pessoas não mudam, revelam-se”. O facto de uma pessoa mudar ou não, seja o seu comportamento, atitudes, forma de lidar com os outros, sempre obteve algum fascínio por parte do ser humano. Nas relações pessoais queremos sempre entrar no entendimento do outro e, quem sabe, moldá-lo para aquilo que queremos ou precisamos. Quando as pessoas têm tendência para nos magoar, elas revelam-se e, aparentemente, revelam o seu pior. A própria frase parece ser revestida de alguma negatividade e fatalismo. Como um fado na defensiva.

Depois ouvi que, de facto, o ser humano não muda, que a personalidade tem elementos fixos. No entanto, estamos claramente sob a influência do mundo externo, e por isso aprendi a frase: “as pessoas não mudam, adaptam-se”. Numa relação a dois o tempo ensina-nos a flexibilizar as nossas opções, atitudes e comportamentos. E aqui é importante perceber aquilo que por vezes pode ser uma ténue diferença entre adaptação ao outro e perda de individualidade. No fundo não deixamos de ser nós, mas ao procurar a adaptação plena, ao procurar que o outro goste de nós, transformamo-nos naquilo que o outro quer. Por momentos deixamos de ter a nossa identidade, desenvolvem-se relações co-dependentes. Mas a identidade está lá, embora não haja provavelmente mudança, existirá talvez uma amnésia seletiva de comportamentos. Uma escolha que se torna pesada com o tempo e uma pele difícil de despir. No lado saudável, uma boa adaptação pode promover uma grande harmonia que faz com que as pequenas coisas não se transformem em grandes batalhas.

Depois ensinaram-me outra frase: “se as pessoas não mudam, mudamos nós”. E mudar o quê? Simplesmente mudar a forma como lidamos com a não mudança do outro. E aqui podem existir tantas formas. A melhor é claramente encontrar paz dentro de nós e não permitir que as poluídas não mudanças do outro nos afetem. Se o outro continua no seu registo, se já gastámos as palavras a tentar fazer ver outros pontos de vista, se já tentámos ajudar vezes sem conta e os mesmos erros continuam a ocorrer, então é hora de aceitar. Mudamos a nossa perspetiva, aceitando que o outro é como é. Aceitar a sua infelicidade, os seus insucessos e permitir que eles fiquem com o seu dono que, aparentemente, não se quer livrar deles, ou ainda não está preparado para o fazer. Se calhar o medo de ficar vazio é tão grande que assim sempre têm alguma coisa…

Ana Caeiro, Psicoterapeuta em Biossíntese

21/06/2018

A facilitadora da Terapia para Animais da Sintricare, Anaísa Santos, deu recentemente uma entrevista à Notícias Magazine, a revista de domingo do Diário de Notícias, a propósito da psicologia especializada em comportamento animal.

A peça “Quando os Bichos se Deitam no Divã”, da autoria do jornalista Pedro Emanuel Santos, foi publicada a 17 de Junho e faz uma análise sobre o que é a terapia direcionada a animais, focando também nos benefícios desta técnica que, apesar de recente em Portugal, tem tido um crescimento considerável.

Como se pode ler no artigo, a «ideia central é revolucionar o comportamento de cães ou gatos mais agressivos ou que revelem sinais de stress que debilitam a sua saúde. Mas não só. A psicologia animal também pode ser aplicada, por exemplo, em cavalos ou coelhos. “Até em porquinhos da Índia”, exemplifica Anaísa Santos, da Sintricare, em Sintra, uma das primeiras especialistas em Portugal nesta matéria.»

A Terapia para Animais da Sintricare recorre a exercícios físicos específicos de concentração, equilíbrio e flexibilidade, entre outras ferramentas. Além de ajudar a alterar os comportamentos indesejados dos animais, também é benéfica para melhorar o relaxamento, a consciência e perceção corporal, a confiança, a atenção e concentração, bem como, o equilíbrio físico e emocional.

A mentora desta terapia da Sintricare, Anaísa Santos, é licenciada em Equinicultura, pela Escola Superior Agrária de Elvas (ESAE) do Instituto de Portalegre. Quando se focou na área do bem-estar e comportamento animal, apostou em formação na Terapia Bowen e no Método Tellington TTouch. É também pós-graduada em Comportamento e Bem-Estar Animal pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA).

“Quando os Bichos se Deitam no Divã” não está disponível online, no site deste órgão de comunicação, mas esta semana a revista ainda está nas bancas. Boa leitura!

23/05/2018

Era uma vez um homem à espera.

O homem estava sentado numa pedra à beira da estrada e esperava…

Porque esperava ele?

Por quem esperava ele?

O que esperava ele?

A isso não podemos responder…

Apenas sabemos que esperava!

Os dias, as horas, os minutos, os segundos, todos os tempos passavam sem que ele movesse um só dedo!

Mudo e quedo o homem esperava…

Sucediam-se sóis e chuvas, escuridões e claridades, ventos e calmarias e nada o demovia da sua longa, eterna espera.

Até que um dia de sol quente e brilhante, o homem pestanejou, rodou lentamente a cabeça e olhou para trás.

Atrás de si viu tudo!

A sua vida passada em que ousou ter sentimentos: inúmeras tristezas, imensas alegrias, longas guerras, mais longas acalmias, lágrimas muitas, sorrisos sem fim…

Porque temia então, há tanto tempo, regressar à sua vida passada e esperava agora imóvel, naquela rocha?

Olhou em frente e viu o futuro!

Este era belo, de muitas cores, rico, perfumado, calmo e cheio de luz!

Porque esperara então?

Esperara até poder vê-lo!

Só agora, depois de tanto tempo parado, imóvel, expectante, conseguia ver o futuro.

Valera a pena a espera e o homem, lentamente levantou-se e seguiu o seu caminho!

 

Leonor Braga

09/05/2018

Um minúsculo, ínfimo, ponto luminoso percorre o teu corpo.

De Norte a Sul, de Leste a Oeste, do centro à periferia, ele faz o seu caminho. Entra em atalhos, estreitas passagens, becos sem saída e, rapidamente retrocede e encontra largas e amplas vias.

O ponto de luz não pára, o seu percurso é incessante, contínuo, ora rápido, ora lento, mas sempre vívido e brilhante.

Súbitamente ressoa, vibra, sente outro corpo luminoso aproximar-se e encontra uma vibração comum.

Ambos então, encerrados nos seus continentes, vibram em sintonia e ficam mais velozes e mais brilhantes. Um após outro, sucedem-se encontros com outros seres de luz que numa longa e profunda espiral energética unem os seus campos de vibração.

Cada um de nós encerra em si mesmo um Universo único, irrepetível, que eternamente se perpetua e que vibra em uníssono ao encontrar energias semelhantes.

A esta vibração imaterial etéria, profunda e luminosa chamamos Amor, Fraternidade, Alegria, Encontro de Almas gémeas que em si guardam o segredo da vida.

O Universo és tu! Tudo o que existe no Universo está em ti! Apenas é necessário encontrar o Caminho e sentir a vibração dos pontos de luz que nos rodeiam e que, tal como tu, contêm o Universo!

Leonor Braga

25/04/2018

Numa completa entrevista ao portal Café com Tantra, o psiquiatra chileno Claudio Naranjo, na altura com 75 anos, aborda a educação sobre uma tão interessante perspetiva, que vale a pena reproduzir aqui, no blog da Sintricare.

Apesar do mérito do seu percurso profissional, Naranjo assume que, até se mudar para os EUA nos anos sessenta e se tornar discípulo de Fritz Perls – um dos grandes terapeutas do século XX – esteve bastante adormecido.

Nessa altura, ao integrar a equipa de terapeutas do Instituto Esalen da Califórnia, passou a ter profundas experiências no mundo terapêutico e espiritual. Contactou com o Sufismo e foi um dos responsáveis pela introdução do Eneagrama no Ocidente, tendo também estudado o budismo tibetano e o zen.

Com uma vida dedicada à pesquisa e ao ensino, em universidades como Harvard e Berkeley, fundou o programa SAT, uma integração de Gestalt-terapia, o Eneagrama e Meditação, de modo a enriquecer a formação de terapeutas e professores.

Na sua opinião, ou mudamos a educação ou o mundo vai afundar…  Ora leiam as respostas que deu a este portal brasileiro sobre a problemática da educação nos dias de hoje:

Você diz que para mudar o mundo é preciso mudar a educação. Qual é o problema da educação e qual é a sua proposta?

O problema da educação não é de forma alguma o que os educadores pensam que é. Acreditam que os alunos não querem mais o que eles têm a oferecer. Aos alunos vão querer forçar uma educação irrelevante e estes se defendem com distúrbios de atenção e com a desmotivação. Eu acho que a educação não está a serviço da evolução humana, mas sim da produção ou da socialização. Esta educação serve para adestrar as pessoas de geração em geração, a fim de continuarem sendo manipuladas como cordeiros pela mídia. Este é um grande mal social, querer usar a educação como uma maneira de embutir na mente das pessoas um modo de ver as coisas que irá atender ao sistema e à burocracia. Nossa maior necessidade é evoluir na educação, para que as pessoas sejam o que elas poderiam ser.

A crise da educação não é uma crise, entre as muitas crises que temos, uma vez que a educação é o cerne do problema. O mundo está em uma profunda crise por não termos uma educação voltada para a consciência. Nossa educação está estruturada de uma forma que rouba as pessoas de sua consciência, seu tempo e sua vida.

O modelo de desenvolvimento econômico de hoje tem ofuscado o desenvolvimento da pessoa.

Como seria uma educação para a qual sejamos seres completos?

A educação ensina as pessoas a passarem por exames, não a pensarem por si mesmas. É um tipo de exame em que não se mede a compreensão e sim a capacidade de repetir. É ridículo, se perde uma grande quantidade de energia! Ao invés de uma educação para a informação, precisamos de uma educação que aborde o aspecto emocional e uma educação da mente profunda. Para mim parece que estamos presos entre uma alternativa idiota, que é a educação secular e uma educação autoritária, que é a educação religiosa tradicional. Está tudo bem separar o Estado e a Igreja mas, por exemplo, a Espanha, tem descartado o espírito, como se religião e espírito fossem a mesma coisa. Precisamos que a educação também atenda à mente profunda.”

11/04/2018

Por vezes é difícil fazer diferente. A automatização que usamos para lidar com a nossa vida faz com que estejamos a conduzir a nossa vida como conduzimos um carro: já nem sabemos em que mudança estamos. Uma abordagem de maior presença no aqui e agora ajuda. E hoje em dia temos ferramentas muito interessantes como o mindfulness. De facto podemos introduzir no nosso dia-a-dia pequenos momentos de paragem e de respiração, e ver o que acontece!

Mas podemos fazer mais, especialmente quando fazemos sempre o mesmo movimento – automatizado – e esperamos por resultados diferentes. Esta armadilha é comum: continuamos a responder da mesma forma aos outros, com a mesma energia, ou não saímos das nossas rotinas que nos dão segurança. Quando tudo está instituído e fazemos o mesmo há 20, 30, 40 anos, como fazer diferente? É quase como se não soubéssemos como! É possível, no entanto, colocar pequenas sementes no processo de desenvolvimento. Podemos começar fazer pequenos movimentos, alterar pequenas rotinas.

Deixamos aqui algumas questões para reflexão. Antes de responder, tente encontrar um lugar adequado para fazer este exercício sem interrupções. Respire primeiro, profunda e tranquilamente e tente responder com as primeiras sensações que surgirem. Não tem de surgir uma resposta única e lembre-se: não existem certos nem errados.

  • Estarei demasiado “automatizada/o” na minha vida?
  • Que movimentos “velhos” continuo a repetir e que gostaria de deixar de fazer?
  • Que movimentos diferentes/ novos posso inserir na minha rotina?
  • Preciso de grandes e repentinas alterações na minha vida, ou preciso de respeitar o meu ritmo mais lento?

Ana Caeiro

28/03/2018

Estávamos todos dentro dum círculo de giz branco num fundo negro.

Ninguém podia pôr os pés fóra do círculo de giz ou seria engolido pelo abismo.

Ouviam-se cânticos índios, todos cantavam e dançavam em volta de uma grande fogueira.

Os antepassados foram invocados e rapidamente alguns caíam em profundo transe.

A noite negra e estrelada rodeaxa o círculo de giz como se este estivesse perdido, solto, no meio do Universo.

Lentamente o círculo de giz ia rodando e arrastando todos com ele, como uma bola de neve gigantesca.

Do círculo saía uma luz intensa, branca, brilhante, numa explosão de vida, de força de energia.

Os cânticos ressoavam e um cheiro intenso de muitos aromas pairava no ar.

Todos estavam felizes, unidos, juntando os seus ancestrais saberes, para assim poderem evoluir como seres únicos e portadores dum segredo Universal.

Da união energética, fraterna, única, entre estas almas nasce uma cadeia de amor e protecção incondicional que, a pouco e pouco , vai mudando o Mundo.

Leonor Braga

13/03/2018

Pela manhã passeava pela estrada e olhava os caminhos que desconhecia, ía atenta para não me perder, seguindo pelo trilho assinalado.

Com atenção focada no que estava à volta, no ranger dos ramos das árvores, no cantar dos pássaros, na variedade de tamanho dos cogumelos que brotavam da terra húmida, nos tons de verde que tornavam aquele lugar singular, conseguia ao mesmo tempo ouvir a minha respiração no silêncio que me envolvia.

Não me esquecia de cada passo que dava porque, ao calcar as pedras irregulares nas quais tantas vezes tropecei, por estas teimarem em não abrir caminho à minha passagem – o que daria muito jeito -, ia sentindo o quanto o caminho era tortuoso! Numa ou noutra vez até me fizeram ir ao chão. Limpava os joelhos e continuava determinada em prosseguir.

Vieram os temporais, as chuvadas intensas, os caminhos difíceis de trilhar, veio a vontade de desistir… mas o sol acabava por brilhar, mesmo que não estivesse visível, aquecia o meu coração e aos poucos envolvi-me naquela paisagem paradisáca e fui-me abstraindo, ao longo do trilho, de tudo o que me rodeava, pois já estava em unidade com o meio.

Um certo dia dei por mim como que obstinada, a caminhar na direção duma pedra que vislumbrava lá ao longe, como se ela me chamasse… cheguei perto e observei… era muito bonita! Via-se que escondia algo dentro dela, algo valioso!

Decidi parar e ficar a contemplar. Passei dias e dias…

O que aquela pedra fazia no meu caminho? E que pedra especial era aquela?

Mais e mais perguntas invadiam a minha mente…

Peguei nela e fechei-a na mão, num gesto que egoisticamente dizia: “és minha!” Não podia perdê-la, queria sentir o que emanava dela.

Fui abrindo a mão aos poucos e permitindo que respirasse, que tomasse forma, que existisse tal como é, com a dureza que a carateriza, porém, com um valor inestimável pela grandiosidade da sua essência.

Ao mesmo tempo observei-a de várias perspetivas, vendo para lá da sua beleza, daquela beleza que todos podem apreciar… Já não está prisioneira do meu olhar, nem do enrijecimento das intempéries…

Guardei essa pedra preciosa junto ao meu coração até hoje…

Todos somos árvores, caminhos, flores, pedras… e Pedras Preciosas!!!!

Cristina Santos