A responsabilidade é apreendida e interiorizada de forma progressiva.
A partir do momento que a criança começa a ter consciência de si mesma e já consegue agir sobre o meio, é possível começar a ensinar e estimular a responsabilização por algumas tarefas ou atos.
Podemos desde cedo, levá-los pela mão e solicitar a ajuda para que arrume um brinquedo ou que ponha a chucha no armário ou a fralda no caixote do lixo, vendo como se faz através do nosso exemplo e ajuda.
Estas tarefas deverão ser incentivadas de forma positiva e reforçadas com palavras e gestos de apreço sempre que a criança as realize (não deverão ser exigidas).
A criança sentir-se-á valorizada e importante, fortalecendo a sua autoestima ao mesmo tempo que inicia o seu processo de responsabilização.
Estes são factores determinantes e fundamentais para o seu bom desenvolvimento. O nível de exigência deverá ser adequado à fase de desenvolvimento e à compreensão da criança. Encontrar um meio-termo na exigência feita às crianças nem sempre é fácil, mas deverá ser este, o objetivo a atingir.
Verificam-se duas atitudes opostas por parte dos educadores:
Atitudes superprotetoras que não permitem desenvolver a responsabilidade, preferindo executar as tarefas em vez de ensinar e esperar que as saibam fazer, ou, colocarem-se numa situação de escudo, onde a criança não consegue perceber a causa-efeito das suas atitudes. Esta atitude entorpece o desenvolvimento e pode implicar uma dificuldade acrescida na sua adaptação social.
Por outro lado, temos o outro extremo, o excesso de exigência quando a criança ainda não possui capacidade para lhe corresponder. Esta situação, pode implicar insegurança e uma noção de incapacidade para fazer face às novas situações que possam surgir durante o seu processo de desenvolvimento e da vida adulta.
Por tudo isto, os pais devem fazer um esforço acrescido apelando ao bom senso para encontrarmos o tal meio termo que seja facilitador do desenvolvimento da responsabilidade das crianças.
Se por um lado não devemos prolongar um bebé que já cresceu, por outro, não devemos exigir atitudes de um adulto naqueles que, ainda têm pela frente uns quantos anos de aprendizagem para lá chegar.
Então, o que fazer?
– Devemos sempre dar o exemplo, não esquecendo que nós somos o modelo pelo qual as nossas crianças se guiam.
– Ensinar primeiro para que a criança aprenda como fazer.
– Esperar e ser prevalecente naquilo que se pediu à criança. Ter em atenção que a interiorização da informação e a prática por vezes demora algum tempo.
– Ensinar a criança a cuidar e a responder pelas suas coisas, mas também pelas dos outros.
– Ensinar-lhe, conversando, sobre a importância de respeitarmos regras da sociedade, da família e da escola.
– Pedir a sua participação, tendo em conta as suas possibilidades, nas tarefas domésticas.
– Em idade escolar sensibilizar a criança para a sua responsabilidade para com o estudo e para com as suas obrigações escolares, devendo responder perante elas com o seu esforço e dedicação.
– Ensinar-lhe as consequências dos seus atos, quer sejam adequados ou desadequados.
– Valorizar a criança sempre que se mostre responsável e conversar com ela sobre a importância e benefícios da sua atitude.
– É excelente ensinar a criança a refletir e a pensar no porquê das coisas. Utilizar exemplos práticos do dia-a-dia para que possa perceber os efeitos ou consequências e os benefícios ou malefícios de determinados comportamentos.
Que mais se poderá dizer?
Fale de si e da sua experiencia enquanto pessoa e tenha boas e longas conversas de partilha e amor, estas serão sem dúvida todo o alicerce da grande construção que é a educação dos nossos filhos.
Sandra Mendes
Hoje pela manhã, espreitei o céu e pairavam no ar, livremente, uns pássaros.
Deitado em cima da minha cama estava o Tomás de 8 anos, e eu para não perder uma oportunidade de o ensinar, perguntei-lhe: sabes como se chamam aqueles pássaros? E ele espreitou e ainda ensonado, disse: – são pretos e têm um biquinho laranja? … são melros!
Pois são, disse eu!
E eu voltei a perguntar: e se fossem todos pretos? Como se chamavam?
E este diálogo poderia continuar sem parar, mas o Tomás já não me respondeu… quando olhei… já tinha saltado da cama e estava a brincar com uns bonecos que ganham vida nas suas mãos… no seu mundo de fantasia, onde todos os pássaros, independentemente, do seu nome, têm lugar…
Ser criança é viver entre a fantasia e a realidade, onde os dois mundos são a integração do seu ser, do seu pensar, da sua história… onde elabora o que se passa nas suas vivências e nos seus desejos.
Um dia, um pai perguntou-me, falando da sua filha de 6 anos: – acha normal, ela querer ser princesa, neste mundo tão competitivo? Ela tem que desejar ser médica ou…
Para que as crianças possam crescer saudáveis e um dia serem adultos equilibrados, é fundamental brincarem e incorporarem as suas fantasias, para que aos poucos se possam ir adequando ao mundo.
Brincar é primordial e é o alicerce, até que aos poucos a fantasia vai dando lugar à realidade, aos sonhos e aos objectivos que queremos alcançar.
Ficam algumas ideias para brincarem com as crianças à vossa volta.
Actividades ao ar livre:
– andar de bicicleta
– trotineta
– patins
– jogar à bola
– fazer corridas
– lançar papagaios de papel…
Quando um adulto brinca está a cuidar da sua criança interior… observe-se e sinta-se… olhe para a alegria que as crianças mostram quando brincam!!!
“Tenho em mim todos os sonhos do mundo”, disse Fernando Pessoa.
Cristina Santos