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Etiqueta: resoluções

Janeiro 4, 2018

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A maioria das vezes, quando iniciamos um novo ano, os nossos desejos são formulados ao redor do pensamento cliché de que com saúde – e já agora dinheiro no bolso – tudo se resolve!

Pouco refletimos sobre o que assim estamos a desejar de forma tão automática e ficamos sem entender o que queremos verdadeiramente.

Se pensarmos bem, nem mesmo a saúde e o dinheiro nos trazem paz, por isso, aqui ficam algumas sugestões de resoluções que podem melhorar a nossa vida neste início de 2018:

  1. Liberdade interna
    A liberdade é algo diferente da sensação que temos quando viajamos para algum destino paradisíaco, fazemos o que nos dá na vontade ou até mesmo da euforia que sentimos por não receber ordens.

Mesmo quem vive de um lado para o outro com uma mochila às costas, por exemplo, pode estar tão asfixiado como um workaholic de uma multinacional. E até mesmo quem tem como objetivo praticar o “bem” na vida pode estar tão preso nesse guião como a pessoa com maior má vontade do mundo!

A liberdade é um tipo de capacidade que nos permite deliberar com o mínimo de condicionamentos restritivos.  Aproxima-se mais da habilidade de deitar por terra aquela tentativa da nossa mente de solidificar a vida num frasquinho de certezas. Que tal começarmos a trabalhar nisso este ano?

  1. Desejos mais conscientes
    Se obedecêssemos de imediato aos seus desejos seríamos presas fáceis do egocentrismo, da arrogância, do consumismo, da gula ou, até mesmo, da necessidade compulsiva de apregoar a paz na Terra, afastando os amigos com a nossa atitude chata (!).

Do mais fútil ao mais altruísta, qualquer tipo de desejo que passe invisível ao radar do consciente irá levar-nos, inevitavelmente, de objeto de desejo em objeto de desejo, só para que fiquemos satisfeitos. E o resultado será apenas mais insatisfação.

  1. Capacidade de gerar felicidade
    Viver num ambiente onde a ternura abunda é até fácil, mas conseguir cativar um sorriso genuíno de alguém parece ter um efeito reverberante muito mais poderoso. Esta cadeia de cuidados e olhar atento ao caminho do outro cria um ciclo positivo de manifestações de carinho coletivo.

Ao nosso redor todos agradecem, sobretudo, quem mora connosco!

  1. Resiliência para os dias difíceis
    Cada ano traz novas oportunidades para nos agarrarmos àquilo que consideramos que nos fará felizes, mas esconde uma grande dose de sofrimento pelo apego.

O desafio é perceber que estamos idolatrando mais do que deveríamos, de modo a conseguirmos resistir ao impulso de ficarmos aprisionados na nossa própria alegria e, assim, incapazes de usufruir da vida com leveza.

Ao conseguirmos resistir ao impulso de ficarmos fechados numa ideia, lugar ou pessoa, os dias difíceis tendem a ser muito mais fáceis.

  1. Capacidade de negociar com os próprios desejos
    Se o nosso desejo é ter muito dinheiro no bolso, por exemplo, pode acontecer que nem toda a fortuna do mundo seja capaz de saciar o nosso desejo.

É fulcral que sejamos capazes de nos sentir bem com o que conseguimos, mesmo que não conquistemos tudo o que desejámos.

  1. Saber reconhecer os movimentos internos
    É fundamental que cada um de nós consiga desenvolver a capacidade de ter um GPS interno, que nos guie nas rotas pessoais. Aquela voz interior que nos ajuda a não nos perdermos de nós próprios, seja com atitudes impulsivas, reativas ou que estejam desconectadas dos nossos valores internos.

Saber mergulhar dentro de nós, antes de tomarmos grandes ou pequenas decisões de cabeça quente, é fundamental para não fechar portas ao nosso caminho.

  1. Lidar com a incompletude da vida
    Um passo importante é lidarmos com o facto de que sempre existirá uma dimensão de incompletude na vida. Na verdade, tornamo-nos num poço de inconformismo e insatisfação quando ainda mantemos a esperança de algum dia isso ser saciado.

Encarar a realidade da vida é imperioso: Em momento algum chegaremos ao topo da montanha, uma vez que, na vida, não há topo, nem montanha!

  1. Parar de sonhar com realidades mágicas
    Uma realidade mágica é tudo aquilo que nos causa angústia só de pensar, por ser muito grande, desprovido de senso de realidade e estar fora de nossa área de influência.

É importante tentar olhar ao redor e reconhecer a beleza que já existe na nossa vida, mesmo que seja numa porção fragmentada, manca, incompleta, estranha e contraditória.

  1. Assumir que nada acontece sem se lidar com o medo
    A concretização de uma meta estipulada não vai salvar a nossa alma e o nosso ano. Insistir nisto impele-nos a aprender a conviver com o medo constante do fracasso, da perda, do desapontamento, da rejeição e do “quase”.

Ao desejarmos garantias absolutas e nenhum medo, apenas estamos a mostrar que não entendemos nada sobre atingir metas. Aquilo que consideramos que desejamos mais do que tudo só tem essa magnitude pois está fora da nossa zona de conforto.

  1. Parar de considerar que as listas são autorrealizáveis
    As listas onde enunciamos os nossos objetivos ainda não têm o poder de se realizarem apenas porque sentimos do fundo do coração que “é agora”!

Para concretizar cada item, é preciso pequenas doses de treino diário. São posturas mentais, não treino físico, mas que exigem a mesma disciplina que para terem resultado. Apenas a boa vontade não resolve nada.

De acordo com a lista de cada um, devemo-nos sempre questionar: Vou realmente limitar-me a isto? O que realmente desejo? Posso facilitar a vida de alguém? Estou preso ao meu sofrimento? Estou conectado aos meus valores? O que se passa dentro de mim? O que não aceito nesta vida? Estou a olhar para demasiado longe de mim? Posso lidar com este medo?

Feliz ano novo!

* Adaptado de um artigo da autoria de Frederico Mattos, publicado no site brasileiro Papo de Homem.