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09/05/2019

No artigo de opinião publicado no site da revista Sábado, Sofia Ramalho, Vice-Presidente da Ordem dos Psicólogos Portugueses defende que a ciência psicológica ocupará “as agendas humana, sociopolítica e económica” e será a profissão para o século XXI. Para que percebam as razões por detrás desta afirmações, reproduzimos aqui, no blog da Sintricare, este artigo na íntegra.

“A sociedade afigura-se cada vez mais assoberbada de frenesim, de horas infindáveis de trabalho e altos índices de stress, de telemóveis ou outros aparelhos eletrónicos ligados à corrente humana 24 sobre 24 horas, comportamentos que se vão transformando em hábitos tóxicos, crónicos e inconscientes, a par com profundas alterações sociais, situações de pobreza e de degradação humana, alterações ambientais e catástrofes pelo mundo fora. Ao mesmo tempo o ser humano e a sociedade compadecem-se com uma carência existencial e de tempo, de humanismo, de relações saudáveis e de afetos.

Creio, ainda assim, que estas circunstâncias não determinam tudo. A capacidade de ajustamento do ser humano às mudanças e aos desafios, em resistir às intempéries sociais e emocionais, a capacidade de recuperação face às adversidades ou a situações traumáticas são importantíssimos, e a ajuda psicológica pode tornar-se reguladora, capacitante e transformadora. Afinal, para grandes problemas, nem sempre são necessárias grandes soluções e a Psicologia, com pequenas ações de intencionalidade sistemática, é um bom exemplo disso mesmo e constitui um excelente instrumento de intervenção pessoal ou numa população. Creio ser um dos melhores investimentos pessoais ou sociopolíticos de todas as gerações.

A ciência psicológica ocupa e ocupará as agendas humana, sociopolítica e económica e protagoniza a profissão para o século XXI. Nela se encontrarão as soluções para o custo físico, psicológico e económico da doença. Nela se encontrarão as soluções para o custo de décadas de falta de escolarização, (des)educação, (de)formação e (des)envolvimento de competências que não puderam ser colocadas ao serviço da produtividade no trabalho, da participação cívica e da própria governação. Nela se encontrarão as soluções para o bem-estar, para a satisfação com a vida familiar ou social, para retomar a confiança nas relações interpessoais e nas instituições e demais entidades que servem a sociedade. Nela se encontrarão as soluções para o profundo desenvolvimento humano e da sociedade. A Psicologia, enquanto ciência para o século XXI, está cada vez mais focada em investigar as variáveis psicológicas subjacentes aos comportamentos, ajudando as pessoas a fazer escolhas que promovam o bem-estar e a sua saúde nos seus diferentes contextos de vida.

São estes mesmos comportamentos individuais (e os seus desvios) que determinam frequentemente os comportamentos sociais e afetam toda uma economia, política e sociedade. Mas são também estes mesmos comportamentos individuais ou sociais, para os quais a ciência psicológica propõe metodologias de mudança, que aplicados na prática aos diferentes fenómenos económicos, políticos e societais, são capazes de produzir as ditas soluções micro para problemas macro.”

23/05/2018

Era uma vez um homem à espera.

O homem estava sentado numa pedra à beira da estrada e esperava…

Porque esperava ele?

Por quem esperava ele?

O que esperava ele?

A isso não podemos responder…

Apenas sabemos que esperava!

Os dias, as horas, os minutos, os segundos, todos os tempos passavam sem que ele movesse um só dedo!

Mudo e quedo o homem esperava…

Sucediam-se sóis e chuvas, escuridões e claridades, ventos e calmarias e nada o demovia da sua longa, eterna espera.

Até que um dia de sol quente e brilhante, o homem pestanejou, rodou lentamente a cabeça e olhou para trás.

Atrás de si viu tudo!

A sua vida passada em que ousou ter sentimentos: inúmeras tristezas, imensas alegrias, longas guerras, mais longas acalmias, lágrimas muitas, sorrisos sem fim…

Porque temia então, há tanto tempo, regressar à sua vida passada e esperava agora imóvel, naquela rocha?

Olhou em frente e viu o futuro!

Este era belo, de muitas cores, rico, perfumado, calmo e cheio de luz!

Porque esperara então?

Esperara até poder vê-lo!

Só agora, depois de tanto tempo parado, imóvel, expectante, conseguia ver o futuro.

Valera a pena a espera e o homem, lentamente levantou-se e seguiu o seu caminho!

 

Leonor Braga

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