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Etiqueta: crianças

Julho 20, 2017

“Adoro o que faço, porque é parte integrante de mim”

 

Cristina Santos é a diretora técnica e co-fundadora da Sintricare, a Clínica de Psicologia e Psicoterapia que, desde 2000, sempre na mesma rua de Sintra, se dedicada à promoção do bem-estar psicológico das crianças, jovens e suas famílias.

É Psicóloga, com especialização na área da Educação e Orientação Escolar e Profissional, e também psicoterapeuta. De entre os vários serviços disponíveis na Sintricare, é responsável pelas consultas de Orientação Profissional, Psicologia Clínica e Psicoterapia para Crianças e Jovens, Psicologia Educacional e Reabilitação Cognitiva.

 

Quando é que decidiu ser psicóloga?

Fizeram-me essa mesma pergunta quando estava a frequentar o Curso de Psicologia, na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT). Nessa altura tive de refletir sobre o assunto e acho que está na minha natureza. É uma aptidão natural o cuidar do outro, ainda desde os tempos da escola. Já me preocupava com o que faltava ao outro e levava o que era necessário – desde o dinheiro de reserva ao kit de costura. A psicologia surgiu por gostar da área da medicina e já que cuidar, de alguma forma, encaixava em mim.

 

Por que se especializou na vertente da Educação e Orientação Escolar e Profissional?

Para cuidar e ajudar as crianças a estarem mais protegidas, apesar de não ser um trabalho nada fácil. Entendo-me no mundo das crianças.

 

Qual a diferença entre a psicologia e a psicoterapia?

A vertente da psicoterapia é muito mais profunda e ligada às emoções do que a psicologia, que também cuida, mas a psicoterapia cuida muito mais. No início da Sintricare, comecei a ter aguma dificuldade em trabalhar a emoção, daí ter completado a minha fomação com a psicoterapia, que trabalha mais o corpo.

 

Em que altura decidiu fundar em Sintricare?

Logo que acabei o curso, em 2000. Na altura, já se trabalhava muito a área clínica. E como a minha base é a psicologia educacional e gostava de trabalhar com as crianças, enveredei por esta área que, regra geral, é desenvolvida nas escolas. Como é muito difícil entrar e houve muitos anos sem concursos, não quis estar sem pôr em prática o que tinha aprendido. Daí, ter optado por exercer esta vertente que só existe nas escolas, em consultório.

 

E porquê em Sintra?

Na altura, não havia nenhuma clínica nesta área e, como sempre gostei de Sintra, a escolha foi naturalmente aqui. Aliás, apesar de já ter tido várias localizações, a clínica continua a funcionar na mesma rua.

 

Qual é o objetivo principal do trabalho desenvolvido na Sintricare?

O centro existe mais no sentido da proteção das crianças do que da prevenção. Quem tem o privilégio de fazer terapia, tem o privilégio de tomar consciência de si. São ferramentas para o resto da vida, porque o trabalho que é feito com as crianças e jovens ao nível da terapia fica neles para sempre.

 

Ao longo destes 17 anos, a clínica tem sofrido muitas alterações?

Apesar de já ter ido outras valências que deixaram de existir, quer pela crise ou por terapeutas que tomaram outos rumos, a Sintricare tem-me sempre a mim na sua base. É dinâmica, mas nasceu como Clínica de Psicologia, vocacionada para criaças e jovens, e a ideia inical ainda prevalece. Há sempre mudanças, como a Sala de Estudo, que sempre tive ideia de implementar, mas só foi possível o ano letivo passado, graças ao espaço que, atualmente, alberga a clínica.

 

Quais são as expetativas para os próximos anos?

Gostaria de chegar a mais pessoas e colocar outros projetos em prática com maior dinâmica.

 

Para si, hoje em dia, qual é a grande dificuldade das crianças e jovens?

São as famílias. De uma forma muito lata, as famílias traduzem a sociedade, que nos está a trazer grandes desafios. A educação de antigamente não é a de agora e os modelos que os nossos pais nos passaram, hoje em dia, já não servem para os nossos filhos. Os pais entre os 35 e 55 anos andam perdidos, com dificuldade em ver o que funciona. Os filhos trazem novos desafios, a escola está desatualizada e hoje têm acesso a tecnologias que evoluem de uma forma alucinante. Nós andamos a encontrar o caminho. Temos dificuldade em ensiná-los, já que muita da educação que damos tem a nossa própria educação como ponto partida. De nada servir, é complicado. Os valores mudam, os pais andam perdidos e as famílias desorganizadas. São os desafios da sociedade em que vivemos, que é muito diferente.

 

Nesse sentido, como considera que se pode ajudar as famílias?

Individualmente! Cada família é uma necessidade e cada jovem é uma necessidade única e cada dinâmica de cada família é única… Não é possível generalizar. Temos de olhar quase ao miscroscópio para cada pessoa para podermos ajudar efetivamente. É preciso praticar as dicas: mudar hábitos e comportamentos é o mas difícil para o ser humano.

 

Como se caracteriza?

Sou muito dinâmica, exigente e rápida profissionalmente. Internamente, sou calma, quietinha e capaz de estar muito tempo parada. Dentro de mim, tenho tanta coisa…

 

O que a faz sentir realizada profissionalmente?

Quando vejo trabalho feito. E isto acontece quando, passado uns anos, me dizem que fez a diferença. Vejo que valeu a pena e dá-me força para continuar. Ajudar os jovens a desinibirem-se, tomarem consciência de si, trabalharem a auto-estima, dar-lhes recursos… Adoro o que faço, porque é parte integrante de mim.

 

E o que a deixa feliz?

O sorriso, um beijinho, um abraço. Poder fazer isso, faz toda a diferença.

Fevereiro 23, 2017

“Alike” é uma curta-metragem de animação que nos ajuda, em cerca de oito minutos, a refletir sobre como condicionamos a criatividade das crianças.

Uma obra artística capaz de mostrar, com alegria, o modo como a cada dia, gesto, palavra e ausência, vamos rompendo a capacidade criativa dos nossos filhos.

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