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Etiqueta: biossíntese

Setembro 26, 2018

A melhor fase da nossa vida tem de ser aquela onde nos encontramos. O desafio é precisamente esse. Pensei neste tema enquanto olhava para o meu filho e pensava: é a melhor fase da vida dele. Ponderei vários motivos, entre eles a despreocupação de um menino de 3 anos, com a vida pela frente. Mas depois pensei: ainda assim, tem tantos desafios… Sim, se calhar a melhor fase é depois da adolescência, quando entramos na vida adulta, começamos a trabalhar e sentimos que vamos na direção de algo, que somos capazes! Depois pensei em mim: a imaturidade emocional era grande. Havia um grande sentido de responsabilidade, de ética e de funcionamento, mas a nível emocional ainda existia um mar para navegar.

Fiquei então na bruma. E ao refletir um pouco concluí algo que pode ser um cliché, mas que é algo que podemos desejar e procurar encontrar: a melhor fase da nossa vida tem de ser aquela onde nos encontramos. O desprendimento temporal a tempos antigos da nossa vida, leva-nos a acreditar, de uma forma algo ingénua, que lá para trás fomos muito felizes, apesar dos percalços. O negativo fica esbaforido na contagem do tempo ou, deturpadamente, fica numa forma ilusória como algo “que não foi tão mau assim”. A par disto, as coisas boas crescem, valorizam-se e, quais portugueses saudosos, olhamos para os eventos do nosso passado como os “melhores”, os mais “preenchidos”, os mais “felizes”.

Mas podem ser apenas ilusões. O desafio maior que temos nas nossas vidas não é sermos felizes, é estarmos na melhor fase das nossas vidas, precisamente no momento em que nos encontramos, com tudo o que isso traz. Sejam encontros ou desencontros. Pode parecer ilógico de algum ponto de vista, pois o ser humano não quer sofrer, mas na realidade, o passado não existe e o futuro ainda não se fez. Residem dentro de nós e podem ter um poder abissal e descontrolado. A grande aprendizagem é estar presente no momento em que nos situamos, conectados, aceitando o que surge. Essa aprendizagem é a vida!

Ana Caeiro 

Abril 11, 2018

Por vezes é difícil fazer diferente. A automatização que usamos para lidar com a nossa vida faz com que estejamos a conduzir a nossa vida como conduzimos um carro: já nem sabemos em que mudança estamos. Uma abordagem de maior presença no aqui e agora ajuda. E hoje em dia temos ferramentas muito interessantes como o mindfulness. De facto podemos introduzir no nosso dia-a-dia pequenos momentos de paragem e de respiração, e ver o que acontece!

Mas podemos fazer mais, especialmente quando fazemos sempre o mesmo movimento – automatizado – e esperamos por resultados diferentes. Esta armadilha é comum: continuamos a responder da mesma forma aos outros, com a mesma energia, ou não saímos das nossas rotinas que nos dão segurança. Quando tudo está instituído e fazemos o mesmo há 20, 30, 40 anos, como fazer diferente? É quase como se não soubéssemos como! É possível, no entanto, colocar pequenas sementes no processo de desenvolvimento. Podemos começar fazer pequenos movimentos, alterar pequenas rotinas.

Deixamos aqui algumas questões para reflexão. Antes de responder, tente encontrar um lugar adequado para fazer este exercício sem interrupções. Respire primeiro, profunda e tranquilamente e tente responder com as primeiras sensações que surgirem. Não tem de surgir uma resposta única e lembre-se: não existem certos nem errados.

  • Estarei demasiado “automatizada/o” na minha vida?
  • Que movimentos “velhos” continuo a repetir e que gostaria de deixar de fazer?
  • Que movimentos diferentes/ novos posso inserir na minha rotina?
  • Preciso de grandes e repentinas alterações na minha vida, ou preciso de respeitar o meu ritmo mais lento?

Ana Caeiro

Janeiro 31, 2018

Dizem que chorar lava a alma, mas também dizem que os homens não choram. Diz-se muito daquilo que se sente. Assim que nascemos temos de chorar, para depois aprender a não o fazer. Aprendemos que essa é uma fragilidade que devemos esconder numa gaveta, junto com as lamechices, os corações cor-de-rosa, as festinhas e o “amo-te”.

Tal como tudo aquilo que podemos fazer como seres humanos otimizados que somos, o choro tem uma função, é importante. Da mesma forma que o medo tem uma base funcional importante na nossa vida, o choro é também essencial e não deve ser contido ou controlado. O problema surge quando aprendemos a lidar incorretamente com esta função que o nosso corpo sabiamente desenvolveu.

Saímos do túnel escuro ontem estivemos mais de 9 meses e todos os seres estranhos e de batas brancas que estão neste espaço tão iluminado ficam aliviados quando choramos. Depois deste momento, o choro é um aviso, uma arma e um problema. Servirá de termómetro enquanto os bebés vão crescendo. É uma arma quando o usamos como um meio para chegar a um determinado fim. É um problema porque se limitam as crianças desde bebés a não largarem as suas lágrimas, a não partilharem as suas águas com o mundo. Faz barulho. Não nos deixa dormir. Mostra fragilidade. Entre outras e outras e outras.

Passamos uma vida a não chorar. Contemos. Engolimos as emoções porque não é bonito mostrar. Então elas ficam, com armas e bagagens na nossa barriga que às vezes incha voluptuosamente, deixando antever um mar de sentimentos engasgados.

Quando decidimos olhar para nós, seja em terapia ou em trabalho de desenvolvimento pessoal, temos de olhar para esta nossa barriga. É preciso fazer abdominais emocionais para deixar sair aquilo que já não nos serve e que não conseguimos guardar mais. Mas estes abdominais são mais difíceis que os normais. Mais do que ao corpo, fazem doer a alma. Ou assim parece.

É por isso que os primeiros choros da vida adulta são insuficientes. Não são conectados, não lavam a alma e deixam-nos zonzos com a respiração que se (re)estabelece e com o chute de energia que sobe à cabeça e aos olhos em particular. Não choramos com a barriga e a descarga é falsa: há apenas a movimentação de alguma tensão de um lado para o outro no corpo. Mas nesta fase podemos continuar desconectados mas há o ressurgimento de uma vontade de olhar de uma forma diferente.

É quando mergulhamos intensamente em nós que navegamos na possibilidade de nadar nas nossas lágrimas: o choro é conectado e vem dessa barriga tão cheia que precisa de extravasar, mas delicadamente, pulsando lágrima a lágrima em cada inspiração e expiração.

Ana Caeiro, terapeuta em biossíntese.

Dezembro 13, 2017

No passado dia 8 de dezembro reunimos na Sintricare para falar da relação que temos connosco. Falámos de autoestima, amor-próprio e autocompaixão. O encontro começou com uma questão: qual é o melhor momento da nossa vida? Quando eramos bebés e sem preocupações? Quando somos jovens adultos, cheios de energia e a ganhar independência financeira? Cada fase tem desafios.

Assim, o maior desafio que temos nas nossas vidas pode não ser atingir a felicidade, mas sim estarmos na melhor fase das nossas vidas, precisamente no momento em que nos encontramos, com tudo o que isso traz. Sejam encontros ou desencontros. E a relação que temos connosco é a base de tudo isso.

Na perspetiva apresentada, a autoestima foi definida como forma de valorização pessoal e enquadra a forma como olhamos para nós, como nos cuidamos e estimamos. É como que uma avaliação subjetiva que fazemos a nós próprios e que pode ser positiva ou negativa. O amor-próprio define a relação connosco, o quanto nos amamos ou não… A autocompaixão reside na base destas duas dimensões e é acedida quando estas estão equilibradas.

Antes de referirmos o que é a autocompaixão, sublinhámos neste encontro aquilo que não é: egoísmo, exigência, piedade, fraqueza, pena, censura… A autocompaixão surge então quando encontramos um lugar de respeito por nós e onde podemos ser compreensivos, gentis, honestos connosco, com os nossos limites, sem nos sentirmos culpados e acima de tudo, sem crítica.

De facto, a autocrítica é a maior inimiga da autocompaixão e é muito importante observarmo-nos para identificarmos os nossos processos: quando é que pegamos no “chicote”? A partir daí, como é que podemos negociar connosco e evitar a autocrítica? Como podemos encontrar um lugar onde, contactando com o nosso lado saudável, podemos ouvir as nossas dificuldades, dar-lhes algum espaço, sem nos deixarmos levar por elas, como se fossem o canto da sereia?

Respeitar o nosso ritmo é fundamental, pois permite manter o nosso comboio a andar à nossa velocidade, sem ser empurrado pelas necessidades dos outros. E para isso é importante termos tempo para nós, respirar, fazer algo que gostamos, apreciar a vida, viver com prazer! Nem que seja um minuto por dia, aumentando sempre a fasquia. Quanto tempo a mais ganhamos no final do mês? Vamos tentar?

Ana Caeiro

Novembro 29, 2017

São seis da manhã e estou sentada na sala. O cavaleiro andante acordou-me.

Estava num cavalo branco no alto duma colina belíssima e a sua armadura brilhava ao sol.

Para mim este cavaleiro representa o Terapeuta.

O Terapeuta em Biossíntese é um cavaleiro andante, um artista que busca a perfeição.

Ele é doce e terno, forte e assertivo, resistente e frágil, flexível e seguro.

Ele dá ao seu cliente Amor e recebe Amor em troca.

Há muito conforto e afeto nesta relação. Ele dá tudo o que tem e recebe muito mais.

As trocas de energia “amorosas” são imensas e abrangem o Universo.

Por cada gesto, por cada troca entre paciente e terapeuta, sinto que o mundo se torna um lugar melhor e mais centrado.

Será que ainda vamos a tempo de o melhorar?

Sinto que sim e faz todo o sentido estar aqui e agora e fazer parte deste, cada vez maior, grupo de pessoas que lutam pelo Amor, Paz, Equilíbrio, Tranquilidade, Bem-estar interior.

Estas forças poderosas irão definitivamente deixar um mundo melhor para nós e para os que vierem!

Isto para mim é Biossíntese e é por isso que aqui estou e para isso que aqui estamos!

Leonor Braga

Novembro 2, 2017

O workshop aberto “Transições – Como lidar com Mudanças”, com o objetivo de divulgar a Psicoterapia Corporal em Biossíntese, orientado por Ana Caeiro, a 1 de Novembro, na Sintricare, foi um sucesso. A este propósito, falámos com a psicoterapeuta da Sintricare, para perceber melhor como as mudanças nos podem afetar.

 

O que a motivou a desenvolver o workshop aberto “Transições – Como lidar com mudanças”?

Como psicoterapeuta, vejo este tema frequentemente nas consultas. É um tema que, para muitas pessoas traz muita ansiedade, sejam as mudanças repentinas e que não controlamos, ou as mudanças que queremos operar desde nós e que passam pela nossa tomada de decisão. Focando mais nesta última, as mudanças que são da nossa “responsabilidade”, surgem sempre muitas dúvidas e dificuldades. Podem abranger situações como mudar de emprego, terminar relações, mudar de casa… São decisões pessoais que as pessoas têm de tomar e que são difíceis! Abandonar algo que é conhecido, confortável e controlado, para algo que tem sempre um determinado grau de incerteza, acorda sentimentos de medo e insegurança e, por vezes, as pessoas preferem ficar em algo que lhes traz infelicidade ou sofrimento, mas que é previsível, do que dar um salto no desconhecido.

Considera que, hoje em dia, há uma dificuldade real em gerir e lidar com o que é novo? Na sua opinião, por que razões?

Sim, para a maioria das pessoas é difícil. O que é novo pode não ser conhecido. Vejamos o seguinte exemplo: eu posso mudar de emprego, ganhar exatamente o mesmo e ter as mesmas funções e responsabilidade. Mas vou ter um chefe novo, colegas diferentes… Onde para alguns esta é uma oportunidade, para outros é gerador de ansiedade! E também não podemos esquecer que as pessoas com um perfil mais rígido e controlador sentem mais esse desafio do desconhecido. O enfoque necessário é perceber que somos todos diferentes, cada um com a sua particularidade, e enquanto para alguns os novos desafios são ótimos, para outros são fonte de ansiedade e stress. E mesmo dentro dos que sentem mais estas dificuldades, cada um sentirá de maneira diferente e cada um terá as suas estratégias ou poderá encontrar ferramentas diferentes para lidar com isso.

Que repercussões tem, para o dia-a-dia, a forma como gerimos as transformações que ocorrem na vida?

Muitas! Porque lidar com aquilo que sai da rotina e que nos transmite segurança pode ser muito drenante a nível físico ou energético. E mesmo os próprios mecanismos e estratégias que desenvolvemos podem ter consequências. Quando, por exemplo, tendemos a “engolir” as nossas emoções para irmos para o mundo, esta contenção pode ter consequências psicológicas e físicas (somatização). Por outro lado, quando aprendemos a gerir as transformações que ocorrem na vida de uma forma mais tranquila, aceitando o que surge, os efeitos serão muito mais positivos e apaziguadores.

Qual é a perspetiva / abordagem da psicoterapia corporal em Biossíntese para lidar melhor com as mudanças?

Existem inúmeras ferramentas que podemos enumerar, principalmente relacionadas com o processo de desenvolvimento pessoal, associada a esta psicoterapia. Este é um processo de alterações a nível da nossa estrutura que demoram tempo e que têm o seu próprio processo. Ainda assim, a possibilidade de nos observarmos nesses momentos, ganhando um maior autoconhecimento, pode ser um ponto de partida. A par desta possibilidade, podemos fazer algo que parece ser simples: respirar. Quando estamos mais afetados ou ansiosos, temos uma respiração tendencialmente mais superficial. Se estivermos muito tristes e não quisermos chorar, por exemplo, sabemos que se respirarmos fundo, podemos quebrar e o choro vai surgir. Então o convite é que, nestes momentos de mudanças, possamos parar, estar connosco, e respirar um pouco, mas profundamente. Este movimento vai criar espaço e tempo, e estes dois elementos são essenciais quando somos mais impulsivos e agimos sem pensar, ou até mesmo mais emotivos, ficando na emoção sem tomar uma decisão ou ação.

Considera que o workshop aberto, realizado na Sintricare, para divulgar a Psicoterapia Corporal em Biossíntese, atingiu os objetivos previstos? Porquê?

Apesar de ser um workshop de curta duração, o objetivo era o de deixar algumas sementes, permitindo que as participantes pudessem levar algo com elas. Considero que foi possível, principalmente através das partilhas que muito enriqueceram a dinâmica de grupo e energia que se estabeleceu.

Setembro 20, 2016

Dizem que chorar lava a alma, mas também dizem que os homens não choram. Diz-se muito daquilo que se sente. Assim que nascemos temos de chorar, para depois aprender a não o fazer. Aprendemos que essa é uma fragilidade que devemos esconder numa gaveta, junto com as lamechices, os corações cor-de-rosa, as festinhas e o “amo-te”.

Tal como tudo aquilo que podemos fazer como seres humanos optimizados que somos, o choro tem uma função, é importante. Da mesma forma que o medo tem uma base funcional importante na nossa vida, o choro é também essencial e não deve ser contido ou controlado. O problema surge quando aprendemos a lidar incorrectamente com esta função que o nosso corpo sabiamente desenvolveu.

Saímos do túnel escuro ontem estivemos mais de 9 meses e todos os seres estranhos e de batas brancas que estão neste espaço tão iluminado ficam aliviados quando choramos. Depois deste momento, o choro é um aviso, uma arma e um problema. Servirá de termómetro: ah este choro, isto é fome. Hum, isto é sono! Lembro-me de estar grávida e ouvir estas palavras sábias: quando o teu filho chorar tu vais saber o que é (parecia uma premonição mágica, eles nascem e desce em nós, mulheres, a enciclopédia ser-mãe-deste-filho-em-particular). É mito. Enquanto algumas pessoas acertam, outras (como eu), vão por tentativa e erro. Muita fralda desnecessária é mudada quando a solução era apenas a de voltar a colocar a chucha na boca do menino.

O choro é uma arma quando o usamos como um meio para chegar a um determinado fim, e já vimos isto a acontecer na mesa ao lado num qualquer restaurante. É um problema porque se limitam as crianças desde bebés a não largarem as suas lágrimas, a não partilharem as suas águas com o mundo. Faz barulho. Não nos deixa dormir. Mostra fragilidade. Entre outras e outras e outras.

Passamos uma vida a não chorar. Contemos. Engolimos as emoções porque não é bonito mostrar. Então elas ficam, com armas e bagagens na nossa barriga que às vezes incha voluptuosamente, deixando antever um mar de sentimentos engasgados.

Quando decidimos olhar para nós, seja em terapia ou em trabalho de desenvolvimento pessoal, temos de olhar para esta nossa barriga. É preciso fazer abdominais emocionais para deixar sair aquilo que já não nos serve e que não conseguimos guardar mais. Mas estes abdominais são mais difíceis que os normais. Mais do que ao corpo, fazem doer a alma. Ou assim parece. É por isso que os primeiros choros da vida adulta são pensados. Não são conectados, não lavam a alma e deixam-nos zonzos com a respiração que se (re)estabelece e com o chute de energia que sobe à cabeça e aos olhos em particular. Não choramos com a barriga e a descarga é falsa: há apenas a movimentação de alguma tensão de um lado para o outro no corpo. Mas nesta fase podemos continuar desconectados mas há o ressurgimento de uma vontade de olhar de uma forma diferente.

É quando mergulhamos intensamente em nós que navegamos na possibilidade de nadar nas nossas lágrimas: o choro é conectado e vem dessa barriga tão cheia que precisa de extravasar, mas delicadamente, pulsando lágrima a lágrima em cada inspiração e expiração.

Texto de Ana Caeiro, Psicoterapeuta Corporal em Biossíntese
(ana.caeiro@mail.com)
Foto: David Marcu, unsplash.com

Agosto 29, 2016

Todas as nossas emoções e sensações têm um objectivo e uma funcionalidade. Se pensarmos na raiva (não na raiva cega), ela pode ser o motor que nos leva a fazer algo, que nos impele ao movimento. A tristeza permite a expressão de algo difícil e a sua mobilização para fora de nós, e a ansiedade e o medo também tem funções muito importantes.

Ao longo do tempo fomos afastando a ideia de que o ser humano é um animal e como tal, cortámos com a percepção daquilo que não é racional e renegamos o que é entendido como impulsos, intuições ou sensações primitivas. Mas somos animais, e o que me tem ajudado muito a perceber o corpo humano, é ter esta informação bem presente.

Vamos imaginar uma gazela. Esta gazela está na savana a comer a sua ervinha de uma forma tranquila mas presente, ou seja, está alerta ao que a rodeia. O seu batimento cardíaco é normal e é o sistema para-simpático que está a trabalhar. Repentinamente surge uma ameaça, há um leão por perto. A gazela dispara, o batimento cardíaco sobe e é o sistema simpático que toma a dianteira, promovendo a reacção de fuga. Quando a ameaça desaparece, assim desaparece o medo e a ansiedade, o batimento cardíaco diminui e a gazela volta calmamente ao seu pasto. Este é o movimento natural entre ficar ansioso e relaxar. O medo e ansiedade têm então esta funcionalidade: manter o alerta para potenciais ameaças e reagir perante elas.

Então qual a ligação para o homem? O grande problema do homem permanentemente ansioso é que não consegue parar de correr a fugir de um leão que só existe na sua cabeça. Há um botão que está sempre ou quase sempre ligado (consciente ou inconscientemente) e que o faz estar ansioso: com um batimento cardíaco mais acelerado, dores de barriga e, em casos mais graves, uma inabilidade tremenda em funcionar.

Texto de Ana Caeiro, Psicoterapeuta Corporal em Biossíntese
(ana.caeiro@mail.com)
Foto: Milada Vigerova, unsplash.com

Agosto 3, 2016

O Holding é um dos temas da Pós-Graduação em Psicoterapia Corporal em Biossíntese e a sua definição sugere apoio, sustentação e segurança. Quando nascemos precisamos ser vistos, tocados e necessitamos de nos sentir em segurança. A forma como fomos nutridos nesta fase inicial da vida é fundamental e pode trazer respostas para a forma como nos sentimos hoje. Como fui recebido pela minha família? Como fui visto e cuidado?

Os sentidos assumem uma grande importância nesta altura, pois é através deles que o bebé vai percepcionar o mundo. Quando nascemos já trazemos os cinco sentidos desenvolvidos e na audição, embora o bebé possa não perceber o que lhe é dito, a forma e o tom de tudo o que o circunda é muito importante. Ele sabe distinguir entre a voz meiga do cuidador ou uma voz irritada. E vai reagir a isso.

Imaginem então a importância do toque num corpo que passa por uma transição tão grande: estava numa bolha, num mundo aquático e vem para um local onde há luminosidade, roupas, barulhos estridentes. O toque acalma e o contacto da pele, corpo a corpo, é um grande recurso para o bebé aprender a confiar no mundo e a ser nutrido por ele. A visão é também uma forma muito forte de contacto. Dizem que o bebé quando nasce apenas consegue ver cerca de um palmo à frente do seu nariz, que será o suficiente para ver a cara da mãe enquanto se alimenta. O olhar que a mãe vai devolver ao bebé pode estruturá-lo se for um olhar “quente” que traz excitação e é expressão de amor. Se for um olhar frio, pode congelar o organismo e deixar o bebé perdido.

Será preciso ser um pai ou mãe (ou cuidador) suficientemente bom (como Winnicott dizia), para reconhecer, espelhar e ampliar o entusiasmo da criança, permitindo-a explorar o mundo através de uma comunicação aberta entre todos os elementos da família.

Texto de Ana Caeiro, Psicoterapeuta Corporal em Biossíntese
ana.caeiro@mail.com

Foto: Laura Lee Moreau – unsplash.com

Janeiro 1, 2015

Hoje pela manhã, espreitei o céu e pairavam no ar, livremente, uns pássaros.

Deitado em cima da minha cama estava o Tomás de 8 anos, e eu para não perder uma oportunidade de o ensinar, perguntei-lhe: sabes como se chamam aqueles pássaros? E ele espreitou e ainda ensonado, disse: – são pretos e têm um biquinho laranja? … são melros!

Pois são, disse eu!

E eu voltei a perguntar: e se fossem todos pretos? Como se chamavam?

E este diálogo poderia continuar sem parar, mas o Tomás já não me respondeu… quando olhei… já tinha saltado da cama e estava a brincar com uns bonecos que ganham vida nas suas mãos… no seu mundo de fantasia, onde todos os pássaros, independentemente, do seu nome, têm lugar…

Ser criança é viver entre a fantasia e a realidade, onde os dois mundos são a integração do seu ser, do seu pensar, da sua história… onde elabora o que se passa nas suas vivências e nos seus desejos.

Um dia, um pai perguntou-me, falando da sua filha de 6 anos: – acha normal, ela querer ser princesa, neste mundo tão competitivo? Ela tem que desejar ser médica ou…

Para que as crianças possam crescer saudáveis e um dia serem adultos equilibrados, é fundamental brincarem e incorporarem as suas fantasias, para que aos poucos se possam ir adequando ao mundo.

Brincar é primordial e é o alicerce, até que aos poucos a fantasia vai dando lugar à realidade, aos sonhos e aos objectivos que queremos alcançar.

Ficam algumas ideias para brincarem com as crianças à vossa volta.

Actividades ao ar livre:
– andar de bicicleta
– trotineta
– patins
– jogar à bola
– fazer corridas
– lançar papagaios de papel…

Quando um adulto brinca está a cuidar da sua criança interior… observe-se e sinta-se… olhe para a alegria que as crianças mostram quando brincam!!!

“Tenho em mim todos os sonhos do mundo”, disse Fernando Pessoa.

Cristina Santos