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23/05/2019

Hoje, no blogue da Sintricare, publicamos na íntegra o artigo de opinião publicado no site do Público, “A psicoterapia e as outras terapias”, da autoria da psicóloga clínica e autora do blogue Agir e Sentir, Isabel Filipe, que enfatiza a importância da psicoterapia para o nosso bem-estar e crescimento pessoal. Como a própria afirma “estarmos bem é um trabalho a tempo inteiro, que exige uma multiplicidade de instrumentos”. Tirem uns minutos e aproveitem para ler!

“A psicoterapia é valiosa e construtiva, não se tratando de uma simples conversa ou mezinha. O nosso crescimento pessoal não é proporcional às conversas de café ou de cabeleireiro.

A psicoterapia é uma forma extraordinária de termos um espaço nosso, privado, tranquilo, seguro. É o sítio certo para ventilar o stress quotidiano, libertando-nos para tempo de qualidade com amigos e família ou para usufruirmos bem da nossa própria companhia. Acima de tudo, é uma fenomenal forma de aprendermos mais sobre nós próprios, compreendendo o nosso percurso e tendo orientação para desenvolver competências pessoais que nos levem ao melhor de nós.

O que há para não gostar? O preço. A intensidade emocional. A lentidão do processo. Tudo isto seria pertinente, se a nossa saúde mental não fosse a espinha dorsal do nosso bem-estar. Mas é-o. O melhor esforço que podemos fazer por nós e pelas pessoas a quem queremos bem é cuidar de nós próprios. A terapia permite-nos isso, pese o facto de não ser uma solução mágica. Embora possa ser pautada por momentos densos e complexos, o evoluir desta parceria com um psicólogo é algo de muito compensador. Se a pessoa a quem vamos confiar a nossa intimidade nos recordar de um colega de trabalho que não apreciamos, é evidente que não iremos longe. Importa existir empatia, uma química saudável, construtiva e enriquecedora. A confiança terapêutica no nosso terapeuta permite, em conjunto, trilhar um percurso bem-sucedido.

Diz-me a literatura e a experiência clínica, que os millennials priorizam, sem pudores, a saúde mental, física e espiritual, de uma forma mais veemente do que qualquer outra. Bem-estar constante e prazer imediato são impulsionadores da procura de suporte, em duas frentes importantes.

Por um lado, há quem recorra a alternativas mais “rápidas” e “de solução imediata”, como terapias alternativas, apoio espiritual ou mesmo procura de respostas em livros ou vídeos motivacionais, cada vez com mais destaque nas montras de consumo. Embora estes recursos possam estimular ferramentas interessantes, investirmos apenas e consecutivamente nestas orientações externalizadas, sem tempo para reflectir ou responsabilizar-se, encontrando respostas que façam sentido, pode não ser salutar. Nestes casos, a psicoterapia pode representar uma enorme mais-valia, permitindo personalizar esta aquisição de material cognitivo.

Por outro lado, há quem, com facilidade e muito cedo na sua fase adulta, inicie consultas de Psicologia, procurando conhecer-se melhor, optimizar competências pessoais e compreender o seu comportamento. Acredito que a segunda opção é mais duradoura e eficiente, embora mais morosa e dispendiosa. Contudo, a nossa saúde mental é uma prioridade, um dos pilares mais significativos da nossa edificação pessoal, compensa todo o investimento.

Não desconsidero as terapias e opções alternativas, podem ser um suporte útil e uma fonte de riqueza espiritual. Da complementaridade entre estas a Psicologia pode surgir uma sinergia interessante, cada uma com as suas especificidades bem definidas, sendo fulcral estarem presentes critérios como profissionalismo, boa formação e devida competência, de todos os profissionais envolvidos.

Ser adulto é um desafio, pelo que obter um conjunto de factores protectores, mediante as crenças e valores pessoais, apenas pode apresentar um cunho positivo. A psicoterapia é valiosa e construtiva, não se tratando de uma simples conversa ou mezinha. O nosso crescimento pessoal não é proporcional às conversas de café ou de cabeleireiro. Estarmos bem é um trabalho a tempo inteiro, que exige uma multiplicidade de instrumentos. O mais importante é usá-los com inteligência e empenho.

Isabel Filipe, Psicóloga clínica e autora do blogue Agir e Sentir

13/03/2019

Esta terça-feira, dia 12 de fevereiro, realizou-se um Encontro internacional em Lisboa, mais concretamente na reitoria da Universidade de Lisboa, que reuniu membros de governos e investigadores em torno do tema da felicidade e, sobretudo, de como a felicidade pode ajudar a evitar conflitos e a promover políticas de bem-estar. A Sintricare considerou tão interessante esta iniciativa, que publica aqui, na íntegra, o artigo da autoria da jornalista Bárbara Wong, publicado no Público, sobre esta proposta da World Happiness Summit (Wohasu na sigla inglesa).

Como a felicidade ajuda a evitar conflitos e a promover políticas de bem-estar
Encontro internacional em Lisboa reúne membros de governos e investigadores em torno da felicidade e do bem-estar.

O que tem a ver a felicidade ou a paz com o desemprego? E com a educação ou a saúde? Tudo, acredita Helena Marujo, coordenadora da cátedra de Educação para a Paz Global Sustentável da UNESCO. Nesta terça-feira, na reitoria da Universidade de Lisboa, discute-se como a felicidade, o bem-estar e a “paz positiva” pode ajudar ao desenvolvimento dos países. A proposta é da World Happiness Summit (Wohasu na sigla inglesa), que vai reunir membros de governos de 25 países com especialistas internacionais em economia, política, sustentabilidade, saúde, felicidade, bem-estar e psicologia positiva. A reunião chama-se H20, à semelhança do G20, sendo que o “h” é de “happiness”, felicidade.

Esta é a terceira vez que se faz um H20, mas a primeira fora dos EUA – os encontros anteriores foram sempre em Miami, EUA. Portugal faz parte de um grupo de seis países que assinaram a declaração conjunta da Coligação Global para a Felicidade e esta é uma das razões para ter sido escolhido como país anfitrião deste encontro. A Wohasu trabalha em parceria com a FreeBalance, uma empresa de software para ajudar países em situação de pós-guerra a reequilibrar a sua economia e a diminuir a corrupção, e que promove o Relatório Global sobre Políticas de Felicidade e de Bem-estar, ou seja, como é que os países aplicam os estudos já feitos nestas áreas nas suas políticas públicas. “O retorno à paz passa pelo conhecimento científico sobre a felicidade. Em perceber como medir e aplicar indicadores subjectivos, em vez dos objectivos como os económicos”, declara Helena Marujo, coordenadora do Executive Master de Psicologia Positiva Aplicada, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP/UL).

Recorde-se que o Butão já tem um indicador de Felicidade Interna Bruta; que os Emirados Árabes Unidos têm um Ministério da Felicidade, e que o Reino Unido tem um Ministério da Solidão, a pensar em políticas de bem-estar para os milhões de pessoas que vivem sozinhas. “Já existe muita investigação que pode ajudar a tomar decisões políticas. Por exemplo, há países que investem mais na prevenção da saúde mental, do que no seu tratamento”, exemplifica Helena Marujo, acrescentando que a ex-presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, é uma das palestrantes em Lisboa, porque o seu país foi considerado o mais feliz do mundo no que à pegada ecológica diz respeito.

Outro dos temas do encontro será a “paz positiva” que é diferente da “paz negativa”, informa a investigadora que também é autora de um estudo sobre a felicidade dos portugueses. A segunda é quando os países procuram impedir ou controlar conflitos, enquanto a primeira é “promover condições de felicidade para os seus cidadãos”, de modo a que os conflitos não surjam, explica, dando um exemplo concreto, o desemprego. “Há duas experiências que têm um impacto brutal na vida das pessoas: a viuvez e o desemprego. Um país que faz uma aposta grande na redução do desemprego, está a fazer um trabalho enorme na promoção da felicidade e do bem-estar porque o desemprego é mais do que a insegurança económica, é perda de identidade, de auto-estima, de realização e pode levar a conflitos.”

A felicidade não requer apenas condições materiais, mas também boa saúde (mental e física), educação, governos sem corrupção, empresas preocupadas, “e a liberdade de cada pessoa de prosseguir os seus sonhos”, aponta o relatório da Wohasu. “Queremos trazer uma linguagem nova à política e também uma nova reflexão pública, de maneira a assegurar que maior bem-estar não está só relacionado com a economia, a princesa das Ciências Sociais, mas com outras áreas das Ciências Sociais que conseguem ler o que se está a passar no mundo”, termina Helena Marujo.”

25/07/2016

Andamos por aí e continuamos sempre ao vosso dispor. Tem sido o nosso desejo contribuir para o bem-estar das crianças, jovens e pais. Faltavam os nossos amigos animais! Informe-se!

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