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24/01/2019

Deparámo-nos recentemente na Sintricare, com o artigo “Uma análise psicológica: em busca de nossa própria alma”, de Talita Rodrigues, publicado no site brasileiro Aleteia. O título chamou-nos à atenção e parámos para o ler atentamente. Dado a pertinência do seu conteúdo, decidimos publicá-lo na íntegra no nosso blogue. Esperamos que gostem!

“Quantas vezes você já perdeu o sentido da vida?

Não raramente observamos pessoas buscando por um novo sentido ou tentando reencontrar um para viver. Dentro da Psicologia Analítica, pode-se considerar a falta de sentido e a falta de algo essencial, como “perda da própria alma”. Para a psicologia analítica, a alma pode significar um todo. Um todo que é fundamental para que sejamos completos e mais felizes.

Dentro disso, podemos considerar três fatores importantes: o primeiro, é de que a de que a alma não é superstição nem figura de retórica; o segundo, é de que a alma é uma realidade psicológica; e o terceiro, é de que a alma é vivida psiquicamente de maneira inconsciente por cada ser humano. É com base nisso que Carl Gustav Jung concebe a psique como a própria alma humana.

Pensando sobre o significado de alma dentro da psicologia analítica e do poder transformador que exerce sobre cada ser humano, fica claro que, sem ela, nós simplesmente existimos. E não se esqueça: existir não é viver.

Não raro, perdemos a nossa alma e, por algum motivo, não lembramos onde é que a perdemos e não temos força para resgatá-la e fazer dela uma alma vívida novamente, de forma que nos traga a completude que tanto buscamos.

Talvez você tenha a perdido quando criança diante das circunstâncias difíceis em que a vida te colocou, ou até mesmo quando adulto, após um relacionamento falido que endureceu completamente o seu coração. E que, desde então, você não sabe como e o que fazer para simplesmente restabelecer contato com ela.

Há centenas de pessoas pelo mundo que, neste exato momento, inconscientemente, buscam por suas almas e pela alegria de viver que só ela é capaz de proporcionar a cada um.

Buscar pela sua alma, perdida em algum momento de sua história é uma verdadeira aventura. E, como todas as aventuras, você terá de restabelecer contato com seu herói interior, afinal, haverá momentos em que você sentirá medo e sentirá que está completamente sozinho, porque precisará abrir mão de coisas que fizeram ou que se permanecem ainda, dentro da tua história, farão com que você a perca de vista novamente.

Mas, como todas as aventuras, também haverá momentos felizes, nos quais você se (re)descobrirá e se (re)inventará novamente de uma forma ainda mais bonita. E será justamente através desta (re)descoberta, (re)invenção e contato com o seu herói interior, que você terá coragem de voltar ao capítulo mais doído de sua história, no qual você a perdeu.

Lembre-se: não tenha medo da aventura de ir ao encontro de sua alma perdida, afinal, como disse Campbell (1990) em seu livro “O poder do mito”:

“Não precisamos correr sozinhos o risco da aventura, pois os heróis de todos os tempos enfrentaram antes de nós. Temos apenas que seguir a trilha do herói, e lá, onde temíamos encontrar algo abominável, encontraremos um Deus. E lá, onde esperávamos matar alguém, mataremos a nós mesmos. Onde imaginávamos viajar para longe, iremos ao centro de nossa própria existência. E lá, onde pensávamos estar sós, estaremos na companhia do mundo todo.”

E se por acaso, nesta grande aventura, você reencontrar sua alma, por favor, não permita com que você a perca novamente. Sua alma é quem você é – e é o que dá sentido à tua jornada aqui nesta terra.”

18/07/2018

Imensidão, azul, plenitude, totalidade… tudo isto sentia a Alma, que no meio das suas iguais, se distinguia…

Mais leve, mais bela, mais pura, esperava pacientemente, que mais uma vez, a mandassem baixar à Terra.

Qual seria a próxima missão? Quando partia a Alma ía cansada, e carregava grandes e pesados fardos consigo… mas, logo que alcançava o topo, uma leveza e uma paz se apoderavam dela, tudo se desvanecia e a Alma encontrava outra vez o seu lugar, lá em cima, no alto da montanha.

Até lá chegar, os caminhos eram longos e duros, por vezes íngremes ou planos, verdejantes em mil tons de verde ou cinzentos e negros.

Eram claros e limpidos, tais cursos de água movendo-se rapidamente em cascatas, ou escuros, lentos e parados como pântanos lodosos.

Sucediam-se os tempos e a Alma assim vagueava por entre prazeres e dores, alegrias e tristezas, clareza e obscuridade, sabendo sempre que o topo da montanha a esperava.

Sabia também, que algures, num tempo que não conhecia, iria finalmente ascender ao infinito pleno onde poderia permanecer fazendo parte do Universo imenso.

Leonor Braga

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16/01/2018

O corpo era grande desajeitado, descoordenado, desgovernado, desnorteado, desengonçado, desmembrado, desalmado…

Seguia na sombra, na penumbra, oculto por entre os esconsos, os becos…

Entrava em tocas, buracos negros que o sugavam para o fundo. Até ao centro da terra.

Lá, bem no fundo, onde tudo era escuridão, solidão e desnorte, estava ele.

Não via, não ouvia, não cheirava, não tocava, não saboreava, não sentia….

O Corpo era uma massa perdida e informe.

Apenas conseguia pensar…

Mas não sabia o que pensar, como pensar ou para que lhe servia pensar…

Pensou então, que estaria ele, O Corpo, a fazer no centro da terra?

Porquê?

Para quê?

Começou letamente a tentar organizar o pensamento, mas tudo se desvanecia e transformava em névoa que desaparecia à sua volta.

A escuridão, que apenas pressentia, começou levemente a clarear, o silêncio, que só até ali conhecia, começou a marulhar, do ar parado nasceu uma suavíssima brisa, algo etéreo e doce invadiu O Corpo e começou a talhá-lo.

Tal escultor excitado e vibrante com a sua obra, o trabalho da Alma começara.

A pouco e pouco os sentidos iniciaram o seu despertar, pela fenda da terra Mãe uma luz resplandescente elevou o Corpo para a terra.

Uma força enorme puxou-o e finalmente ele viu a luz,os aromas, saboreou o sangue, ouviu a voz da mãe, e sentiu umas mãos quentes e doces em contacto com a sua pele.

Finalmente o Corpo tinha Alma!

Leonor Braga

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