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Naranjo: “A educação é o cerne do problema”

Abril 25, 2018

Numa completa entrevista ao portal Café com Tantra, o psiquiatra chileno Claudio Naranjo, na altura com 75 anos, aborda a educação sobre uma tão interessante perspetiva, que vale a pena reproduzir aqui, no blog da Sintricare.

Apesar do mérito do seu percurso profissional, Naranjo assume que, até se mudar para os EUA nos anos sessenta e se tornar discípulo de Fritz Perls – um dos grandes terapeutas do século XX – esteve bastante adormecido.

Nessa altura, ao integrar a equipa de terapeutas do Instituto Esalen da Califórnia, passou a ter profundas experiências no mundo terapêutico e espiritual. Contactou com o Sufismo e foi um dos responsáveis pela introdução do Eneagrama no Ocidente, tendo também estudado o budismo tibetano e o zen.

Com uma vida dedicada à pesquisa e ao ensino, em universidades como Harvard e Berkeley, fundou o programa SAT, uma integração de Gestalt-terapia, o Eneagrama e Meditação, de modo a enriquecer a formação de terapeutas e professores.

Na sua opinião, ou mudamos a educação ou o mundo vai afundar…  Ora leiam as respostas que deu a este portal brasileiro sobre a problemática da educação nos dias de hoje:

Você diz que para mudar o mundo é preciso mudar a educação. Qual é o problema da educação e qual é a sua proposta?

O problema da educação não é de forma alguma o que os educadores pensam que é. Acreditam que os alunos não querem mais o que eles têm a oferecer. Aos alunos vão querer forçar uma educação irrelevante e estes se defendem com distúrbios de atenção e com a desmotivação. Eu acho que a educação não está a serviço da evolução humana, mas sim da produção ou da socialização. Esta educação serve para adestrar as pessoas de geração em geração, a fim de continuarem sendo manipuladas como cordeiros pela mídia. Este é um grande mal social, querer usar a educação como uma maneira de embutir na mente das pessoas um modo de ver as coisas que irá atender ao sistema e à burocracia. Nossa maior necessidade é evoluir na educação, para que as pessoas sejam o que elas poderiam ser.

A crise da educação não é uma crise, entre as muitas crises que temos, uma vez que a educação é o cerne do problema. O mundo está em uma profunda crise por não termos uma educação voltada para a consciência. Nossa educação está estruturada de uma forma que rouba as pessoas de sua consciência, seu tempo e sua vida.

O modelo de desenvolvimento econômico de hoje tem ofuscado o desenvolvimento da pessoa.

Como seria uma educação para a qual sejamos seres completos?

A educação ensina as pessoas a passarem por exames, não a pensarem por si mesmas. É um tipo de exame em que não se mede a compreensão e sim a capacidade de repetir. É ridículo, se perde uma grande quantidade de energia! Ao invés de uma educação para a informação, precisamos de uma educação que aborde o aspecto emocional e uma educação da mente profunda. Para mim parece que estamos presos entre uma alternativa idiota, que é a educação secular e uma educação autoritária, que é a educação religiosa tradicional. Está tudo bem separar o Estado e a Igreja mas, por exemplo, a Espanha, tem descartado o espírito, como se religião e espírito fossem a mesma coisa. Precisamos que a educação também atenda à mente profunda.”