Os primeiros dias de escola

01/06/2015

A criança quando nasce começa por receber todas as influências do meio social onde se insere e aí se integra e assimila atitudes, valores e normas de conduta e desenvolve uma relação afectiva com a sua família com a qual se irá identificar, servindo como o eixo principal do seu desenvolvimento.

Mas é indiscutível que a criança também deve conviver com outras pessoas, o que conduzirá à sua diferenciação e ao desenvolvimento da própria identidade, contribuindo para a aquisição de autonomia e maturidade.

A escola permite assim, dar continuidade e ajudar no processo iniciado na família, permitindo na prática a transmissão de valores importantíssimos, como: cooperação, responsabilização, esforço, sentido de responsabilidade, partilha e outros.

No entanto, o início da escola não é vivenciado por todas as crianças da mesma forma e depende de muitos factores, que podem originar, por vezes, alguns problemas na adaptação, como: choro, tristeza, nervosismo e negação em ir para a escola. Estas alterações que normalmente passam ao fim de algumas semanas, não deixam de ser incomodativas, o que leva frequentemente à preocupação, amargura ou até mesmo ao sentimento de culpa dos pais.

O que fazer então, para ajudar o seu filho a ficar feliz na escola? Ficam aqui algumas estratégias e ideias que poderão pôr em prática:

– Mostrar a escola à criança, apresentando-lhe o espaço, a educadora/professora e todas as pessoas com que irá ficar.

– Os pais deverão tomar conhecimento de como funciona o contexto onde a criança vai ficar, para que possam confiar e transmitir essa confiança ao seu filho.

– Reforce frequentemente a importância de frequentar a escola e como ela ajudará a ser como o pai e a mãe.

– Ler livros sobre a escola, também ajudará a criança a contactar com essa realidade e com a sua importância.

– Falar com o seu filho de como é estar na escola, de forma realista mas também sem exagerar, facilita uma maior tomada de consciência para que não tenha medo de enfrentar algo novo e que lhe poderá parecer, não ser capaz de ultrapassar.

– Despeça-se sempre da criança, mesmo sabendo que isso a poderá fazer chorar. Por vezes para diminuir a nossa angústia, temos tendência, a aproveitar momentos em que a criança está distraída, para, ir embora, no entanto, para a criança essa ausência torna-se mais dolorosa, podendo originar insegurança e falta de confiança.

– Quando se despedir da criança na escola, não se prolongue demasiado tempo. Poderão ter um “cumprimento especial” para a despedida e para a chegada, como um abraço apertado, ou um aperto de mão, cheio de sinais engraçados e coreografados, que a criança saberá, que sinaliza ue se vai embora e que chegou. O ficar demasiado tempo na escola de manhã e o ceder a constantes pedidos para que fique mais um pouco, só faz com que a criança fique mais ansiosa, tentando aumentar o tempo que os pais ficarão na escola. Combine previamente que após o cumprimento tem mesmo que ir embora, mas que mais logo voltará e cheio de saudades!

– Falar diariamente de tudo o que de positivo se passou na escola, assim como dos colegas e professores, valorizando características positivas, como por exemplo: “Que bom … a tua educadora/professora é mesmo tua amiga…”; “Tens imensos colegas simpáticos…”, “a tua escola é muito agradável…”, “Que feliz que eu estou com o que tu já aprendeste!”, etc.

– Se o seu filho continuar, mesmo após algumas semanas, a resistir a ficar na escola, tente identificar qual a razão. Poderá, para isso, contar com a ajuda dos professores, ou de um técnico, se for caso disso, para que se consigam encontrar estratégias de resolução adequadas.

– Nunca utilize a escola como uma ameaça, para que se porte de determinada maneira ou para que faça algo, como por exemplo “Se não te portares bem, vais para a escola!”.

Sandra Mendes

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